UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO
Walter Galvani
Não há mais o que discutir. O voo da Air France terminou no fundo do mar, como ocorrera com outros, anteriormente. Isso não compromete a segurança do transporte aéreo, pois, em 1.800.000 decolagens, apenas uma acaba com a nave se espatifando ou se desintegrando.
O que se discute agora é se o computador de bordo do Air Bus tem direito ou não de interferir nas decisões do comandante, e isso é mais importante do que qualquer detalhe.
O “Hall” não concordou com a medida adotada pelo piloto e o poderoso aparelho se foi, levando todos os 228 seres humanos para a outra vida, se é que ela existe, do lado de lá.
E agora?
Pode uma máquina possuir superpoderes?
Esta é a questão nesse momento.
O que é uma formação CB? Sabem os leitores o que significa uma muralha no espaço? Isto é uma formação de nuvens Cúmulus-Nimbus.
Lenha para uma longa discussão que entra agora na pauta dos cérebros pensantes na face da Terra, na expectativa de que isso leve logo à uma completa reviravolta: quem deve poder mais? Os humanos ou as máquinas?
Ficção a parte, os fatos aí estão e agora só falta chegar ao fim, se é que isso será possível, na pesquisa e no resgate, para se tomar uma última posição, que, por seu turno, pode não resistir até a segunda-feira.
Ou será a oportunidade de repensarmos o verdadeiro papel da Humanidade? Refletir sobre sua impotência e finitude?
Ou será que, junto com o centenário da aviação, ocorrido em 2006, estejamos diante de uma reflexão necessária, que tem a ver com altitudes e velocidades?
Quem disse que podemos andar em velocidades que reduzam a relatividade do tempo a pó?
São todas questões que sacodem a humilde caixa encefálica dos humanos e propiciam a necessidade de mergulhar, não no fundo do mar, mas no âmbito das suas próprias imperfeições e limitações.
Nenhum, homem nenhum pode se julgar dono da verdade.
E nesse momento, não se pode pensar mais do que uma verdadeira odisséia no espaço, que levou comandante, tripulantes, passageiros, para o mesmo e humilde destino: o Nada.
E já estamos bem adiante do 2001.
Crônica publicada no jornal ABC DOMINGO