No Rio Grande do Sul, ela é
A MÃE DAS FEIRAS
Crônica publicada hoje no jornal ABC DOMINGO
por
Walter Galvani
É mais do que conhecido que este período se caracteriza pela etapa decisiva dos campeonatos de futebol no Brasil e pelas feiras de livros, em suas principais cidades. É a primavera e depois, o inexorável verão, que começa poucos dias antes do Natal. Então, é a corrida de final de ano. O segundo semestre, por isso mesmo, é um período de euforia e muita circulação de capital. Depois vem a safra seca, total, das férias, quando todos vão para o Litoral. Todos é um eufemismo superado. Antigamente era assim. Agora, não vai mais ninguém… na prática, ou por outra, vão muitos, mas as famílias inteiras que para lá se deslocavam, diminuíram muito seu número. Na capital, começou na sexta a 55ª. Edição da Feira do Livro, uma atividade com mais de meio século e que traduz para nossos costumes, o hábito de Lisboa, a antiga capital do império, onde já se vai quase na 80ª. edição. Isso mesmo, em maio acabou a 79ª.
Foi de lá que se trouxe a idéia para o Brasil e do Rio, transplantou-se para Porto Alegre, por obra e graça do jornalista e vereador Say Marques. Aqui logo se incorporaram livreiros locais, os Bertaso é claro, o Maurício Rozemblatt e o livreiro e jornalista Ruy Diniz Netto. Tudo isso, no século passado.
Logo Rio Grande e Pelotas seguiram Porto Alegre e, mais adiante, Santa Maria, Novo Hamburgo, São Leopoldo, Canoas e assim por diante.
No começo só se vendiam livros e nem patrono havia. Tudo isso veio num crescente melhoramento, a cada ano, e agora, quando chega o final de outubro e início de novembro, todo o Rio Grande fica grudado na capital, para saber como a criatividade da Câmara do Livro levou adiante a grande idéia da Feira entre os jacarandás da Praça da Alfândega.
Porto-alegrenses de um modo geral e gaúchos de um modo geral, marcam encontro na praça onde nasceu a cidade de Porto Alegre: “Te encontro na Feira”, dizem e assim, ano após ano, vão se renovando os contatos e se afirmando as novas gerações.
Este ano, então a “mãe de todas as feiras” achou por bem escolher um patrono, o escritor Carlos Urbim que escreve para as crianças. O que se quer é que todos, desde pequenos, leiam. Cada vez mais. Isso é o que faz a grandeza do Rio Grande. A sabedoria está nos livros. No objeto mais avançado e insubstituível de tecnologia inigualável, inventem o que quiserem: Sua Majestade, o Livro!