O ENGARRAFAMENTO FINAL

crônica para o ABC DOMINGO de 13 de junho de 2010

Walter Galvani

 

O que aconteceu em Porto Alegre entre as quatro da tarde e as nove da noite de uma segunda-feira, é apenas um prenúncio do que pode se repetir a qualquer momento e que reaviva a frase de efeito, “até o engarrafamento final”. (E que pode, como se vê, deixar de ser apenas “uma frase de efeito…”)

Houve um acidente entre dois ônibus e dois carros às quatro da tarde,  na pista sentido capital/interior da Av.Castelo Branco e todo o centro histórico de Porto Alegre parou até às 21 horas. Explicação: enganos no trato com o problema?

Não apenas.

A frota da capital tem um acréscimo de 200 novos veículos por dia. As ruas permanecem as mesmas, é claro, e os sistemas de transporte coletivo tão escassos como sempre. Aqui não se fez a opção pelos trens e metrôs como nos países desenvolvidos. Apenas o Trensurb ameniza a situação nesta região metropolitana, e há de ser sempre uma solução preciosa, mas não resolve totalmente, como se vê pela BR-116. Os que são obrigados a utilizá-la, para lá e para cá, sofrem na carne todos os dias. Mas, não apenas a frota de Porto Alegre é que cresce: Novo Hamburgo é a segunda em percentual, só ano passado foram mais 12.994 veículos e Canoas contribuiu com 9.465 a mais. Imaginem o interior todo que por ali transita, os que entram, os que saem, os que precisam se movimentar na região, a multiplicação dos negócios, e as soluções rodoviárias, sempre as mesmas, com a agravante de que as pistas se deterioram, além de servir a cada vez mais veículos.

Essa é a realidade. Chegará o momento em que não haverá nem lugar para estacionar, quanto mais para transitar…

Enquanto isso, as autoridades se desgastam em conversas de ofensas ou galanteios, visando se unir ou desunir, para montar uma chapa que ganhe o poder. O que precisamos é de soluções objetivas. No caso de Porto Alegre, alguém já pensou em ir até Wuppertal na Alemanha? Então marquem a passagem e conheçam o trem suspenso. Depois visitem o arroio Dilúvio e a Av. Ipiranga e comentem o assunto. Aliás, em tempos de Internet basta visitar a página que abriga o trem suspenso daquela cidade alemã e colher uma lição que vem desde… 1908…

Deixe um comentário