Arquivo de maio de 2010

INVERNO, COPA E SEMESTRE

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Crônica especial para o Diário Popular, de Pelotas, o mais antigo diário em circulação no Rio Grande do Sul 

por Walter Galvani

 

 

Metade do ano se foi, não adianta chorar. Sim, ainda falta junho, mas junho será consumido inteirinho na Copa do Mundo, eis que os jogos do Brasil, dias 15, 20 e 25, concentrarão todas as tensões que começam a ser descarregadas logo logo, a partir da semana que vem, quando a bola vai rolar oficialmente. Já os bancos e repartições públicas adaptaram seus horários, assim como farão o comércio e a prestação de serviços, por que não há como lutar contra o sacramentado amor dos brasileiros pela Seleção.

Então, a primeira metade do ano, acabou. Cessa tudo o que a “antiga musa canta, pois outro valor, mais alto se alevanta”…

Começa o inverno, os que amam a tal “estética do frio” vão se deliciar agora, pois o frio chegará logo, empurrado pelo Minuano que vem gemendo lá do Sudoeste, e os interesses passarão a cruzar informações sobre a escalação do time e se este ou aquele tem condições de ser titular.

Esqueçam os “não-convocados” não tem lugar para todo mundo, e esqueçam também todos os outros assuntos que possam ser considerados “sérios” ou pelo menos, “dignos de atenção”.

Até o início de julho, as atenções de todo o mundo civilizado, e, logicamente, do Brasil estarão voltados para a África do Sul e dependendo das transmissões de rádio e tevê, concentração de esforços, interesses e atenções subjugados pelos horários dos jogos. Até o fim, a menos que se produza uma inesperada eliminação no grupo inicial o que está fora das contas de qualquer brasileiro. Isso é indiscutível.

O futebol começou há cento e cinqüenta anos. A maioria dos estudiosos fixa o ano de 1863, quando se criou na Inglaterra, a “Foot-ball Association”, embora se diga que há dois mil anos algo parecido se pratica no mundo.

Mas, o seu fascínio crescente transformou a FIFA numa organização maior do que as Nações Unidas, onde todos convivem em paz, haja vista o fato da estréia brasileira nesta Copa, se dar justamente diante da Coréia da Norte, a que tanto preocupa pelo seu comportamento belicoso e pelo arsenal de que dispõe.

Quem sabe a Paz não comece pelos pés? Ingenuidade? Já houve guerra por causa do futebol…

(Publicado em 30 de maio de 2010)

BOBAGENS… PÉ FRIO, PÉ QUENTE

domingo, 30 de maio de 2010

crônica pulicada neste domingo, 30 de maio de 2010, no jornal ABC DOMINGO

por Walter Galvani

 

Metade do ano quase consumido, ficamos com a sensação indiscutível de que teremos que correr agora, para não chorar depois, até porque, está chegando a Copa do Mundo e, como todos sabemos, a partir da estréia do Brasil, ou melhor, desde o primeiro dia dos jogos, nada mais se fará neste país, a não ser pensar no que farão os craques do Dunga.

Se nos países mais desenvolvidos como Inglaterra, Espanha, Alemanha, Itália e a vizinha Argentina que também costumam chegar ao título mundial é meio parecido com o Brasil, o que se poderia esperar aqui, não é assim mesmo, leitores? Em busca de mais uma Copa, tudo pode acontecer. Bancos mudam seus horários de atendimento, repartições públicas alteram seus expedientes, tudo entra em “meia boca” na hora dos jogos. Então, será assim mesmo, não adianta chorar, o que foi feito foi, o que não foi, fica para depois da Copa…

Este é o Brasil. Em compensação, não se conhece outro país onde a integração racial tenha se dado tão bem, depois das agruras dos séculos passados, é claro. Hoje, todos torcem para os negrinhos e os branquinhos, ninguém tem dúvidas, apenas preferências por este ou aquele estilo. E, de Kaká a Robinho, só quem é mesmo contestado é o Dunga, para isso somos 190 milhões de treinadores disputando o cargo dele e tendo sempre uma estratégia melhor, mais adequada do que aquela apresentada pelo técnico da Seleção.

Vamos pensar então, já, no segundo semestre, por que aí sim, vamos ter que correr para fechar as contas do ano e, de permeio escolher em quem votar, não esquecendo que tudo entra nas contas dos brasileiros, inclusive quem é “pé frio” ou “pé quente”, uma bobagem, mas que também é apreciada neste maravilhoso país verde-e-amarelo.

Assim é, tem sido, e acho que vai continuar sendo… enquanto nas ruas as pessoas despejam sua má educação, os atendentes em lojas e escritórios demonstram o seu despreparo, os seguranças ostentam a sua truculência e a generalizada falta de competência atesta que nem tudo é felicidade sob o céu azul que nos protege. Azul que vai ficar plúmbeo nos próximos dias, com a previsão de mau tempo. Salve-se quem puder.

