O BURRO DO PADRE

 

 

Crônica para o jornal DIÁRIO POPULAR, de Pelotas

 

por Walter Galvani

 

Antigamente, muito antigamente, quando as pequenas comunidades do interior nasciam e existiam graças à comunidade católica, lideradas pelo vigário que era mais ou menos juiz, advogado, portavoz e intermediário ante o prefeito (nomeado) e também conselheiro e arauto das novidades importantes, o burro era o automóvel, às vezes único e importante e ainda mais decisivo em doenças terminais. Mas, isso foi muito antigamente quando o burro do padre era o que havia de mais rápido naquelas pequenas comunidades que depois se transformaram em vilas, cidades e pólos regionais.

Hoje tem a televisão, o rádio, a internet, o blog, o twitter e nem sei mais lá o quê, pois todos os dias aporta uma novidade que vai mudar e muda mesmo a vida das comunidades. O burrico do padre ficou na saudade.

E então, o costume de dar uma escapada, fazer feriado ou feriadão, fugir do massacre do dia-a-dia, nem existia. Hoje faz parte. Não há quem não aproveite greve dos bancários, feriado nacional, Dia da Criança, fim-de-semana, Dia do Professor, Dia do município e nem sei mais lá o quê, tudo emendado, para garantir-se umas miniférias e fugir para a praia ou para a serra ou lá para o fundão do interior em busca do… padre e seu burrico saudoso.

Até conheço gente que começa o ano de olho no calendário para planejar suas escapadas e vai lutando semana por semana para ir concretizando-as e assim vencer a luta contra o ferro do trabalho e dos compromissos.

Psicólogos, psiquiatras, médicos, pais-de-santo, bruxas, adivinhos, uni-vos! Parece que em plena era do cientificismo, da modernidade e do objetivismo, ainda não se resolveu o conflito maior, aquele entre o homem e seus sonhos. Boas miniférias…

..

Deixe um comentário