HAITÍ, HAITÍ, HAITÍ

Crônica publicada neste domingo, 17 de janeiro, no jornal ABC DOMINGO, o órgão de circulação dominical do Grupo Editorial Sinos

 

Walter Galvani

 

Haití (nas mãos de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro…) 

Ou Quisqueya, como era conhecida pelos nativos arauaques e caraíbas, hoje completamente desaparecidos, talvez com alguns traços genéticos entre os descendentes de escravos que formaram a maioria maciça da população, enquanto o Haiti era administrado, desde 1492, por espanhóis ou franceses (1697). Café, cacau e açúcar fizeram a prosperidade relativa do século XVIII, quando proclamou-se sua independência (1803) ou dependência como veio acontecendo até agora. Este é o Haiti, e além de lembrar aos brasileiros o bom café por causa da marca que se celebrizou por aqui (“tá fazendo na cozinha, tá cheirando aqui!”), está na presença de todos porque o Brasil comanda o “Minustah” desde 2004, batalhão de estabilização da ONU e agora vai liderar o socorro por causa do terremoto ocorrido esta semana. Este é o destino da ilha “Hispaniola” como a batizou Colombo quando lá chegou a 5 de dezembro de 1492, quando ele se confundiu e pensou que tinha aportado na Índia ou próximo dela….

Não é por nada que os católicos, que hoje constituem a maioria da população lá chegaram, deram à ilha como padroeira, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro… É isso mesmo o que necessitam os haitianos, porque depois da rápida prosperidade econômica de colônia francesa, quando viviam da exportação do café e outros produtos primários, só tem passado por cataclismos políticos, econômicos, sociais e geológicos. Já vivera, tudo, inclusive a ditadura de François Duvalier, que foi sucedido pelo seu filho Baby Doc,  que tinham na guarda-pessoal dos Tonton Macoutes, a segurança na violência.

Pode-se dizer que não tem tido sorte o Haiti (assim como outras ex-colônias dos europeus, fossem eles franceses, ingleses, espanhóis ou portugueses, os grandes conquistadores dos séculos XV, XVI e XVII e XVIII, apenas substituídos ou sucedidos pelos americanos nos anos subsequentes.

O terremoto é tudo e não é nada comparado com os cinco séculos de exploração que a pequena ilha sofreu, mas os brasileiros tem mais do que obrigação de continuar exercendo sua influência e semeando a esperança de que um dia aquele país também se emancipe dos seus colonizadores e se liberte da exploração internacional, o que é mais difícil, mas deve ser um objetivo a ser perseguido.

Deixe um comentário