PALAVRAS, PALAVRAS, PALAVRAS

terça-feira, 25 de maio de 2010

É quase uma brincadeira. Mas quem não lembra de Carlos Drummond de Andrade em sua maravilhosa crônica “Quando rompe a manhã”, quando diz que “lutar com as palavras é luta vã, no entanto lutamos, mal rompe a manhã!”…?

As palavras mais marcantes da língua portuguesa, ou aquelas que, por qualquer motivo, ficam guardadas em nossa memória e prontamente comparecem ao primeiro plano, quando solicitadas, constituem-se em matéria prima da língua para qualquer cronista, escreva ele em inglês, espanhol ou mandarim. Ou português, naturalmente.

Assim, fiz uma rápida pesquisa comigo mesmo e eis o resultado, no dia 24 de maio de 2010:

Saudade

Espanto

Ninguém

Saboreando

Lua

Fantasma

Precipício

Estilística

Catarse

Rumo

 Em 2005, há cinco anos portanto, elaborei minha primeira lista e nela coloquei: 

Espanto

Saudade

Luar

Estrela

Barco

Mar

Rochedo

Travessia

Lago

Granizo 

Se eu fizesse um tratamento analítico destas palavras selecionadas, chegaria à curiosas conclusões, como por exemplo, dizer que em 2005 compareciam só substantivos e muitos deles ligado à acidentes naturais, como o mar, o rochedo, a travessia, o lago, o granizo, a estrela, o luar e claro, a saudade e o espanto.

Esses dois comparecem novamente em 2010, não sei se atraídos pela memória ou representativos efetivamente de sentimentos que  se repetem ou permanecem: espanto e saudade.

Surge um único verbo: saboreando.

Luar cedeu seu lugar à própria Lua; ao aproximar-me de um precipício, surge um fantasma. E com isso, completo a minha catarse, procurando o rumo.

E o ninguém, definitivo e trágico em minha visão, ocupa seu posto, substituindo talvez a romântica estrela de cinco anos atrás, que desapareceu do céu do cronista.

Ah Ficou sobrando a luz, pairando por aí tudo…

ENCHENTES E SUPERSAFRAS

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Walter Galvani

 

Não devemos nos deixar iludir com os números, pois o dano causado ao meio ambiente pelo uso indiscriminado dos campos, das várzeas dos rios, a abertura de estradas precárias que acabam ruindo diante de chuvaradas, de tal forma comprometem nosso futuro, que não dá para se iludir e ficar batendo palmas entusiasticamente, à primeira notícia otimista que circule.

Anuncía-se agora a maior safra de soja de todos os tempos. E isso significará dinheiro no bolso dos produtores. E não só. Já vivemos euforias semelhantes, em anos anteriores. E resultou, não apenas em recursos para os que trabalham a terra, como para todos os setores daí resultantes, prestadores de serviço que conseguem bons contratos, vendedores de automóveis, refrigeradores, aparelhos de ar condicionado, televisores, telefones, como alimentos, combustíveis, empregos temporários,bancos, oficinas mecânicas e até igrejas.

Quer dizer vender-se-á de tudo e muito mais. É o fenômeno do crescimento que, no caso gaúcho nasce no campo e não é por nada que os seus símbolos foram  representados ao longo do tempo, pelo peão, o cavalo, o arado, a prenda, o chimarrão e o churrasco.

Mas, junto com essa euforia toda, virão as enchentes, a destruição do que já foi feito ao longo do tempo, a necessidade de reconstrução das rodovias, estradas vicinais, ruas, avenidas e pontes.

Agora mesmo, a solução precária da travessia entre Agudo e Restinga Seca por uma barca no rio Jacuí, onde a ponte caiu foi suspensa por que o grande rio, o pai dos rios gaúchos, está vários metros acima do normal.

Foi necessário também abrir comportas em barragens no rio Uruguai, e quem mora nas cidades grandes do estado, nem sequer suspeita o significado de todas estas dificuldades.

Está sendo diferente de outros tempos? Sim, até porque as populações são maiores e, portanto, é compreensível que o número de atingidos seja sempre superior a outros anos.

Portanto, com muita tranqüilidade e nenhuma perturbação, é preciso encarar este momento como difícil, mas característico do inverno nos pampas.

