Walter Galvani
Espírito Santo, no Brasil é nome de estado da federação e uma lembrança para os cristãos de uma das manifestações divinas. Até aí tudo bem, aprendemos no ensino fundamental. Ou primário, como se dizia antigamente. Em Portugal é nome de banco. Sábia decisão do país dos ancestrais da maioria brasileira e pátria da nossa língua que, tal como ensina o poeta Fernando Pessoa, a “língua é nossa pátria”. E eis que em tempo de destruição do ambiente e corrosão das relações inter-pessoais, de terremotos políticos e decadência de costumes, fica bem mergulhar na sabedoria dos… bancos. Tenho em mãos um folheto do Banco Espírito Santo, português, que resolveu presentear as pessoas com algumas lembranças de outros tempos, indiscutíveis e preciosas lições. Vejam só:
“O nosso gasto mais dispendioso é o tempo.” – Teofrasto, filósofo grego.
“Nada perdura, senão a mudança.” – Heráclito, filósofo grego.
“Na guerra, os acontecimentos importantes resultam de causas triviais.” – Julio César.
“Os deuses ajudam aqueles que se ajudam a eles próprios.” – Esopo, fabulista grego.
“Somos aquilo que fazemos consistentemente. Assim, a excelência não é um ato mas sim um hábito.” – Aristóteles, filósofo grego.
“Tememos as coisas na medida em que as ignoramos.” – Tito Lívio, historiador romano.
“Agir rapidamente, pensar lentamente.” – provérbio grego.
“Não é por as coisas serem difíceis que não temos ousadia. É por não termos ousadia que as coisas são difíceis.” – Sêneca, escritor romano.
“Um cavalo nunca corre tão depressa como quando tem outros cavalos para perseguir.” – Ovídio, poeta latino.
“Aquele que foge na altura certa, pode voltar a lutar.” – Marco Terêncio Varão, escritor romano.
Agindo rapidamente e pensando lentamente, vamos recordar quantas e quantas vezes tivemos oportunidade de aplicar tais ensinamentos, muitos deles entranhados em nosso dna de memória ou cultura, ou que nos sensibilizaram até de forma epidérmica, ao longo do nosso crescimento. Por vezes, lições esquecidas ou preteridas, por soberba ou ignorância. Ou puro desconhecimento de uma herança de sabedoria das civilizações orientais e ocidentais, lentamente acumuladas.
Se alguém nos houvesse soprado ao ouvido, em determinados instantes de nossa vida, quem sabe teríamos achado antes as soluções pelas quais ansiamos. Mas, vamos vivendo aos tropeções. Batemos num obstáculo, levantamos a cabeça, desviamos de outro ali adiante, seguimos, sob a névoa da perturbação, achando que poderemos chegar aos nossos objetivos. No entanto, quanto tempo perdido, quanta hesitação inútil, quanta energia desperdiçada, quanta economia não feita, quanto desgaste. E os anos passam, irremediavelmente. Nem nós, nem a cidade, nem o país, ninguém caminha com certeza e garantia no rumo certo, sem equívocos. No entanto, quando toda a sociedade, pelo menos aquela que nos toca mais de perto pelas origens geográficas, raciais, emocionais, integrada por indivíduos que, como nós, se emociona com as palavras perdidas de um hino que fala em “nossa mãe gentil” ou que explode nas tardes e noites de futebol ao escutar o trovoar dos gols feitos e perdidos, alguns sofridos, ah tão sofridos! – ou se permite acreditar nos resultados eleitorais e que a voz do povo, expressa pela maioria, será “a voz de Deus”, enfim que até crê num Deus ou num “supremo arquiteto do universo”, se sente desorientada ou perdida, ou parece sê-lo, temos que buscar mais forças no fundo da nossa difícil passagem por aqui.