O PRAZER DE LER JORNAL – da Acta Diurna ao blog

 

O que nos faz continuar a comprar jornal e a lê-lo na versão impressa, quando as notícias estão disponíveis gratuitamente e em tempo real na internet? Estará a versão impressa dos periódicos com os dias contados? Qual o desafio dos jornalistas e proprietários das empresas jornalísticas diante da nova realidade tecnológica? Qual o papel dos blogs para os jornais?

Essas e outras questões são tratadas no livro O prazer de ler jornal – da Acta Diurna ao blog do jornalista e escritor Walter Galvani, lançado na Feira do Livro de Porto Alegre em 2008, pela Editora Unisinos.

O autor, em linguagem acessível e agradável, analisa a evolução da mídia impressa. Os ensaios são ricos em pesquisa e dados atuais acerca do comportamento das empresas jornalísticas através dos tempos e das ações adotadas para enfrentar um mundo globalizado e tecnológico, onde a informação circula à velocidade da luz.

A par do talento de Galvani para a escrita, reconhecido pelos diversos prêmios literários que obteve, da atualidade do tema e da bagagem empírica angariada em seus 54 anos de jornalismo, qual não foi minha surpresa em encontrar, em um dos ensaios, tratando sobre as recentes inovações introduzidas no ramo jornalístico, menção acerca da criação do blog do ZH Moinhos e de sua pertinência como veículo de participação dos leitores – inclusive mencionando como exemplo o post da bicicleta Vermelha, da Taís Seibt -, acompanhando tendência já adotada por outros importantes jornais do cenário mundial, como os americanos The New York Times, Washington Post, o espanhol El Mundo, ou mesmo a Folha de São Paulo, colocando Zero Hora na vanguarda do aproveitamento profícuo dos recursos da internet.

Conforme explicado por Marcelo Rech, diretor de redação da Zero Hora na época da criação do blog, também referido por Galvani no livro, o modelo é o do “hiperlocalismo”, isto é, “a cobertura de assuntos que dizem respeito a grupos restritos de leitores, seja por similaridade gráfica ou cultural, recuperando a tradição dos jornais de se ocuparem de questões menores do dia-a-dia, mas que, no seu conjunto, formam algo tão grandioso como a própria vida.”

Acrescenta, Galvani, que o sucesso da fórmula se dá pelo fenômeno da identificação dos leitores, na medida em que se sentem próximos dos assuntos tratados, que muitas vezes podem ter ocorrido na frente ou na esquina de sua casa, quando não consigo mesmos.

É muito fácil para nós que contribuímos e somos leitores do blog entendermos do que fala Galvani: cada um se sente participante do processo de construção e registro da história. As pessoas se dão conta de que suas vidas e atividades adquirem relevância e viram notícia, o que explica o êxito da iniciativa. Some-se a isso a interatividade do blog, que permite sejam os textos comentados, num franco diálogo entre os destinatários e o editor.

Concordo com o autor quando diz que o prazer de ler jornal não está na busca da informação, por si só, mas no diferencial de qualidade que é oferecido, seja por meio da crônica jornalística, onde a opinião qualificada é expressa sobre um assunto, seja pelas alternativas encontradas para dar destaque a assuntos de importância restrita a certos grupos – a exemplo do ZH Moinhos – e que de outra forma não encontrariam espaço na pauta regular de um grande jornal.

Fica a dica de leitura e o convite aos leitores de aproveitarem o espaço do blog, cujo mérito se dá pela contribuição de pessoas comuns, como eu e você, e que, por isso mesmo, fazem-no tão especial.

Angela Dal Pos

 

 

  

Um comentário para “O PRAZER DE LER JORNAL – da Acta Diurna ao blog”

  1. Almiro Zago disse:

    Prezada Angela Dal Pos:

    Cumprimentos pela inteligente, bela e motivadora abordagem do livro O PRAZER DE LER JORNAL – da Acta Diurna ao blog – de Walter Galvani. Arrisco dizer que os jornais, beneficiários dessa obra que são, ainda estão a dever o reconhecimento de seu grande valor. Poderiam começar por uma digna e merecida divulgação, aliás, em proveito próprio.

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