RIO GRANDE DO SUL, O TEMPO E O VENTO

Crônica publicada neste 29 de novembro no Diário Popular, de Pelotas

O TEMPO E O VENTO

 Walter Galvani 

Não foi por acaso que Erico Veríssimo, até aqui o maior e indiscutível romancista da história do Rio Grande do Sul, denominou a sua grande epopéia, como “O Tempo e o Vento”. Foi assim mesmo e todos os que o leram, sabem o quanto sintetizava ele neste título marcante, o que se passa na vida dos gaúchos e o que se passou ao longo dos seus pouco mais de trezentos anos de história conhecida. Trezentos se desconsiderarmos os séculos anteriores, por deles não haver restado memória escrita, mas apenas alguns samburás e lendas, elementos pois indicativos do que se passou aqui neste lado do Atlântico.

Nossa matriz é a Europa, mais ainda é Grécia e Roma, e as tribos célticas que com os iberos formaram a península ibérica e o povo que inicialmente se classificava como os “celtiberos”. De lá vieram portugueses e espanhois, açorianos e depois o restante dos colonizadores. De lá para cá um lento mas permanente relacionamento de miscigenação de povos europeus com silvícolas, junto com africanos, chegou-se ao brasileiro de hoje, tanto quanto no lado espanhol, argentinos, uruguaios, paraguaios, etc, e tal.

Mas, ao longo destes séculos todos, a presença mais permanente sempre foi o Tempo, com suas duras variações e o Vento, com sua força por vezes inimaginada ou a chuva, os temporais, as inundações que nenhum muro poderá conter, o granizo, e o limite do mar.

Se este tempinho dos últimos dias já deu para contabilizar 3,5 bilhões em prejuízos, calcule-se isso, ao longo dos tempos. É o preço dos ventos. Só agora se procura meios para tornar alguma parcela deles como produtivos de energia e isso merece nosso aplauso e nossa atenção. Pena que não se tenha feito isso antes, a não ser nas modestas iniciativas dos açorianos com suas azenhas, seus moinhos ancestrais.

Assim foi e assim tem sido. Nem Tupã, nem Jeová, nem Deus dos cristãos, ninguém explica isso, mas apenas relembra a força daquela idéia central do Erico. Leia-se e releia-se “O Tempo e o Vento”, ali está toda a nossa história e a sua explicação. Para tudo. Menos para a poluição e o desmatamento, responsáveis diretos pela crise atual.

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