O RESGATE DA MEMÓRIA
crônica publicada no ABC Domingo em 17 de maio de 2009
Walter Galvani
Tenho andado envolvido com oficinas de criação literária e faço isso com o maior prazer, pois, entre as três profissões que escolhi, esta merece uma atenção especialíssima, pois é quando eu trato diretamente com a leitura e o seu prazer e sua importância. Assim, quando penso em uma “oficina de crônica”, como vou ministrar em Porto Alegre em junho na Clínica Verri, sob a coordenação deste extraordinário poeta que é o Fabrício Carpinejar, ou no “Resgate da Memória”, que acabei de concluir junto à XIX Feira do Livro de Caçapava do Sul, em verdade estou me exercitando para a prática do ofício em que ingressei há 55 anos a serem completados em agosto próximo, o envolvente Jornalismo. Sendo assim, a crônica que aqui digito (quando comecei, este tipo de trabalho tinha que ser “batido” literalmente, numa máquina de escrever) num moderno equipamento, é um exercício que recomendo aos meus alunos (e aqui entra a segunda profissão) e que começa no “vôo da gaivota” para a seleção do assunto.
Voei, voei, andei vendo que pretendem (não será pura conversa?) construir uma nova ligação Novo Hamburgo a Porto Alegre e acabar com os dois ou três nós de tráfego que a BR-116 agora apresenta, o que é absolutamente indispensável para o futuro da nossa região.
Mas, leio também que a violência continua, que o “crack” segue sendo uma opção (triste escolha!) dos jovens e que continuam mentindo muito e prometendo mais ainda.
Estou ficando um pouco (muito) decepcionado com o que acontece em nosso país, mas espero não me frustrar demais, pois ainda acredito que este seja, por várias razões, “o melhor país do mundo” e não apenas no futebol.
Assim sendo, e para comemorar o fato de estar passando estes dias numa cidade que ostenta como seu slogan, “a cidade que lê”, transmito meu abraço semanal aos leitores com a promessa formal de que eu, meus colegas de jornalismo, meus companheiros de literatura e meus alunos de “biografia e autobiografia”, trabalharemos para melhorar nossas histórias pessoais e a de todos com uma pregação positiva mais intensa e constante que nos leva a sublinhar com os velhos versos de Fernando Pessoa, que afirmava: “tudo vale a pena quando a alma não é pequena”.
“Como vc. sabe, vivo atrás de seus passos nos momentos (raros) de
folga. Hoje, estou pesada de enxaqueca e, quando isso acontece, preciso
de boa leitura, ar fresco, verde à beça pra emprestar uma certa
quietude aos miolos (meio moles). Nessas horas, busco seus escritos.
Essas crônicas em que vc. descerra com elegância os desafios impostos
pelo dia-a-dia. São as drogas, as gripes, o desemprego, a crise e sei
lá mais quantas desgraças há por aí. Tudo no seu texto fica mais leve,
mais fluido, mais simples e o mundo parece pesar menos.
Hoje, na busca por paz, provocada pela dor de cabeça, caio neste canto e deixo umas
linhas meio soltas, descosturadas mesmo, porque me faltam verbos e já
não acho substantivos nem pro conteúdo nem pra forma. Mas tô aqui, à
espreita, atrás do melhor que você dá aos seus leitores diariamente.
De repente, volto mais centrada, com ares de boa moça, pra te dizer
olá!
Ah, parabéns pelo aniversário. Apesar das dores, envelhecer é
doce. Será?”
Vera Marina
Obrigado, Vera
Você une sua gentileza à sua sensibilidade e à sua inteligência.
Um abraço grande.
WG
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Boa tarde Galvani,
Gostaria de conversar contigo. Preciso de algumas dicas sobre bibliografia que aborde a história dos jornais do nosso Rio Grande do Sul. Conheço a tua obra “um século de poder”, porém além dela gostaria de outros livros que trouxessem conteúdo sobre a história dos nossos jornais, não só do Correio do Povo.
Serei grato se puderes ajudar. Meu e-mail é: henrique.scholz@gmail.com
Um abraço