Crônica publicadano Dia das Mães, 9 de maio de 2010, no jornal ABC DOMINGO
Walter Galvani
Qualquer um, perguntado no dia de hoje, responderia que a escolha de uma data para festejar o “Dia das Mães” está mais do que acertada, por que nenhum de nós seria capaz de encontrar momento mais qualificado. Mais do que comemorar, para relembrar ou para assinalar, para acentuar ou para consagrar. Tudo o mais é discutível, naturalmente, datas patrióticas, nacionais ou estaduais, internacionais, lembranças, dias do livro, do trabalho, Natal, Ano Novo, tudo pode estar submetido às conquistas culturais e aos costumes e costumes ou às devoções religiosas. Mas, o Dia das Mães, embora nascido também numa promoção mais tarde adotada pelo comércio e pela indústria, é indiscutível e inatacável.
Nem o pior homem (ou mulher) na face da terra, esquece o primeiro alimento, o primeiro choro amenizado pelas lágrimas da própria mãe e, sem ser piegas, e a condução dos primeiros passos, a primeira queda, a segunda, a terceira e assim vida afora e adiante.
Então, não há o que negar e nem como fugir, hoje, ao fascínio da data e a sua possibilidade de comemoração. Sim, para muitos falta o objeto do abraço, ou porque estejam distantes ou separados definitivamente pela morte, mas, assim mesmo fica a lembrança e com ela a permanência de uma oração, um oferecimento, ou até uma visita quase convencional ao lugar de sepultamento.
Assim construímos nossa cultura e por isso não há nada mais horrível do que constatar-se que um filho não respeitou a figura da sua mãe.
Pena que, dentro de uma sociedade cada vez mais individualista, cheia de hostilidades e agressividade, não se respeita a mãe dos outros…
Para essas, como para a mãe dos juizes de futebol, reserva-se o pior dos epítetos e o mais medonho comportamento. Mas, é compreensível, pois no trânsito ou nas competições esportivas, joga-se com o que há de pior no caráter e no mais profundo do ser. E não se iludam. É um procedimento muito disseminado, mas em alguns setores, como no trânsito, por exemplo, o gaúcho é o pior exemplo. Boa campanha faria quem começasse a lutar por essa mudança de costumes. Se ainda fosse possível, naturalmente.
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