Arquivo de junho de 2009

VAMOS TRABALHAR?

segunda-feira, 22 de junho de 2009

ESPERANDO A HORA

 

Walter Galvani

 

 

O tempo passa.

De uma hora para outra, crescemos, ou pelo menos pensamos que crescemos. Viramos gente. Ou pensamos que viramos gente. E então, acreditamos que somos capazes de mudar o mundo.

Será que somos?

Em algum momento teremos condições, ferramentas, habilidades?

Pois é.

Lemos, acreditamos, entendemos que chegou a hora de mostrar o quanto somos, digamos “machos” e poderemos alterar a ordem das coisas.

Quantas vezes comecei uma crônica sem saber o assunto dela?

Esta é uma delas.

Sempre ensino, em minhas oficinas, que o Rubem Braga já fez isso, de maneira genial e que, portanto, os novatos, nós os velhos pretenciosos, e os capacitados pelo talento, estamos proibidos de escrever sobre “não ter assunto”, por que Rubem Braga já fez isso, de forma original e genial e não há mais espaço para isso.

Então, vamos tratar de ler, escrever, praticar, pensar, voltar a escrever e procurar produzir alguma  coisa digna. Sem desculpas.

Jean-Paul Sartre já dizia: “Nenhum dia sem uma linha!” E Picasso explicava:

“Quando alguém me pergunta se acredito em inspiração, respondo: acredito sim, sempre que ela chega me encontra trabalhando!”

Mãos à obra.

ESTAREMOS PREPARADOS PARA O INVERNO?

segunda-feira, 22 de junho de 2009

ALERTA DE INVERNO

 

Walter Galvani

Crônica publicada no ABC DOMINGO

 

Que a Terra anda desequilibrada em suas relações com o Universo, disso todos sabemos, bem como estamos perfeitamente informados de que o Homem, este grande predador, tem destruído o meio ambiente de forma obstinada e progressiva, nem se sabe se o desequilíbrio que se tem aí fora  tem a ver com desvios de rota, mudança de eixo ou normalidade historicamente comprovada que nos leva a maior ou menor frio ou calor, exposição a chuvas ou ausência delas, secas ou inundações. O que se sabe, por sentirmos na própria carne, é que o planeta anda surpreendendo os analistas e chocando os pobres humanos que na certa imaginaram sua imortalidade ou a perenidade do sistema por mais alguns bilhões de anos.

Hoje estamos todos atentos à menor mudança, reclamamos qualquer excesso, mas não sabemos o que fazer com o lixo que produzimos, ou estocamos e de vez em quando ajudamos a complicar, com a queda de um avião no meio do oceano. Sem falar que não adianta chorar sobre o óleo derramado que, ao espalhar-se por largas extensões, já terá provocado dano à fauna e a flora marinhas ou terrestres.

Como o inverno começa oficialmente hoje pelo menos pelas medições astronômicas, já se sabe que muitas questões ainda vão se agravar, sempre pelo descuido ou imprevidência dos habitantes do globo, e não apenas pela ignorância, mas também pela arrogância, presunção e irresponsabilidade.

Por covardia, pouco ou nada fazemos. E assim segue a valsa. A chegada do Inverno traz também desafios ainda mais sérios em condições regionais, pois o frio terrível que nos obriga a uma proteção maior soa como uma tragédia completa para os desabrigados, os que vivem nas ruas, os que não tem comida, roupa ou casa. Para os privilegiados há a estética do frio, bons jantares, bons vinhos, boas sobremesas, lareira acesa e bons programas culturais. E para os que dependem da boa vontade alheia e raríssimos programas sociais dos governos? Para muitos será mais uma tragédia, para outros uma agradável oportunidade de lazer. Num país cheio de extremos e desequilíbrios sociais é isso mesmo. Até nos Estados Unidos, onde está chegando hoje o Verão, Barack Obama pensa no próximo Inverno: quer mais estabilidade e controles sobre o sistema financeiro.

INFLUENZA, INFLUÊNCIAS, VERDADES, FICÇÕES

domingo, 14 de junho de 2009

MÁS INFLUÊNCIAS

 

Walter Galvani

 

 

Esta gripe que anda aí, fazendo justiça ou injustiça ao nosso amigo porco (aliás, globalmente falando a carne mais consumida pelos humanos) é a mesma “Influenza” que ficou com este nome histórico pela sua popularização na Italia dos séculos XV e XVI. Quer dizer: quando os portugueses se lançavam pelos sete mares em navegações aventurosas e que acabaram premiadas com descobertas inigualáveis, como a do Brasil, surgiam no já então superpovoado território italiano, os primeiros contágios e logo as identificadas como “epidemias” de gripe. Era o reino da “Influenza”.

