Arquivo de setembro de 2009

APROVEITAR MELHOR O TEMPO

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

SELEÇÃO PESSOAL

 

Walter Galvani

 

 

A coisa mais preciosa que temos é o tempo e só a nós mesmos cabe a tarefa de administrá-lo. Se este bem valioso, inigualável, for desperdiçado, a culpa não cabe aos governos, aos políticos, a ninguém mais. Quando acabamos de amadurecer – se é que algum dia concluiremos esta angustiante tarefa em nossas vidas! – precisamos tomar decisões que encaminham a real utilização dos minutos em nosso proveito, seja isso visto diretamente ou através dos benefícios que nos tocam ao cuidarmos de terceiros, nossos parentes, amigos, filhos, netos, pais e mães, primos e animais de estimação e os iguais pelo gênero humano,  com os quais vamos fazendo esta travessia. E, portanto, hesitar entre ler, ouvir e ver uma tragédia em nossas estradas, nas ruas de Honduras ou nos Emirados Árabes Unidos, escutar nossos políticos ou folhear uma revista, ler um livro ou assistir a um filme, ver televisão ou dormir ouvindo música, postam-se as opções que precisamos, a cada momento adotar. Depois que o tempo passar, os anos voarem e com os cabelos encanecidos e os membros entorpecidos estivermos placidamente adormecidos nos braços do Alzheimer, será tarde demais.

Por isso, a seleção pessoal é uma questão contínua de maturidade, civilidade e inteligência. Todos os nossos sentidos precisam estar constantemente alertas para estas decisões que implicarão na melhor utilização do tempo que corre. Fugir à elas é adiar o próprio desfrute da vida. Se os chamados “mídia” (apropriação incorreta da versão do latim para o inglês de um termo expressivo), se os “meios de comunicação de massa” trabalham em cima de percentuais de leitura, visão, audição, simplificando seu pacote de oferecimentos por um nivelamento por baixo, precisamos saber escolher. Temos que ser seletivos no tipo de veículo, no horário, no conteúdo e na forma, e aprender a criticar, rejeitar, aceitar e analisar ou descartar a mensagem.

Somos donos do tempo. O que significa, mais do que nunca, não desperdiçá-lo. Assim, se o Senado dispensa funcionários, se assaltantes fazem sequestros ou acidentes mostram a falta de fiscalização ou má qualidade das estradas, é bom saber de tudo, mas não devemos nos empanturrar com certas inutilidades.

SELECIONANDO O PRÓPRIO TEMPO

sábado, 26 de setembro de 2009

 

 

Crônica publicada neste final de semana no jornal Diário Popular de Pelotas

 

AGARRE SEU TEMPO

 

Walter Galvani

 

Cada um sabe de si, se diz a todo o momento hoje em dia, mas minhas barbas brancas determinam que eu me comporte como os vetustos antepassados que tivemos: se puder, transmita um pouco do que aprendeu, se é que aprendeu, para os demais. “Ninguém vai lhe dar ouvidos”, alguém lhe dirá, mas, mesmo assim, acho que vale a pena. Portanto, não desperdice os preciosos minutos que a vida lhe dá. É o meu, digamos, conselho. Se tivesse que escrever um texto desses que denominam de “auto-ajuda”, faria isso. Talvez ninguém o lesse, ou, quem sabe, por muita sorte um ou dois. Mas, considero como minha responsabilidade tentar esta semeadura. Quem sabe lá o que vem pela frente.

Há um avanço inexorável, ao que parece, da ignorância e da promiscua relação entre a miséria e a ganância, a cobiça, o desprezo, o orgulho e a insensibilidade, todos morando juntos no mesmo coração, produzindo um creme lamentável que faz o dia a dia de muita gente neste mundo.

E então, por seleção de quem só pensa em vender mais, ganhar mais dinheiro, conquistar a atenção de mais pessoas, nos presenteiam com o cortejo das desgraças, todos os dias, por todos os meios, em todos os horários e em todas as linguagens.

Pois então, decida você mesmo: selecione o que lhe pode ser útil, faça suas escolhas, tome suas decisões, poupe seu tempo, aplique os valiosos dias a favor de quem merece mais. Leia, assista, escute só o que pode ser útil ou agradável. Não ouça, não compre, não ligue o que não presta.

NO MEIO DO LIXO, OS LIVROS…

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Crônica publicada no jornal ABC DOMINGO

no dia 6 de setembro de 2009

O AMOR AOS LIVROS

 

Walter Galvani

 

 

A expressão “amor aos livros” desgastou-se com o tempo, agora que as pessoas foram vendo reduzirem-se seus espaços e as prioridades de uma vida de correrias, e se acabaram os longos momentos quase lúdicos de leitura e contemplação. Assim, nas grandes e nas pequenas cidades, nas capitais como Porto Alegre ou Londres, ou até em bairros e vilas, os apartamentos, solução multiplicada para milhões como única saída econômica. Mais de 60 metros quadrados é luxo e isso para dividir por quartos, sala, cozinha, banheiro e uma minúscula área de serviço para colocar o botijão de gás. Garagem? Impensável para a maioria, a não ser no Japão, onde é proibido comprar um automóvel se você não demonstrar que tem onde abrigá-lo, fora das ruas.

Mas um dos aspectos mais surpreendentes desta mudança de mentalidade foi o desprezo pelos livros, pois não é considerada prioritária nem uma modesta estante nas paredes da sala, reservando-se o local de destaque no altar doméstico, isso sim, para o aparelho de televisão, alguns de tal imensidão que parecem maiores do que a casa toda… O ritmo que agora domina o pensamento e as ações das pessoas, passou a ser fornecido pelos meios eletrônicos, misturando trechos de ação com a publicidade, daqui a pouco a chamada para alguma notícia que a insensibilidade escolheu como “a melhor” e apenas se refere a mais uma ação de criminosos ou um acidente espetacular, a morte de alguém ou o novo escândalo de corrupção.

E os livros ganharam o caminho do lixo… Não são poucos os garis, que demonstrando mais sensibilidade que a maioria dos políticos e administradores em suas manifestações públicas, formaram verdadeiras bibliotecas públicas com os volumes salvos dos detritos.

Mas agora vejo que em Caxias, uma das maiores aglomerações urbanas do estado, foi a própria Companhia de Desenvolvimento da Cidade (Codeca) responsável pela coleta do lixo orgânico e reciclável que decidiu criar uma biblioteca e um museu com o material retirado das ruas. Foi um varredor, cujo nome precisa ser preservado, Wolney Luiz dos Santos, que sugeriu melhor aproveitamento para livros e objetos dignos que surgiam todos os dias em meio aos detritos. É preciso que se registre seu nome para que seu exemplo frutifique.