Arquivo de julho de 2010

BR, TORNADOS, TRÂNSITO

domingo, 25 de julho de 2010

Walter Galvani

 

 Não há dia em que o noticiário não registre a ocorrência de desastres e engarrafamentos em ruas, avenidas, cruzamentos e sinaleiras de nossas cidades, e, de um modo especial, na BR-116, a estrada que nos liga à capital, particularmente no trecho que atravessa a populosa cidade de Canoas.

Culpa de quem? Das autoridades que não investiram na construção de novas estradas ou providenciaram vias alternativas? Sim, mas também dos motoristas que, de um modo geral pensam que sabem dirigir, mas na verdade não o sabem, pois desrespeitam as regras mínimas de trânsito e os outros, que possuem os mesmos direitos.

Você que me lê agora, já experimentou manter a “distância regulamentar” do veículo que vai a sua frente? Sabia que a lei diz que ela é variável, de acordo com a pista e a idade… do carro? E se já o fez, qual foi o resultado? Uma surra de buzinas, palavrões e até em certos casos, agressões? Dia desses tivemos um desastre envolvendo quinze veículos.

A vingança da Natureza que já nos mandou pelo menos sete tornados como novidade dos últimos anos, mas sem dúvida uma revanche mínima diante dos 54% de vegetação original roubados ao nosso Bioma Pampa pela ocupação historicamente indiscriminada, perde para o trânsito, onde a notícia é diária, inesperada, mas uma guerra em que todos perdem.

No trânsito ainda há, quando as estradas e avenidas o permitem, muitos são os que vão além do permitido. Nome disso? Falta de educação para o trânsito, desrespeito aos demais, aos pedestres, aos ciclistas.

Enfim, o que temos é um coquetel de violência, prepotência, falta de educação, raiva, frustrações compensadas pelo uso da máquina e desrespeito geral, tendo em vista a impunidade imaginada, desejada, sonhada ou real. E também, por parte dos pedestres, falta de respeito aos sinais e faixas de segurança.

Quinhentas casas destruídas por um tornado, como esse de Canela, Gramado e Imigrantes, assustam, mas, quantas vezes já desistiu você de ir a Porto Alegre, por exemplo, ou de lá retornar, devido aos engarrafamentos? E a quem debitar as dezenas de mortes no trânsito a cada semana?

E ainda tem o General Inverno. Ele está entre nós.

Crônica publicada no ABC DOMINGO de 25 de julho de 2010

A COPA DO MUNDO? É NOSSA

domingo, 11 de julho de 2010

 

Sabemos: “Com brasileiro, não há quem possa!” E este é o recado que aprendemos, desde que levamos na cabeça no Maracanã em 1950, quando a seleção perdeu para o Uruguai, por 2 x 1, naquilo que todos, à época, achavam como “inacreditável.” Pois, aconteceu, e eu, como tantos então, um menino de 16 anos, tomei minha primeira grande lição de vida e o ensinamento de que o fracasso também ajuda a encontrar os defeitos. Ajuda mesmo?

Pois assim foi. E se sucederam os anos até que chegamos a este 2010, quando para a surpresa dos nossos 193 milhões de técnicos de futebol, que acham que sabem mais do que doze Dungas, pagaram o preço do seu orgulho e prepotência. Não somos os únicos que sabem jogar o jogo, ao que se diz inventado pelos ingleses, mas, pelo menos regrado e disciplinado por eles.

Continuando no terreno da crônica esportiva, onde tive a sorte e a oportunidade de militar até 1966, Copa na Inglaterra, chegamos a mais uma decepção por sempre achar que somos os melhores. Podem existir outros, tão bons como nós, como a “fúria” espanhola ou a “laranja mecânica” que hoje se defrontam a partir das três e meia da tarde na África do Sul.

