DO FUNDO DA INTERNET (E DO BAÚ)

 

Crônica publicada no jornal Diário Popular, de Pelotas, diário mais antigo em circulação no estado do Rio Grande do Sul

 

Walter Galvani

 

 

Quando a Internet dava seus primeiros arrancos e surgiu o milagroso “e-mail” e os primeiros “sites” – isso por volta de 1995/96 – apareceu desde Guebvillier, que fica na Alsácia, nordeste da França, próximo a Strasbourg, um correspondente que me deu muita satisfação. Trocamos bem humorados mails, nos quais ele dizia sempre ter pensado que ele era “o único Walter Galvani da face da terra” e eu lhe respondia no mesmo teor. Também me achava o único. Durante um bom tempo mantivemos correspondência eletrônica, mas depois a relação foi se afrouxando, passei algum tempo lutando pela vida num hospital da capital, depois reencetei minha carreira e minha atividade e por aí me perdi do meu homônimo e já um querido amigo. Eu já havia até levantado a hipótese de que o Walter Galvani francês, mas de ascendência italiana como eu, viesse ao Brasil. Acompanhei o crescimento da sua família e sua atividade de professor. Depois disso nos perdemos. Mas nos achamos. Graças ao Facebook, esta nova “rede social” ressurgiu em minha tela eletrônica o meu amigo e homônimo, Walter Galvani.

Com que satisfação, vi a mensagem perguntando se eu gostaria de fazer parte do seu rol de amizades. Claro que sim, fui logo respondendo e neste final de semana recebi a resposta direta dele: “A quei tempi facebook non c’era ancora! Sono felice di ritrovarti dopo tanti anni!! E assinou: Walter Galvani, “the french one”. Hoje sei que ele é um “guebvillerois”, um dos 11.525 habitantes da bela cidade. Feliz.

É assim mesmo, através dos serviços do Facebook que estão instalados em Palo Alto na Califórnia retomo minha ligação com o Walter Galvani francês que mora lá pertinho da Alemanha, no nordeste da França. E eu aqui, em Guaíba e Porto Alegre, escrevendo agora para um glorioso jornal de Pelotas, a capital da zona sul do Rio Grande, o mais antigo diário em circulação no estado.

E assim como ele demonstra felicidade em me reencontrar depois de tantos anos, como escreveu, também eu vibrei com o reencontro. Quer dizer, são os milagres fantásticos da tecnologia e da boa vontade entre os povos e as pessoas. Porque não fazermos um gesto desses em relação ao Haití? Como disse eu no programa com o Armando Burd, na rádio Bandeirantes de Porto Alegre, se eu fosse presidente da república abriria as portas para todos os haitianos que quisessem se abrigar e trabalhar no Brasil.

Em 24 de janeiro de 2010

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