DIA INTERNACIONAL DO HOMEM
(Crônica publicada no jornal ABC DOMINGO, do Grupo Editorial Sinos)
Walter Galvani
E você, não fica nem vermelho? Para usar um verbo antigo, não se ruboriza mais? O Dia Internacional da Mulher não resgata nem um milionésimo do que o homem fica devendo à sua companheira por todos estes milhares de anos de exploração sem compensações, só de dívidas, nenhuma vantagem. E, no entanto, ainda há quem diga que seria necessário criar um “dia internacional do homem”. Talvez se trate de ironia pura, que não entendi muito bem. Não sou muito esperto. Mas, de um modo geral, os homens, como gênero, o são e são espertíssimos até.
Desfrutam das melhores posições no mercado de trabalho e até são melhor remunerados, de um modo geral. Isso depois que as mulheres, galgaram alguns degraus, dificílimos, desde que iniciaram no século XIX, há dois séculos atrás, a caminhada para conseguirem, na sociedade ocidental, alcançar posições semelhantes as que seus companheiros masculinos ocupam. Nas sociedades orientais, no chamado Oriente Médio, onde predominam determinadas religiões, nem se fala, porque lá, as chaves da inferioridade feminina ainda estão com os membros do outro sexo.
Os que me lêem, de um modo geral, sabem o que significa a longa história desta luta em busca da igualdade, em nosso meio e também possuem informações suficientes sobre o que sucede além da cortina de bambu ou de petróleo, o que ocorre tanto nas sociedades subdesenvolvidas, também sabem o quanto é injusto e desleal para com as mulheres e a maioria conhece a história destas pequenas aspirações e grandes sonhos, um procedimento egoístico, iníquo e injusto que os do outro sexo, historicamente adotam.
O ideal seria, pois, que não fosse mais necessário um dia internacional para lembrar que as mulheres só diferem dos homens em alguns detalhes que caracterizam o sexo e as capacitam a contribuir para a perpetuação da espécie. Ficar lembrando os grandes nomes das ciências e das artes, do trabalho é muito pouco, mesmo porque durante muitos anos elas foram impedidas de chegar ao primeiro plano, ao destaque. .
Lembrar das mulheres num só dia e continuar procedendo de forma igual no dia seguinte, não resolve nada.
Olá Amigo
Parabéns pelo texto que está optimo.
Não posso estar mais de acordo contigo.
E como mulher que sou, muito obrigado.
É bom saber que há homens que pensam como tu.
Mais uma vez Parabens.
Da amiga que não te esquece
Fernanda
Lisboa, Portugal
Olá Professor,
Perfeita, uma crônica para todos os dias e completamente real, a forma de abordar o assunto a torna atemporal. Parabéns!
Abraço!
Karen Scopel
É, querido Maestro!!! Sempre se pode ler de várias maneiras as comemorações ao Dia da Mulher, do Índio, da Criança…etc.
Que seja um dia de dias, um calendário a mais Criação!!!
Obrigada pela crônica, reflexão e um bom domingo e início de semana.
Carmen Silvia Presotto
http://www.vidraguas.com.br
Prezado Sr. Walter Galvani,
Li sua crônica e não me surpreendeu seu pensamento sobre o tal “dia das mulheres”. A pouco terminei de ler “Crônica: o vôo da palavra”. Então, se confirmou o que desconfiava. O senhor é um homem atemporal, e não compactuaria com a idéia. Foi preciso que nos queimassem vivas lá em 1857, como ainda fazem, sempre que não acertamos, para que merecêssemos um dia especial.
Igualmente foi preciso que levássemos um tiro, como ainda levamos sempre que não obedecemos as regras que nos são impostas, para que criassem a Lei Maria da Penha.
Quantas homenagens nós ainda iremos receber? Agradeço minha parte. Já sofremos violência demais.
Adorei lê-lo.
Um forte e querido abraço.
da sua amiga
Valquiria
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Caro Walter Galvani:
Eis uma crônica que eu gostaria de ter escrito.
Não é a primeira vez, bem sabes, que me sirvo dessa frase alheia para sintetizar minha opinião e meu sentimento sobre determinado texto de tua lavra.
Agora, confesso, apressei-me em enviar este meu breve comentário para deixar marcado que não apenas as mulheres – como se vê nas manifestações precedentes – souberam apreciar e valorizar tuas idéias a respeito da Mulher e do Dia Internacional à ela dedicado.
Almiro Zago
Amigo Galvani
É para ficarem vermelhinhos, sim.Ainda bem que existem pessoas como o amigo
que
sabe que sem “elas”, o mundo ficaria sem aquele complemento que ora
embeleza, ora
incomoda, mas que sempre faz falta.
Sabe, eu não sou feminista.Sou normal, acredito.Acho que “elas” tem um
incontestável valor,
mas em determinados lugares da máquina funcional deste mundo cheio de cargos
e encargos, prefiro
“eles”, principalmente nas funções do meio jurídico.
Para mim com preciosas exceções “eles” continuam a ser a elite.
Obrigada pela homenagem.Vamos nos encontrar em breve.
Um abraço
Maria Berenice
Caro Walter Galvani:
Gostei muito.Tema abordado com muita franqueza e propriedade.
Mas comemorar o Dia Internacional da Mulher já não seria alguma mínima coisa? Afinal, serviu de assunto para essa tua bela e candente crônica.
Almiro Zago
o dia internacional da mulher é impotarnte para todas a mulheres do mundo.
e para todos o homens porque sem as mulheres os homens não iam valer nada…