Crônica especial para o Diário Popular, de Pelotas, o mais antigo diário em circulação no Rio Grande do Sul
por Walter Galvani
Metade do ano se foi, não adianta chorar. Sim, ainda falta junho, mas junho será consumido inteirinho na Copa do Mundo, eis que os jogos do Brasil, dias 15, 20 e 25, concentrarão todas as tensões que começam a ser descarregadas logo logo, a partir da semana que vem, quando a bola vai rolar oficialmente. Já os bancos e repartições públicas adaptaram seus horários, assim como farão o comércio e a prestação de serviços, por que não há como lutar contra o sacramentado amor dos brasileiros pela Seleção.
Então, a primeira metade do ano, acabou. Cessa tudo o que a “antiga musa canta, pois outro valor, mais alto se alevanta”…
Começa o inverno, os que amam a tal “estética do frio” vão se deliciar agora, pois o frio chegará logo, empurrado pelo Minuano que vem gemendo lá do Sudoeste, e os interesses passarão a cruzar informações sobre a escalação do time e se este ou aquele tem condições de ser titular.
Esqueçam os “não-convocados” não tem lugar para todo mundo, e esqueçam também todos os outros assuntos que possam ser considerados “sérios” ou pelo menos, “dignos de atenção”.
Até o início de julho, as atenções de todo o mundo civilizado, e, logicamente, do Brasil estarão voltados para a África do Sul e dependendo das transmissões de rádio e tevê, concentração de esforços, interesses e atenções subjugados pelos horários dos jogos. Até o fim, a menos que se produza uma inesperada eliminação no grupo inicial o que está fora das contas de qualquer brasileiro. Isso é indiscutível.
O futebol começou há cento e cinqüenta anos. A maioria dos estudiosos fixa o ano de 1863, quando se criou na Inglaterra, a “Foot-ball Association”, embora se diga que há dois mil anos algo parecido se pratica no mundo.
Mas, o seu fascínio crescente transformou a FIFA numa organização maior do que as Nações Unidas, onde todos convivem em paz, haja vista o fato da estréia brasileira nesta Copa, se dar justamente diante da Coréia da Norte, a que tanto preocupa pelo seu comportamento belicoso e pelo arsenal de que dispõe.
Quem sabe a Paz não comece pelos pés? Ingenuidade? Já houve guerra por causa do futebol…
(Publicado em 30 de maio de 2010)