Para chegarem até aqui, e é preciso que se aprenda a lição, agora bem distante da pura “crônica esportiva”, é que podem existir gols ilícitos, bolas tiradas com a mão, enganos propositais, erros de arbitragem, interesses escusos, brigas de beleza ou acasos, posições “off-side”, burrice e até inteligência… mas são muitos os caminhos e descaminhos, os obstáculos e os desvios da sorte que podem levar ao final os propósitos que temos não só no esporte, mas na vida.

E esta é a força e a importância de uma competição esportiva, é o que confere ao esporte sua dignidade e seu “status” de lição. Sem a compreensão em toda a extensão destes episódios que se sucedem ao longo destes anos todos, oitenta, só interrompidos pela II Guerra Mundial que envolveu toda a Europa de 39 a 45, e espaçou as Copas entre 38 e 50, esta já no Brasil, não se pode entender toda a profundidade do que, literalmente, é posto em jogo. E que não se trata apenas de um brinquedo infantil com uma bola posta em movimento. 

Crônica publicada hoje no ABC DOMIMGO

MOMENTO HISTÓRICO NO “CORREIO DO POVO”

quarta-feira, 7 de julho de 2010

O dia 7 de julho de 2010 assinala-se como um novo momento histórico para o “Correio do Povo” de Porto Alegre, com o início da instalação de suas novas máquinas, que propiciarão um sistema “full collor”, se assim o entender a direção do jornal.

Poderão ser impressas até 64 páginas, todas elas a cores, e com isso ampliar a atração para os leitores e satisfazer os interesses deles e dos anunciantes, que poderão dispor de novos recursos, tão amplos.

Assim tem sido, historicamente, nesse grande veículo fundado a 1º de outubro de 1895, portanto a poucos meses dos 115 anos de circulação.

O próprio fundador, Caldas Júnior, hoje nome da rua onde estão as instalações centrais da empresa, dizia que era preciso, sempre, ter “as melhores máquinas e os melhores homens”. É o que o jornal tem procurado fazer ao longo deste seu mais de um século de atividade, ou “Um Século de Poder”, como sintetizei no título do meu livro publicado em 1994, e lançado na Feira do Livro de Porto Alegre.

No dia 1º de julho de 1897, quando ainda não completara seu segundo ano, o jornal que nascera para ser grande, instalava a sua poderosa nova máquina Marinoni, importada da França, o que lhe permitiu aumentar o formato para 44,5 cms x 64 cms.e entrar em seguida no terceiro ano de circulação com média diária de 3.000 exemplares, o que era um feito para a época. Predominavam então no gosto do público, os jornais formato “standard”, o dobro do tamanho dos atuais tablóides, que o Correio também adotou a partir de 26 de maio de 1987.

No primeiro ano do século XX, já alcançara uma tiragem de 5.000 exemplares e de lá para cá, apesar dos solavancos e altos e baixos históricos, cresceu até atingir os níveis de hoje.

As novas máquinas serão instaladas na planta industrial de Porto Alegre (duas unidades) e uma em cada uma das cidades do interior onde o Correio do Povo mantém pólos de impressão e distribuição: Carazinho e São Sepé.

A escolha desses dois locais se deu por questões logísticas da política de distribuição e atendimento do interior gaúcho e também do estado de Santa Catarina, onde o jornal circula com a confortável posição de “local”, pela abrangência do seu noticiário, precisão, oportunidade e freqüência.  Hoje, o jornal está com a média diária de 170.000 exemplares.

HOLANDA SALVA PELO APITO…

terça-feira, 6 de julho de 2010

 

 

Walter Galvani

 

 

Meu passado de cronista esportivo, lá nos meados de 1955 quando comecei a trabalhar no “Correio do Povo”, até 1962, quando troquei o setor esportivo pelo social e promoções, me diz que houve uma grande sujeira na Copa do Mundo, com um juiz parcial, protegendo deliberadamente a Holanda e dando-lhe condições de chegar à vitória sobre o Uruguai, validando um gol feito em completo impedimento, o segundo, obra de Sneijder.

Pena, mas isso acontece, sempre aconteceu e vi muito disso ao longo de minha carreira de cronista, depois de apenas torcedor ou jornalista atuante em outras áreas.

