Crônica publicada neste dia 6 de dezembro no jornal
ABC DOMINGO
UM PAÍS MUITO RICO
Walter Galvani
Pela pregação contínua do cristianismo, qualquer que seja a versão que sigamos, do catolicismo às igrejas modernas de confissão evangélica, passando pelas luteranas, calvinistas, enfim, oriundas de todos os quadrantes europeus e que nos foram trazidas pelos imigrantes, formadores da maioria absoluta da população brasileira, o Natal é a festa máxima brasileira. Disso ninguém duvida. Os valores espirituais, culturais, pregados pelo cristianismo, lembrando a figura de Jesus Cristo, sua “passagem pela terra”, procuram transmitir o que ficou assinalado na doutrina retratada nos evangelhos: amor ao próximo, perdão aos que nos ofenderam, e mais alguns dogmas, discutidos ou não ao longo dos tempos, e que o caracterizam.
Natal o que é e o que deveria ser? Para essa imensa maioria da população, portanto, o culto das virtudes máximas apontadas em Jesus: humildade, generosidade, modéstia, pobreza, divisão de todos os bens materiais para que ninguém sofra com sua falta.
Jesus, um comunista? Sim, um comunista ideal como nunca houve. As tentativas políticas de comunismo, todos sabemos no que deu… Voltemos ao Natal cristão. Festa máxima, portanto, comemorando o nascimento de Jesus, marcada para o dia 25 de dezembro, consagrada pelo tempo, (embora críticos digam que houve um engano histórico na contagem dos dias, mas isso é irrelevante.)
Os homens festejam pois o nascimento do “filho de Deus”. Com toda a pompa e circunstância, gastando o que tem e o que não tem. Nem vamos falar hoje na corrida consumista dos presentes. Fale-se nos 126 milhões por uma árvore de Natal na “Ponte Estaiada Otávio Frias” em São Paulo, na árvore de Florianópolis de 3.700.000,00 ou no cachê (a idéia é ótima, mas o preço é altíssimo) de Andréa Bocelli cantando para o povo na capital catarinense. Lá, aqui, qualquer ponto do país, gastando fortunas por dez dias. Todos devastados pelos últimos furacões (que não serão os últimos pois passamos anos e anos derrubando matas) ou pelas inundações, que também não serão as últimas. Este é um país rico, que não quer, em verdade saber de nada, só carregar dinheiro nas meias e cuecas e roubando e assaltando por toda a parte. Viva Jesus! Viva o Natal!
“Pai, perdoai-os porque não sabem o que fazem…”