Até hoje os intelectuais costumam rejeitar com veemência a “influência” de outros autores. Bobagem, como mamíferos, todos estamos expostos à uma possível “influenza”.

Da gripe, então nem se fala, venha ela de porcos ou aves, como a Gripe Espanhola dos anos 18 e 19 do século XX, ou a Gripe Asiática dos anos cinquenta, espalhada pelos veteranos de guerra da Coréia.

Com novos números, mas com as mesmas características, e já com a classificação de Pandemia, porque agora existe uma Organização Mundial da Saúde que se estruturou justamente a partir das epidemias anteriores, a tal de AH1N1 obriga os governos a repensarem suas deficientes estratégias de proteção aos indivíduos, mais preocupados que estão com a crise financeira. Devem saber, os números o dirão, que qualquer gripe (ou sonoramente “influenza”) devasta a economia e como volta todos os anos, de janeiro a março principalmente, no Hemisfério Norte e de junho a setembro no Hemisfério Sul, esta é uma doença que nasceu do próprio fato da domesticação de animais para o consumo ou proteção e sua disseminação pelo mundo.

Depois disso, espirrar sobre a mesa ou diante dos outros, não usar lenço (seja de papel ou tecido), só pode ajudar o livre trânsito seja a gripe aviária ou suína e ajudar os políticos e administradores que não sabem fazer nada sem anunciar publicamente o que estão fazendo. É outro tipo de gripe e de má “influenza”. Só não imitem, por favor, Silvio Berlusconi que parece ter tido uma atuação “porca” na gloriosa Italia, ou pelo menos é acusado de más práticas comportamentais.

 

 

 

 

MUITO ALÉM DE 2001…

segunda-feira, 8 de junho de 2009

UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO

 

Walter Galvani

 

Não há mais o que discutir. O voo da Air France terminou no fundo do mar, como ocorrera com outros, anteriormente. Isso não compromete a segurança do transporte aéreo, pois, em 1.800.000 decolagens, apenas uma acaba com a nave se espatifando ou se desintegrando.

O que se discute agora é se o computador de bordo do Air Bus tem direito ou não de interferir nas decisões do comandante, e isso é mais importante do que qualquer detalhe.

O “Hall” não concordou com a medida adotada pelo piloto e o poderoso aparelho se foi, levando todos os 228 seres humanos para a outra vida, se é que ela existe, do lado de lá.

E agora?

Pode uma máquina possuir superpoderes?

Esta é a questão nesse momento.

O que é uma formação CB? Sabem os leitores o que significa uma muralha no espaço? Isto é uma formação de nuvens Cúmulus-Nimbus.

Lenha para uma longa discussão que entra agora na pauta dos cérebros pensantes na face da Terra, na expectativa de que isso leve logo à uma completa reviravolta: quem deve poder mais? Os humanos ou as máquinas?

Ficção a parte, os fatos aí estão e agora só falta chegar ao fim, se é que isso será possível, na pesquisa e no resgate, para se tomar uma última  posição, que, por seu turno, pode não resistir até a segunda-feira.

Ou será a oportunidade de repensarmos o verdadeiro papel da Humanidade? Refletir sobre sua impotência e finitude?

Ou será que, junto com o centenário da aviação, ocorrido em 2006, estejamos diante de uma reflexão necessária, que tem a ver com altitudes e velocidades?

Quem disse que podemos andar em velocidades que reduzam a relatividade do tempo a pó?

São todas questões que sacodem a humilde caixa encefálica dos humanos e propiciam a necessidade de mergulhar, não no fundo do mar, mas no âmbito das suas próprias imperfeições e limitações.

Nenhum, homem nenhum pode se julgar dono da verdade.

E nesse momento, não se pode pensar mais do que uma verdadeira odisséia no espaço, que levou comandante, tripulantes, passageiros, para o mesmo e humilde destino: o Nada.

E já estamos bem adiante do 2001.

Crônica publicada no jornal ABC DOMINGO