O Uruguai foi valente, honrou sua tradição, lutou até o fim e se a partida tivesse mais cinco minutos, a história teria sido outra.

Não deu, mas saiu, como se dizia antigamente, “de cabeça erguida”.

A Copa segue, no futuro ninguém lembrará e só ficará o fato da Holanda haver chegado à sua terceira final.

Mas, como a FIFA já teve que engolir a necessidade de uma mudança, com aquela história da bola quicando dentro do gol, validação de gol feito com a mão, tudo favorecendo os que foram adiante, será preciso reexaminar o que acontece nos metros finais, ali dentro da área.

Bola com guisos? “Chip” na pelota? Interrupção para rever no telão? Sei lá, algo terá de ser feito, e o problema é tirar um pouco do encanto do jogo, mas a transparência exige aplicações maciças das modernas tecnologias.

Os humanos erram. Os humanos erram também por má fé, há de tudo.

DIA DE TORCER PARA O URUGUAI

terça-feira, 6 de julho de 2010

 

 

Walter Galvani

 

Não por acaso hoje é dia de “torcer para o Uruguai”, justamente aquele país amigo aqui a nosso lado, onde o pampa começa, no Rio Grande do Sul e se estende além fronteiras, se espraiando pelo território da “República Oriental del Uruguay”. Gighia, mesmo sendo aquele que foi o autor do “Maracanazo”, ou seja criou-se a palavra nascida no dia 16 de julho de 1950, quando conquistou o campeonato mundial no estádio do Maracanã no Rio de Janeiro, construído para sede da Copa que o Brasil queria ter vencido. “Queria”, mas perdeu, gol decisivo de Alcides Gighia, que até hoje “morre de pena” dos brasileiros, mas num justo orgulho carrega o título que ajudou a conquistar com o gol que fez em Barbosa, o até então “imbatível” goleiro de um time invencível, que ganhava de goleada dos demais candidatos.

Entre esses a Espanha.

Pois é. Foi 1 X 2, diante do Cristo Redentor que agora, depois de reformado, “higienizado” e repintado, abre os braços outra vez para 2014, abençoando o talvez irrecuperável Rio de Janeiro que “continua lindo” e quase inabitável.

É que ainda tem mais: em 1841, a 5 de julho (ontem portanto…) ou quase nesta data, o comandante das tropas rio-grandenses sublevadas contra o governo central, na hoje histórica “Revolução Farroupilha”, general Bento Gonçalves da Silva assinou com o líder uruguaio Frutuoso Rivera, um tratado de ação conjunta.

No final de semana, o S.C.Internacional de Porto Alegre esteve jogando na cidade hoje chamada Rivera, disputando uma “Copita” com o poderoso Peñarol, o clube mais popular do Uruguai e hoje, até o presidente Lula afirma que vai “torcer para o Uruguai”, assim como defendem esta posição nossos principais jornais. O “Correio do Povo” chega a dizer em sua primeira página, “Hoje é dia de torcer para o Uruguai”.

CIA. BRASILEIRA DE ÓPERA, QUE PRESENTE!

domingo, 4 de julho de 2010

Walter Galvani

 

Porto Alegre foi contemplada com sete apresentações da Cia. Brasileira de Ópera, o sonho do Maestro John Neschling que se concretiza, para felicidade nossa. Nascida a companhia em São Paulo e ensaiando num galpão porque ainda não conseguiu adquirir sua sede própria – eis que os governos estão mais interessados em “otras cositas” – trouxe o primeiro espetáculo selecionado que estreou em Belo Horizonte e agora veio para a capital gaúcha, onde ficou por cinco dias, culminando num domingo de ouro com uma véspera infantil especial, onde a ópera de Gioachinno Rossini foi sintetizada numa exemplar lição de 45 minutos, que na certa conquistará muitos futuros admiradores da atividade musical/teatral.

