Crônica no ABC DOMINGO de 15 de novembro de 2009
MINISSAIA, APAGÃO E PARIS
Walter Galvani
Lula está em Paris, longe dos “apagões” e, se for inquirido, responderá que busca “um pouco de luz na Cidade-Luz” para que ela não falte na inauguração das Olimpíadas, como insinuaram os americanos, ou na Copa do Mundo, como na certa lhe jogarão em rosto, perguntando se “jogando no escuro” espera ganhar dos adversários tradicionais. O presidente explicará que não “chuta” uma resposta, mas que provavelmente o clima é o culpado, mas não encontrará culpados da perseguição selvagem à uma garota de minissaia numa universidade do estado que se diz o mais adiantado do país, o que não significa “civilizado”. E nem estamos a salvo no “educado e progressista” Rio Grande, onde os machistas perseguiram pelas ruas de Porto Alegre, as duas primeiras mocinhas que se atreveram a aparecer com minissaias na Rua da Praia por volta dos anos setenta. Isso, lógico, muito depois de Mary Quant sacudir a imperial e imperialista Londres com a invenção que divide com Courréges, mas que ela mesma diz que “nasceu nas ruas”.
“Aluno da Uniban não é taleban” defendeu o vice-reitor Ellis Brown, mas não admitiu que deveriam ser expulsos os trogloditas que perseguiram Geisy, a aluna de minissaia, que, ao contrário, foi punida com expulsão, ato de que a tal universidade se arrependeu, voltou atrás mas ainda não a indenizou pelos prejuízos à imagem e à sua saúde psíquica.
Já quem teve aparelho eletrodoméstico ou industrial pifado pelo “apagão” que, segundo os especialistas do gênero demonstra que o país pode ficar um campo de experimentos tipo “Jurassic Park” a qualquer momento, entrará na Justiça e levará, constituindo-se na grande notícia e no anticabo eleitoral da Dilma Roussef.
Aproveitando a onda, tem gente que defende o fim do livro em papel e o surgimento do “e-book” como a solução, a queima de arquivos e a sua transformação em memória de computador, até o dia em que os dinossauros se soltarem do passado e provarem que a luz elétrica, gerada em Itaipu ou no banhado da esquina, pode, a qualquer momento provar a incapacidade e a incompetência dos gestores. Prefiro continuar tirando cópias e lendo livro em papiro, copiado a mão ou impresso.