HAITÍ

VIVENDO ENTRE FURACÕES

E TERREMOTOS

(Crônica publicada no jornal “Diário Popular”, de Pelotas, o diário mais antigo em circulação no Rio Grande do Sul e um dos mais antigos do Brasil (sem interrupções ao longo de quase 120 anos)

 

Walter Galvani

 

 

A história do Haiti é longa e curta ao mesmo tempo. Afirma-se que data de 7.000 anos a presença de silvícolas, provavelmente oriundos do continente americano,  tribos anauaques ou caraíbas. O nome original do país, encontrado por Cristóvão Colombo em 5 de dezembro de 1492, é Quisqueya, mas os cataclismos políticos, econômicos e geológicos sempre foram uma constante na vida da pequena ilha que ele batizou inicialmente como “Hispaniola”, e que passou pelo domínio dos espanhóis, franceses e mais tarde americanos. No meio disso, viu-se fustigada por tsunamis naturais e importados, políticos, econômicos e geológicos como o terremoto de 7 graus na escala Richter, da semana que passou.

No meio desta trajetória teve até o Papa Doc, um ditador terrível sucedido pelo seu filho Baby Doc, que mantinham o poder apoiado na truculência da guarda pessoal dos “Tonton Macoutes”. Mas, é importante pesquisar para ver como os nativos originais encontrados pela esquadra de Colombo, foram sendo substituídos pela mão-de-obra escrava trazida da África e que redundou no povo “crioulo” que hoje habita em maioria a pequena ilha, aliás chegando a 8 milhões e poucos mais.

O Brasil está muito presente lá integrando o contingente da ONU, que mantém o seu batalhão denominado “”Minustah” e automaticamente tornou-se o principal organizador da defesa civil depois do terremoto, onde afinal perdeu uma boa parte dos seus representantes, inclusive nomes como a indigenista e missionária Zilah Arns e tantos gaúchos que levaram sua colaboração e seu apoio como soldados da Paz.

Pode-se dizer que nestes seus duzentos anos de independência (desde 1803) e pouco mais de quinhentos de convivência com o mundo coordenado e comandado pelos europeus e seus descendentes, o Haiti nunca foi mais nem menos do que uma colônia explorada. Há uma pequena elite intelectual que emigra obrigatoriamente para os países de língua francesa, (a segunda mais falada no país, 10% da população) e, como em todos os lugares, um grupo que cresceu à sombra da corrupção e das alianças com os conquistadores e ocupantes.

Por tudo isso, pelas semelhanças e diferenças, o Brasil tem a obrigação de liderar o apoio ao país que, aliás, tem como padroeira dos católicos (60% deles), Nossa Senhora do Perpétuo Socorro…

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