TODOS OS DIAS… SEM MUDANÇA

Publicado no jornal ABC DOMINGO:

CAPÍTULOS DE NOVELA…

 

Walter Galvani

 

Entre a história do jovem negro, com nome árabe e avô muçulmano que ascendeu ao posto máximo da nação americana, a professora paulista que fez rápida e brilhante carreira política no seu estado de adoção, o Rio Grande, aquele estado da federação que costuma abominar os “estrangeiros” e dificulta a absorção deles em seus tecidos sociais e a aventura do jovem técnico metalúrgico que cursou a escola do Senai e virou presidente da república, e os soluços da “Bolsa”, os capítulos empolgantes e promissores que falam no fim da crise e ainda as promessas federais de extensão do Trensurb e nova estrada,  com número e tudo, 448, (que até dá para “fazer uma fezinha”), resolvendo o horror em que se transformou viajar na região metropolitana na hora do pique, quase perco o fôlego. Principalmente por causa desta longa frase de abertura, que tira a respiração de qualquer um, apesar de que eu não seja um José Saramago que costuma não usar pontuação… Feito este preâmbulo, vejo que eu já disse quase tudo e pouco resta para acrescentar, a não ser que, neste fim de semana surjam novos e desafiadores capítulos em que se saberá ou nada se ficará sabendo, mas o destino deles, do jovem negro, da professora de economia que deu uma lição aos gaúchos (aprendam a conviver com o déficit zero) e o homem que perdeu um dedo na máquina e agora sabe apontar os buracos como ninguém, continua tomando o pensamento e ocupando lugar em nossos cérebros, nos dois lóbulos, o que sedía a imaginação e o que acolhe a memória.

De vez em quando um “vulcão no fundo do mar”, um corte de 50 diretores no Senado ou a perda de carros, quase que escrevo bigas, o que nos faz lembrar que estamos ainda vivendo num país que descende diretamente do império da república de Roma, e eis que a realidade ultrapassa a ficção em carreira desenfreada e não há novela de televisão ou programa de “bbbs” que consiga suplantar a loucura estabelecida nas ruas pelo simples desfilar dos acontecimentos reais. Eu disse…“reais”? Bem, pelo menos são apresentados como tal, e se produzem ou não efeitos concretos, já é outra coisa.

Um comentário para “TODOS OS DIAS… SEM MUDANÇA”

  1. admin disse:

    Vem de longe, vem de longe… a diferença é que nos tempos do Império Romano, ao que parece, o nível intelectual era mais elevado.
    Em meio à burrice, o barulho (que muitos chamam de Música!!!) e a falta de educação, fica difícil sobreviver.
    Estou ficando velho.
    Meu nome é Matusalém, amigo Galvani, mas tenho certeza de tê-lo conhecido quando éramos bem jovens… juntos, quero dizer, com a mesma idade!
    um abraço
    Matusalém de Almeida

Deixe um comentário