MÁS INFLUÊNCIAS
Walter Galvani
Esta gripe que anda aí, fazendo justiça ou injustiça ao nosso amigo porco (aliás, globalmente falando a carne mais consumida pelos humanos) é a mesma “Influenza” que ficou com este nome histórico pela sua popularização na Italia dos séculos XV e XVI. Quer dizer: quando os portugueses se lançavam pelos sete mares em navegações aventurosas e que acabaram premiadas com descobertas inigualáveis, como a do Brasil, surgiam no já então superpovoado território italiano, os primeiros contágios e logo as identificadas como “epidemias” de gripe. Era o reino da “Influenza”.
Até hoje os intelectuais costumam rejeitar com veemência a “influência” de outros autores. Bobagem, como mamíferos, todos estamos expostos à uma possível “influenza”.
Da gripe, então nem se fala, venha ela de porcos ou aves, como a Gripe Espanhola dos anos 18 e 19 do século XX, ou a Gripe Asiática dos anos cinquenta, espalhada pelos veteranos de guerra da Coréia.
Com novos números, mas com as mesmas características, e já com a classificação de Pandemia, porque agora existe uma Organização Mundial da Saúde que se estruturou justamente a partir das epidemias anteriores, a tal de AH1N1 obriga os governos a repensarem suas deficientes estratégias de proteção aos indivíduos, mais preocupados que estão com a crise financeira. Devem saber, os números o dirão, que qualquer gripe (ou sonoramente “influenza”) devasta a economia e como volta todos os anos, de janeiro a março principalmente, no Hemisfério Norte e de junho a setembro no Hemisfério Sul, esta é uma doença que nasceu do próprio fato da domesticação de animais para o consumo ou proteção e sua disseminação pelo mundo.
Depois disso, espirrar sobre a mesa ou diante dos outros, não usar lenço (seja de papel ou tecido), só pode ajudar o livre trânsito seja a gripe aviária ou suína e ajudar os políticos e administradores que não sabem fazer nada sem anunciar publicamente o que estão fazendo. É outro tipo de gripe e de má “influenza”. Só não imitem, por favor, Silvio Berlusconi que parece ter tido uma atuação “porca” na gloriosa Italia, ou pelo menos é acusado de más práticas comportamentais.
Gostei da crônica, Galvani, especialmente do último parágrafo.
A propósito, será que uma “piccola influenza” não ajudaria a mandar o Berlusconi para casa?
Almiro