Crônica publicada no ABC DOMINGO
GRIPE, ESTRADAS, ANIMAIS
Walter Galvani
Para onde você se virar, defronta-se com estes três temas, aqui e em todo o Brasil, mas ainda mais especialmente no Rio Grande. Yeda parece ter dado um “golpe de mestre” (no bom sentido naturalmente), ainda não deu para avaliar completamente (tanto que o próprio governo federal emitiu uma nota dizendo que o assunto está sendo “avaliado”), com a devolução dos desgastantes pedágios, pois nossas estradas estão em estado cada vez mais deplorável, e ainda mais ficarão.
A famigerada Gripe A1H1 continua fazendo vítimas e a última, e mais gravemente atingida foi a Informação, começando também pelo Ministério da Saúde e suas correspondentes estaduais. Já ninguém mais sabe o que dizer, o que é certo é que os pacientes que tenham algum tipo de problema na área respiratória são os alvos prediletos. E as crianças também, que não desenvolveram ainda anticorpos.
Só não se conta para ninguém que a tal “gripe suína” começou numa granja mexicana que havia sido expulsa dos Estados Unidos por sujeira, sujeira real e não virtual, por danos ao meio ambiente. E lá um menino contraiu o vírus que se espalhou pelo mundo. Como se sabe com maior incidência no próprio México e ali do lado, nos Estados Unidos.
Então os suínos não virão à Expointer para não… contaminar os humanos! Pode? É o que acontece aqui, na nossa cara, em Esteio, no Parque de Exposições Assis Brasil. Ah, e tem também a gripe A chegando agora aos perús… Crescem os problemas e as neuroses também. Já se sabe que em Esteio não há exposição de perús. Ainda bem. Então, as estradas, a gripe, os animais, todos atingidos, fazem, em verdade, sua primeira vítima, como em qualquer guerra: a informação é a primeira a morrer. Sem falar na baixa dos sem-terra em São Gabriel.
No meio desta confusão, são leitores, ouvintes e telespectadores, “webmaníacos” e “internéticos” de um modo geral, são os que, nesta chamada “era da informação” as vítimas potenciais, virtuais e reais do jogo de interesses, ignorância e má fé que andam e desandam pelo país e pelo mundo.
“Mais que nunca é preciso cantar”, como diria Vinícius, mas em verdade é preciso aprender a ler. Ou reaprender, conforme o caso, para perceber nas entrelinhas, na fisionomia dos apresentadores ou nas flexões verbais, onde mora a verdade. Se isso for possível.
No ponto em que estamos é preciso tomar cuidado para nunca espirrar num restaurante. Podem evacuar o prédio. Acho até prudente não levar os porcos para Esteio. Por questões de saúde dos motoristas de caminhão.
Imagina o homem, lá, feliz, abastecendo seu caminhão carregado de porquinhos num posto de combustíveis e alguém espirra por perto. O coitado certamente seria linchado.