Arquivo de agosto de 2009

QUE VENHAM AS CATILINÁRIAS…

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Crônica publicada no

jornal Diário Popular de Pelotas

 TERCEIRA ONDA

 

Walter Galvani

 

 

Temos que estar preparados para a “terceira onda”, quem avisa é a Organização Mundial da Saúde. Como se já não bastassem a realidade e a neurose, a displicência e a descrença, a ignorância e a negligência, que cercaram o surgimento, a chegada e a propagação da tal gripe. Impropriamente batizada de suína, mas que teve origem sim, numa granja multinacional expulsa dos Estados Unidos e que se relocalizou no México, onde um menino foi contaminado pelo resultado da mistura da sujeira com os danos ao meio ambiente e gripou-se, iniciando a ciranda toda.

Agora, nos avisam, e é um organismo sério, vem aí a Terceira Onda, tal como nas pandemias anteriores (1918, a famosa espanhola e a asiática de 87). Pois, tal como nas outras, esta pandemia está aí fazendo estragos.

Por aqui, a Yeda deu uma boa “paulada” no governo federal e, esperamos que tenha acertado na “mosca”: a devolução dos trechos de estradas pedagiados, aos cuidados da União. Algo me diz que isto será apenas um “round” a mais, na briga que nasce um ano antes e será resolvida, se for, ou pelo menos organizada nas próximas eleições.

É a mesma coisa que sucedeu com o absolvido senador José Sarney, a candidatura provável da antiga ministra de Lula, Marina Silva, as possibilidades da candidata Dilma Roussef e assim se terá o quadro, o xadrez incompleto da república. Incompleto e imperfeito, mas novos lances acontecerão, com movimento de peões, bispos, cavalos e até reis e rainhas… Quem joga xadrez, sabe.

Os suínos não virão a Expointer, aqui no Rio Grande do Sul, e os perús, já atingidos pela gripe em Valparaíso, no Chile, não fazem parte do elenco dos animais que comparecem ao Esteio.

Mas, entre estradas, gripes, suínos e outros animais, pedágios e atos secretos do senado, baixa de um sem-terra em São Gabriel, acho que o ambiente estaria muito favorável à presença de Cícero, o célebre orador, escritor e político romano, que foi capaz de editar há mais de 2.000 anos, sua indignação com as famosas “Catilinárias”. Enquanto ele não vem, vamos tratando de colocar nossas barbas de molho, como se dizia ao tempo da gripe espanhola…

NÉVOA ÚMIDA SOBRE A CIDADE

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Crônica publicada no ABC DOMINGO

GRIPE, ESTRADAS, ANIMAIS

 

Walter Galvani

 

 

Para onde você se virar, defronta-se com estes três temas, aqui e em todo o Brasil, mas ainda mais especialmente no Rio Grande. Yeda parece ter dado um “golpe de mestre” (no bom sentido naturalmente), ainda não deu para avaliar completamente (tanto que o próprio governo federal emitiu uma nota dizendo que o assunto está sendo “avaliado”), com a devolução dos desgastantes pedágios, pois nossas estradas estão em estado cada vez mais deplorável, e ainda mais ficarão.

A famigerada Gripe A1H1 continua fazendo vítimas e a última, e mais gravemente atingida foi a Informação, começando também pelo Ministério da Saúde e suas correspondentes estaduais. Já ninguém mais sabe o que dizer, o que é certo é que os pacientes que tenham algum tipo de problema na área respiratória são os alvos prediletos. E as crianças também, que não desenvolveram ainda anticorpos.

Só não se conta para ninguém que a tal “gripe suína” começou numa granja mexicana que havia sido expulsa dos Estados Unidos por sujeira, sujeira real e não virtual, por danos ao meio ambiente. E lá um menino contraiu o vírus que se espalhou  pelo mundo. Como se sabe com maior incidência no próprio México e ali do lado, nos Estados Unidos.

Então os suínos não virão à Expointer para não… contaminar os humanos! Pode? É o que acontece aqui, na nossa cara, em Esteio, no Parque de Exposições Assis Brasil. Ah, e tem também a gripe A chegando agora aos perús… Crescem os problemas e as neuroses também. Já se sabe que em Esteio não há exposição de perús. Ainda bem.  Então, as estradas, a gripe, os animais, todos atingidos, fazem, em verdade, sua primeira vítima, como em qualquer guerra: a informação é a primeira a morrer. Sem falar na baixa dos sem-terra em São Gabriel.

No meio desta confusão, são leitores, ouvintes e telespectadores, “webmaníacos” e “internéticos” de um modo geral, são os que, nesta chamada “era da informação” as vítimas potenciais, virtuais e reais do jogo de interesses, ignorância e má fé que andam e desandam pelo país e pelo mundo.

“Mais que nunca é preciso cantar”, como diria Vinícius, mas em verdade é preciso aprender a ler. Ou reaprender, conforme o caso, para perceber nas entrelinhas, na fisionomia dos apresentadores ou nas flexões verbais, onde mora a verdade. Se isso for possível.

