DÓLAR CARO OU CARO DÓLAR?…

 

Crônica publicada hoje no jornal ABC DOMINGO, o grande veículo dominical do Grupo Editorial Sinos

 

VALORIZAÇÃO VERSUS DESVALORIZAÇÃO

 

Walter Galvani

 

Realmente, para o pequeno, para o trabalhador que não faz mais do que ir ao supermercado cuidadosamente, dar um “chego” diário na padaria, pagar o ônibus e algum telefonema, fica difícil entender o que significa toda esta luta dentro e fora do governo, para prorrogar ou não o fim do IPI, pagar a restituição do IR e até entender bem estas siglas. Mas, para a imensa e crescente classe média brasileira, tudo isso é perfeitamente inteligível e ainda mais, a história da valorização do Real diante de outras moedas e os benefícios e malefícios que isto traz. Quer dizer… inteligível em parte. Agora mesmo começa a se ouvir um murmúrio de protesto que poderá se transformar em grita geral, dos setores brasileiros beneficiados pelo turismo, como, por exemplo, Bahia, Norte e Nordeste, Rio de Janeiro em parte e Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Costumamos receber de braços abertos ondas e ondas de “hermanos” argentinos e uruguaios que adentram nossas fronteiras para passar as férias de verão. Somos capazes até de torcer por Maradona em certos momentos, desde que não seja na hora do confronto direto com o Brasil. Futebol aparte, queremos a presença dos nossos vizinhos, pois eles nos deixam uma farta contribuição em dólares (e pesos…) que ajudam a irrigar a economia de regiões normalmente asfixiadas pelos nossos hábitos e costumes. O verão é uma bênção anual que às vezes chega bem cedo, pode começar até em outubro e se prolonga até à Páscoa, quando é sempre benvinda a “ola” de uruguaios que comemoram a sua “Semana del Turismo” invadindo pacificamente a nossa província e arredores.

Desvalorização do Real perante estas “moneditas” vizinhas é, portanto, uma salutar aspiração regional. Agora, se isso prejudica o plano nacional de fortalecimento de imagem, se importações são favorecidas e exportações prejudicadas, como é que isso nos aquece ou nos abala, fica para os “entendidos”. Já o povão fica satisfeito com a entrada de viaturas com “tarjeta” estrangeira, pois sabe que na guaiaca dos visitantes vem, na certa, muitas e interessantes pelegas que ficam nos restaurantes, postos de gasolina, pedágio, hotéis, bares e na compra de “recuerdos” artesanais ou produzidos em massa. Assim, divididos, vamos para mais um verão.

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