crônica publicada neste dia 2 de agosto no jornal ABC DOMINGO
TAMIFLU COM NEUROSE
Walter Galvani
Provavelmente ainda não entrou no seu vocabulário habitual, a expressão “Fosfato de Oseltamivir”. Você não perde por esperar. Em breve, muito em breve, fará parte do seu dia a dia, nem que seja disfarçado sob o nome de “Tamiflu”, uma denominação assim, meio asiática, tipo “tsumani”, que é fácil de guardar nos níveis mais acessíveis da memória rápida (pessoal ou do seu auxiliar, o computador) para ser chamado em socorro imediato. É a nova etapa da neurose mundial, desfechada pela hiper-divulgação na “mídia” (o título erradamente traduzido, de “meios eletrônicos de comunicação”) do remédio para combater a Gripe A1H1, conhecida inicialmente como “Gripe suína”, sem que os pobres porcos tivessem dado qualquer contribuição.
Continuo é claro, comendo carne de porco. Que, bem feita, cozida como deve ser e com um bom molho, é coisa boa. Com este frio, receita ideal para ser acompanhada por um bom vinho e o complemento de um “purée” de batatas.
Mas, confesso que “Fosfato de Oseltamivir” não estava nas minhas contas… É o que estão receitando, sob a denominação popular de “Tamiflu”, para combater a tal gripe, da qual, cansam de dizer os responsáveis pela saúde pública, que é menos letal que a gripe comum. No mais, lavar-se, usar lenço quando se espirra, servir-se de uma alimentação balanceada, muitas frutas e verduras, tudo isso é mais lógico do que usar máscaras de proteção individual, o que já está virando folclore e até disfarce de assaltante.
Quando a gente pensa que já viu tudo, descobre que é possível sim, transformar uma epidemia numa pandemia e um remédio, salvação mundial. Pena que não existe uma forma de transformar um livro, um jornal, em leitura indispensável, porque, nesse caso, seria fácil encomendar aos talentos da publicidade, algo tão efetivo como… “Tamiflu”, por exemplo.
De minha parte, além de me alimentar bem, lavar-me com precisão profilática e tomar umas duas taças de vinho por dia, ler um bom livro. Não deixem de ler, por exemplo, o “Leite derramado”, do Chico Buarque e “A viagem do elefante”, de José Saramago. Nenhum deles é produzido pelos laboratórios Roche ou Sanval, Multilab ou Rodriguex, mas podem ser obtidos nas boas casas do ramo. Nem precisa mandar vir dos Estados Unidos, como é o caso do “Tamiflu”. Para pagar em três vezes.
Querido professor! ótimo texto para reflexão, como sempre! E obrigada pelas dicas de leitura. abraço
In truth, immediately i didn’t understand the essence. But after re-reading all at once became clear.
Valuable thoughts and advices. I read your topic with great interest.
Thanks.what a lengthy and in depth article but full of useful information