O DIA DOS PAIS

domingo, 9 de agosto de 2009

 

 

Crônica publicada no jornal ABC DOMINGO

      “PAI, PERDOAI-OS, NÃO SABEM O QUE FAZEM…”
     
      Walter Galvani
     
     
      Hoje é Dia dos Pais, mais uma criação do mundo ocidental, com razão ou não provocando um acréscimo na voltagem emocional e uma procura dos pais pelos filhos e dos filhos pelos pais. Nem todos. Não vem ao caso, nem as origens promocionais da data, nem a dose de verdade que possa conter esta frase bíblica que encima a crônica, nem a relação tumultuada dos dias de hoje. Nada pode servir de desculpa. Quem tem pai vivo, que o procure. Os que não desfrutam mais desta felicidade, que parem um instante e reflitam. Na certa foram embalados, acarinhados, educados e impulsionados no caminho certo. Há também os que foram infelizes, no início de suas vidas, não tiveram o precioso apoio, e há também os que nem o pai conheceram ou pior ainda, se o conheceram, dele não tiveram a melhor lembrança. Paciência, nem tudo é fácil na vida e, às vezes, dois ou três bons desafios são decisivos e definitivos.
      Que bom! Vendo o que acontece na política brasileira,  por exemplo, onde pais e avós extremosos cuidam de deixar empregos públicos garantidos para filhos e netos, onde não se poupa o dinheiro (do povo, naturalmente) para ajudar os “seus”, vê-se que nem tudo está perdido, neste Dia dos Pais…
       Não importa de onde veio a idéia. Lembro que o Dia dos Pais, que tem uma gênese mais ou menos parecida com o Dia das Mães, quando começou a ser comemorado, também provocava uma certa reação esnobe: “é uma coisa que não me preocupa! Fiz o certo para meus filhos, se me procurarem, tudo bem!” (Na verdade, com o ouvido atento à campainha da porta, para ver se afinal chegavam os filhos.)
      Ser pai (assim como ser mãe) é a experiência mais séria na vida de alguém e seria muito bom que todos refletissem muito, antes de acionar o mecanismo (hoje com tantas possibilidades de abstenção ou controle) que lança no mundo uma nova geração.
      Assim é que este Dia dos Pais que se comemora com tantos anúncios e ofertas públicas de legítimas “barbadas”, facilitações inacreditáveis e produtos inesquecíveis, poderia ser um dia, mais para reflexões e exames de consciência. Não quero estragar o domingo de ninguém, aliás, já estragadinho por toda uma semana de escândalos e CPIs, empreguismo e oportunismo político. Sem falar no Senado, cuja imagem está hoje abaixo da cauda do cachorro.

A QUEM INTERESSARÁ A TAL PANDEMIA?

domingo, 2 de agosto de 2009

crônica publicada neste dia 2 de agosto no jornal ABC DOMINGO

TAMIFLU COM NEUROSE

 

Walter Galvani

 

 

Provavelmente ainda não entrou no seu vocabulário habitual, a expressão “Fosfato de Oseltamivir”. Você não perde por esperar. Em breve, muito em breve, fará parte do seu dia a dia, nem que seja disfarçado sob o nome de “Tamiflu”, uma denominação assim, meio asiática, tipo “tsumani”, que é fácil de guardar nos níveis mais acessíveis da memória rápida (pessoal ou do seu auxiliar, o computador) para ser chamado em socorro imediato. É a nova etapa da neurose mundial, desfechada pela hiper-divulgação na “mídia” (o título erradamente traduzido, de “meios eletrônicos de comunicação”) do remédio para combater a Gripe A1H1,  conhecida inicialmente como “Gripe suína”, sem que os pobres porcos tivessem dado qualquer contribuição.

Continuo é claro, comendo carne de porco. Que, bem feita, cozida como deve ser e com um bom molho, é coisa boa. Com este frio, receita ideal para ser acompanhada por um bom vinho e o complemento de um “purée” de batatas.

Mas, confesso que “Fosfato de Oseltamivir” não estava nas minhas contas… É o que estão receitando, sob a denominação popular de “Tamiflu”, para combater a tal gripe, da qual, cansam de dizer os responsáveis pela saúde pública, que é menos letal que a gripe comum. No mais, lavar-se, usar lenço quando se espirra, servir-se de uma alimentação balanceada, muitas frutas e verduras, tudo isso é mais lógico do que usar máscaras de proteção individual, o que já está virando folclore e até disfarce de assaltante.

Quando a gente pensa que já viu tudo, descobre que é possível sim, transformar uma epidemia numa pandemia e um remédio, salvação mundial. Pena que não existe uma forma de transformar um livro, um jornal, em leitura indispensável, porque, nesse caso,  seria fácil encomendar aos talentos da publicidade, algo tão efetivo como… “Tamiflu”, por exemplo.

De minha parte, além de me alimentar bem, lavar-me com precisão profilática e tomar umas duas taças de vinho por dia, ler um bom livro. Não deixem de ler, por exemplo, o “Leite derramado”, do Chico Buarque e “A viagem do elefante”, de José Saramago. Nenhum deles é produzido pelos laboratórios Roche ou Sanval, Multilab ou Rodriguex, mas podem ser obtidos nas boas casas do ramo. Nem precisa mandar vir dos Estados Unidos, como é o caso do “Tamiflu”. Para pagar em três vezes.