NO MEIO DO FERIADÃO, RESPIRE UM POUCO

Crônica publicada neste domingo, 31, último dia de janeiro de 2010, no jornal ABC DOMINGO 

Pois é, não é? Voou o primeiro mês de 2010 e amanhã começaremos o segundo, cheio de feriadões e Carnaval. Logo março aí estará. E então, quem pensava que poderia seguir aquecendo os motores para a decolagem do ano, já vai se defrontar com a necessidade de correr para não perder o trem… Aliás, teremos muitas correrias, e Lula que o diga, é preciso aproveitar estes momentos que ainda nos restam para fazer uma pausa para respiração. Tomar um pouco de ar. Não custa nada e traz muitos benefícios. Os médicos que mandaram o presidente “baixar a bola”, sabem das coisas… Correr de um compromisso para outro, como numa espécie de ralí Paris-Dakar é muito bonito, divertido, mas é estressante e derruba qualquer um. E este será um ano de eleições, além dos compromissos normais do nosso dia-a-dia, de recuperação plena (ou mergulho no fosso) da economia, de restauração do que a Natureza revoltada anda derrubando, de fiscalização de estradas, edifícios e pontes.

Nos tempos que correm, sempre que entro numa ponte em nosso estado, seguro a respiração na expectativa de que não seja para mim, que não sei nadar e ando em carro eletrônico, cujas portas, já sei, se bloqueiam automaticamente, que esteja reservada a queda de uma delas. Não me chamem de psicopata, nem de agourento. E se não caírem as pontes, se as águas não levarem os aterros das estradas, ainda corremos o risco de levar uma batida de algum desses malucos que trafegam como se tivessem que chegar a tempo de retirar seu pai da forca ou pegar a mulher nos braços do amante, que buzinam atrás de nosso carro, quando ousamos trafegar dentro dos limites de velocidade impostos pela fiscalização do trânsito. Esses não chegarão à nada e nem ao fim de 2010, mas o que me preocupa é que podem arrastar os outros com a sua loucura…

Enquanto isso vamos praticando como “aprendizes de feiticeiro” ou de Homero, como o quer Nélida Piñon, a brasileira de nome espanhol que acaba de ganhar com seu livro, justamente denominado “Aprendiz de Homero”, o prêmio “Casa de Las Américas” deste ano. Aí está uma boa receita de leitura para o feriadão, ou vá ao cinema assistir ao musical “Nine” (e você tem mais de nove razões para fazê-lo) ou “Invictus” que legaliza a bola do Nelson Mandella e do Morgan Freeman.

Walter Galvani

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