Crônica publicada no
jornal Diário Popular de Pelotas
TERCEIRA ONDA
Walter Galvani
Temos que estar preparados para a “terceira onda”, quem avisa é a Organização Mundial da Saúde. Como se já não bastassem a realidade e a neurose, a displicência e a descrença, a ignorância e a negligência, que cercaram o surgimento, a chegada e a propagação da tal gripe. Impropriamente batizada de suína, mas que teve origem sim, numa granja multinacional expulsa dos Estados Unidos e que se relocalizou no México, onde um menino foi contaminado pelo resultado da mistura da sujeira com os danos ao meio ambiente e gripou-se, iniciando a ciranda toda.
Agora, nos avisam, e é um organismo sério, vem aí a Terceira Onda, tal como nas pandemias anteriores (1918, a famosa espanhola e a asiática de 87). Pois, tal como nas outras, esta pandemia está aí fazendo estragos.
Por aqui, a Yeda deu uma boa “paulada” no governo federal e, esperamos que tenha acertado na “mosca”: a devolução dos trechos de estradas pedagiados, aos cuidados da União. Algo me diz que isto será apenas um “round” a mais, na briga que nasce um ano antes e será resolvida, se for, ou pelo menos organizada nas próximas eleições.
É a mesma coisa que sucedeu com o absolvido senador José Sarney, a candidatura provável da antiga ministra de Lula, Marina Silva, as possibilidades da candidata Dilma Roussef e assim se terá o quadro, o xadrez incompleto da república. Incompleto e imperfeito, mas novos lances acontecerão, com movimento de peões, bispos, cavalos e até reis e rainhas… Quem joga xadrez, sabe.
Os suínos não virão a Expointer, aqui no Rio Grande do Sul, e os perús, já atingidos pela gripe em Valparaíso, no Chile, não fazem parte do elenco dos animais que comparecem ao Esteio.
Mas, entre estradas, gripes, suínos e outros animais, pedágios e atos secretos do senado, baixa de um sem-terra em São Gabriel, acho que o ambiente estaria muito favorável à presença de Cícero, o célebre orador, escritor e político romano, que foi capaz de editar há mais de 2.000 anos, sua indignação com as famosas “Catilinárias”. Enquanto ele não vem, vamos tratando de colocar nossas barbas de molho, como se dizia ao tempo da gripe espanhola…