Crônica publicada no ABC DOMINGO de 23 de maio de 2010

LULA É O CARA…

terça-feira, 18 de maio de 2010

O DIPLOMATA

Walter Galvani

O presidente Lula está procurando demonstrar que é capaz de tudo, como representante de um país como o Brasil e que será capaz de muito mais depois que deixar a presidência para sua sucessora, (que talvez até já considere eleita), Dilma Roussef (que, aliás, acaba de ultrapassar Serra nas pesquisas eleitorais).
Lula então “é o cara!” – como disse Barack Obama.
O Brasil assinou um acordo atômico com o Irã, e o apoio da Turquia e agora se defronta com o mundo dos países ricos, cheio de razão.
Esta é a leitura.
Em verdade, o que ocorreu é que o respeito pelo Brasil, de fato, cresceu muito.
Como é que um cronista, que pretenda ser imparcial, analisa esses fatos?
Fechando os olhos? Achando que Lula é apenas um demagogo? Reflitam comigo.
O charme de um personagem do Terceiro Mundo, que se equivale aos poderosos, faz brindes com a Rainha da Inglaterra, abraça o presidente da França, Nicolas Sarkozy, deixa-se fotografar com o primeiro ministro da Espanha, convive com aristocratas, políticos famosos e ao mesmo tempo conversa com os caminhoneiros do Brasil, aponta sua sucessora e descreve sua própria vida como cinematográfica, até aonde vai?
Ninguém para Lula, ninguém o derruba, ninguém irá tão longe como ele, que me perdoem FHC, Gabeira e outros menos votados.
Se ele acabar como secretário geral da ONU, por certo que apenas estaremos no começo do filme. Este “filho do Brasil” ainda tem muito a aprontar.
Anotem.
Não é profecia barata.
Só na leitura dos jornais de hoje, encontrei motivos suficientes para entender que os passos que ele deu são muito mais largos que alguém possa imaginar.
Então, concordando ou discordando dele, e só 17% dos brasileiros não crêem nele, segundo a última pesquisa, é preciso aceitar que, afinal de contas, ele ajudou a nossa imagem no exterior, mais, muito mais do que Pelé, Kaká, Ronaldinho, Falcão, Dunga ou Robinho… Finalmente, temos que dizer que o brasileiro sabe fazer alguma coisa além de controlar uma bola e mandá-la para as redes.
É a vitória, engulam a palavra, da diplomacia de Lula. O metalúrgico que tem um dedo a menos.

CORRIGINDO ERRO DE DATA

segunda-feira, 17 de maio de 2010

A crônica foi publicada no ABC DOMINGO de 16 de maio,
portanto, nem 17, nem 18 como aparece aqui,
erradamente no site.

A MORTE DO “BALEIA”

segunda-feira, 17 de maio de 2010

crônica publicada no ABC DOMINGO de 18 de maio de 2010

Walter Galvani

Bullying é o termo em inglês que, apesar de quase impronunciável em nossa língua, caracteriza um tipo de procedimento que, tenha tido ou não origem nos Estados Unidos lá foi devidamente identificado por dois episódios de suicídio, dois adolescentes que se mataram, um deles, Jeremy Wade Delle, diante dos colegas e da professora de inglês, no dia 8 de janeiro de 1991 e outro, Curtis Taylor, a 21 de março de 1993. Mas, não ficaram somente nesses dois casos não, desde então, centenas de outros meninos e meninas tem sido perseguidos com esta forma estapafúrdia de comportamento dos colegas, que se agrava num país onde a impunidade é típica de todas as camadas e funções, dos jogadores de futebol aos deputados e senadores, enfim, uma doença da sociedade.

Não bateremos palmas para esta extrema covardia, nem acompanharemos como ovelhas este comportamento do rebanho.

Mas… será isso novidade? Este comportamento que deriva de uma matriz totalitária e se caracteriza pelo abuso, pela perseguição, pela humilhação dos mais fracos, agredidos por sua cor, religião, família, pobreza ou riqueza, defeitos físicos, ou magreza ou gordura?

Há quantos anos acontece isso em nossos colégios? Eu próprio poderia dar meu depoimento do tempo do ensino fundamental, anos quarenta do século passado, aqui mesmo na Região Metropolitana que então não tinha este pomposo apelido…

Aliás, por falar em apelidos, o menino assassinado com um tiro nas costas, dia 11 de maio na vila Farrapos em Porto Alegre, vítima de “bullying” aos 15 anos, Matheus Advragov Dalvit, era chamado pelos colegas de “Baleia”. Quantos “Girafas”, quantos “Baleias”, quantos conheceram caros leitores em vossa vida de alunos dos cursos elementares do antigo Primário e do Ginásio?

Insultar, por causa da moradia, da aparência, da orientação sexual, da religião, da etnia, do nível de renda, da nacionalidade, ou da estatura, da magreza, da gordura ou de algum sinal no rosto, ou a deficiência de uma perna ou um braço, que coisa mais comum e mais indigna e condenável. E o que fazer ou o que fizeram os professores e diretores?

Bem, essa é uma ação de toda a sociedade. Imperdoável é não agir.

