Crônica publicada no jornal Diário de Canoas
um dia depois dos meus 75 anos
CANOAS, 1934
Walter Galvani
Como teria sido o ano de 1934 em Canoas? Qual a razão da minha curiosidade? Ora, vocês que hoje vivem nesta poderosa cidade de mais de 300 mil habitantes, sob a vibrante administração do Jairo Jorge, meu colega de profissão, conseguem imaginar o que era a pequena aldeia de pouco mais de 15 mil, que nascera do Passo das Canoas? Pois então, na rua Cel.Vicente, bem aqui no centro da nossa cidade, aquela que desce ao lado da igreja São Luiz, rumo à Quatro Colônias, Vila Harmonia e o Mato Grande, seguindo adiante até o rio dos Sinos, pois na altura do número 376, pisei pela primeira vez o solo canoense.
São 75 anos de estrada, ontem completados, e que propiciaram tantos momentos felizes que, se fosse fazer a conta, certamente teria um saldo positivo. Aliás, a rua Cel. Vicente se chamava “Progresso”, quando eu nasci, e minha mãe, dona Julieta (aproveito para lembrar dela nesta reta para o Dia das Mães), não precisou sair de casa, pois, naqueles saudosos tempos a parteira vinha em casa e ninguém tinha que ir para um hospital, para nascer.
Assim é que, em pleno centro, botei meu pé (aliás minha boca, por que, ao que sei, botei a boca no mundo, como todos os estreantes, depois a gente se acostuma e não chora mais…) pela primeira vez estreando em solo canoense. Depois me habituei a palmilhá-lo diariamente, para cima e para baixo, sobretudo para cima e para baixo para chegar ao centrinho, origem do centrão de hoje, atravessar os trilhos antigos (não havia esta maravilha do Trensurb, mas já tínhamos os trenzinhos da VFRGS e nem havia ainda Kleiton e Kledir para cantá-la!) e assim fomos crescendo até alcançar o La Salle, estudar no Externato São Luiz, depois aprender artes gráficas lá mesmo e sair pelo mundo a procurar um destino.
Não me queixo, acho que fui muito feliz em Canoas, de onde saí provisoriamente em 1955, mas voltando sempre, às vezes para o fim-de-semana, outras vezes para ficar um bom tempo, como de 78 a 81, outras vezes para ajudar o Lagranha, o Sezefredo, o Zezé ou o Jairo, como agora, ou ainda o nosso poderoso Simmmec que ajudei a transformar em Simecan e lançá-lo mundo afora, junto com o Talini e o Darwin Longoni. E uma vez por mês para podar o meu topete, com meu barbeiro Nery Ramos.
Um Feliz Aniversário, querido mestre! Que tenha ainda muitos anos de estrada, nos contemplando com essa bagagem de conhecimento que transfere para seus textos. Um abraço carinhoso!