MATA ATLÂNTICA
Walter Galvani
O Rio Grande do Sul abriga 45% de Mata Atlântica em seu território. E falo nisso não é só porque os bugios estão morrendo de febre amarela. Nós, os humanóides, é que estamos sofrendo as conseqüências do menosprezo ao bioma-pampa e a venda indiscriminada de terras às gigantes do celulose, sejam elas simpaticamente nacionais ou grotescamente estrangeiras. Sim, sei que é mais fácil vender ou arrendar para uma empresa destas uma ponta de terra que sobrou, mas também sei que este ato, pessoal e possivelmente solucionador de questões individuais ou familiares, é também potencialmente destruidor da já agora indefesa nave espacial que todos juntos tripulamos.
Barack Obama não é a salvação de todos, mas já se sabe que ele está disposto à medidas radicais, tipo bombardear de volta para o Sol, partículas de aquecimento global que o astro-rei está inadvertidamente nos enviando. Não, a culpa não é dele não, do velho e invencível Sol, deus do calor e da vida, mas sim dos homens que perderam o juízo e querem explorar a Mãe Terra até o último átomo.
Quando não houver mais gelo nas calotas polares, quando o clima estiver total e completamente subvertido pelas medidas progressivas de combustão e destruição do meio ambiente, quando os últimos gelos eternos estiverem derretidos do Ártico ao Antártico, será tarde, muito tarde, irmãos!
Pior é que não ficará registro sobre a Terra, a aventura humana terá chegado ao fim e de nada adiantará lamentar-se, porque não haverá mais ninguém para chorar e nem para ouvir quem chora.
Sim, podem me chamar de alarmista nesta Páscoa em que se festeja/comemora a Ressurreição, se é que isso quer lhe dizer alguma coisa, ou festa da Passagem (ou Pessach, se isto também quer lhe dizer algo).
Vamos aproveitar para refletir um pouco, mergulhar por momentos nesta pausa sabática e deixando de lado a correria de todos os dias, reaparecer lá na segunda-feira com a mentalidade renovada. E começar a punir quem depreda, quem gasta em excesso, quem não respeita a Natureza e quem enche o ar de gases letais. Ou então, embarquemos para o nunca mais.
(Crônica publicada no jornal Diário Popular, de Pelotas em 12-9-2009)
Pô cara, preferes os bugios?
Até que tens razão.
Pelo menos eles são mais dóceis que os humanos.
Menos agressivos.
um abraço
parabéns
Paulão