A MORTE DO “BALEIA”

segunda-feira, 17 de maio de 2010

O BALEIA, O GIRAFA E O MOSQUITO

domingo, 16 de maio de 2010

O BALEIA, O GIRAFA E O MOSQUITO

Walter Galvani

Quando eu era menino, e que me sirva isso como subsídio para uma futura autobiografia, quando aluno dos gloriosos Irmãos das Escolas Cristãs, os Lassalistas, em Canoas, no Externato São Luís do Instituto São José, fui apelidado por um colega, de “Mosquito Elétrico”. Devia-se isso ao meu aspecto franzino, minha vocação para jogar bola “no meio dos grandes” e meu espírito inquieto que morava num corpo pequeno, de quarenta e poucos quilos, sei lá. Ofendi-me com o apelido e reagi da forma mais afoita possível. Resultado? “Pegou”. Durante todos os meus verdes anos fui conhecido como “o Mosquito” e isso me atrapalhou bastante o processo de socialização. Depois, já grandote, por que a história que conto se refere ao período entre os 8 e os 14 anos, fui me aproveitando da popularidade e da minha vocação para as artes, as letras, a escrita, o teatro, o cinema, que até hoje demarca meu caminho, fui fazendo do limão uma boa limonada. Hoje posso até brincar com o assunto, mas não são poucos os que, em minha terra natal, no primeiro contato me tratam pelo antigo apelido. Para quê? Para nada…

Assim compreendo bem um intelectual importante que tinha o apelido em Pelotas, de “Girafa” e de tantas outras “girafas” e “baleias” que fomos encontrando pelo mundo.

Mas, isso é a raiz do “bullying”, esse nome feio, americano, que define até por sua origem, “bully” é tiranete, valentão, e que caracteriza um comportamento agressivo, cópia de matriz autoritária. E é isso que leva às ditaduras, às guerras, aos delirantes combates pelas conquistas e… à covardia!

Essa coisa toda do “bullying” começou nos Estados Unidos em torno de 1991, quando um menino chamado Jeremy foi levado ao suicídio diante dos colegas e da sua professora de inglês. Dois anos depois, outro suicídio, dessa vez, Curtis Taylor, no dia 21 de março daquele ano de 1993. E de lá para cá, tantos episódios que se perdeu a conta, mas que chegam ao Brasil e aqui florescem. Ainda essa semana, um menino em Porto Alegre, chamado Matheus Alvragrov Dalvit foi assassinado com um tiro pelas costas, segundo o assassino por que ele, apelidado de “Baleia”, pela sua estatura e gordura, reagira a um colega seu.

Precisa mais?

OS QUE FICARAM DE FORA…

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Walter Galvani

 

 

A repercussão das convocações feitas por Dunga, dos 23 jogadores que comporão o elenco da seleção brasileira, foi mais pelos que ficaram de fora, do que pelos que “estão dentro”…

Em verdade, um time, digamos “conservador” tem alguns arrebiques com que não contavam os especialistas, mas nada a fazer explodir os corações.

Há, isso sim, a ausência de Ronaldinho Gaúcho, por exemplo, cujo estilo de jogo pode ser muito romântico e plasticamente bonito, mas que retarda as ações com a sua pouca velocidade e com o “deja vu” da maioria dos seus expedientes.

Para a torcida do Grêmio de um modo especial, e para os gaúchos conscientes, de um modo geral, a ausência do goleiro Vitor é traumatizante. Seria a hora dele.

Quanto aos demais ausentes, como Adriano, do Flamengo, talvez pagando um preço pelo seu comportamento fora das quatro linhas não surpreenda ninguém ou os jovens Ganso e Neymar, do Santos com o que apenas se confirma a estratégia da cautela dunguista.

Outra surpresa é a presença de Grafite, justamente no lugar que seria de Adriano e o registro, que bem define o futebol moderno nesses anos que atravessamos em que a importância econômica do futebol europeu fica demonstrada pelo fato de apenas três dos chamados atua no Brasil (Gilberto, do Cruzeiro, Kléberson, do Flamengo, Robinho, do Santos) e os demais quatorze jogadores atuem em clubes da Itália, Espanha, Alemanha, Inglaterra, França e até da Grécia (Gilberto Silva, do Panatinaikos) e da Turquia, (Elano, do Galatasaray).

Parece que o melhor marcador de Adriano é aquela garota de Cachoeirinha que parou o homem antes da copa começar.

E prevaleceu também um pouco do característico espírito de prudência do treinador gaúcho Dunga que preferiu o conhecido aos foguetes e o imprevisto, na maioria dos casos..

Faltam os sete da tal lista de espera, para a eventualidade de alguma lesão grave dos convocados e o restante das surpresas negativas pode até se diluir nesta revelação futura.

E o resto é reservar lugar na viagem para a África do Sul ou garantir uma poltrona diante da sua televisão para ver “em direto” o que vai suceder em junho e julho.