Foi assim que o Teatro do SESI, localizado na sede da FIERGS, bem distante do circuito central da capital ou de seus bairros mais “nobres”, lotou para receber um público mirim (mais pais e avós) para ver a genial criação da companhia, que misturou figuras com recursos de desenhos cinematográficos, projeção de slides, explicações a viva voz no centro do palco e desempenhos dos astros principais, recursos virtuais e ainda legendas no topo do palco para que todos compreendessem o italiano do século XIX que nos chegava através da ópera “O Barbeiro de Sevilha”.

Foi uma experiência inesquecível, que nos obrigou a buscar mais dados sobre o empreendimento. Então ficou-se sabendo que a companhia daqui segue para Florianópolis, em julho. E que veio de Belo Horizonte onde houve a récita inaugural. E que há muitos planos para o futuro imediato, percorrendo o resto do Brasil.

E tudo isso com o investimento feito através da Lei Rouanet, pela Petrobrás e Banco do Brasil, autorizada que foi a captação de 14 milhões. Mas, desse montante, só foi possível capturar 10 milhões, e ainda assim com metade pelas duas empresas estatais e a outra metade pelo próprio Ministério da Cultura.

Mas, que presente para a população que pode, afinal de contas, deliciar-se com algo que nada tem a ver com os escândalos e tragédias diariamente apresentados pelos nossos jornais, rádios e tevês, que é bom que despertem, pois estão colecionando o negativo, com grande ênfase e destaque e com resultados didáticos os mais eloqüentes possíveis…

A concepção é de Joshua Held que faz com que o próprio compositor Rossini contracene divertidamente com os músicos, e coube ao diretor cênico Píer Francesco Maestrini formular a relação entre o mundo real do palco e a criatividade da animação, através de desenhos e projeções um resultado integrado. E assim foram as demais apresentações, durante as últimas quatro noites da semana, inclusive neste primeiro domingo de julho.

Pepes do Vale, Leonardo Neiva, Luciano Botelho e Anna Pennisi integram o elenco que capricha que exploram ao máximo as virtudes da partitura e a suas possibilidades cênicas.

O Ministério da Cultura já disse, através do seu atual titular Juca Ferreira, que pretende ajudar a companhia até que esta se possa sustentar sozinha. Enquanto isso, felizmente, vai derramar alguns milhões como fez agora na corrida inicial.

Ainda bem que não é só o futebol que merece nossa atenção…

BOLA COM “CHIP”

domingo, 4 de julho de 2010

Publicada no jornal ABC DOMINGO

dia 4 de julho de 2010

Walter Galvani

Podem tomar nota, esta é a última Copa do Mundo com a velha e tradicional bola, aquela que pega efeitos e engana os bons e os maus jogadores e entra riscando ou pica dentro do gol e o juiz não vê. Acabou a inocência no futebol mundial, nessa Copa em que aconteceu de tudo, inclusive “mão de Deus”, como Maradona havia apelidado a sua famosa conquista, quando a Argentina foi campeã.

Mas, a FIFA depois de mandar retirar o sofá da sala – explica-se: quando alguém estava sendo passado para trás pelo vizinho, mandou retirar o sofá da sala, onde ele praticava sexo com sua mulher e então, desapareceu o problema… – então foi mais ou menos isso que a entidade máxima do futebol tentou fazer: “Ficam proibidos os “replays” nos grandes telões dos estádios”. Ora, tirar o sofá da sala não resolve nada, como se sabe e assim, a única saída será encontrar alguma forma técnica de aviso imediato de algum acidente de partida que possa ocorrer e assim, manter um simples controle e os telões, para que a informação chegue completa a todos os presentes no estádio e não restem dúvidas sobre a lisura das arbitragens. Quer dizer, com o tal “chip”, pelo menos nos casos mais graves se livra a responsabilidade do juiz. E da FIFA naturalmente… que não precisará mais pedir desculpas como ocorreu este ano.

Como isso vai ser resolvido, veremos; para tanto o avanço prodigioso da tecnologia nos dará uma resposta, mesmo que tenha um custo para a popularidade deste joguinho de onze contra onze, uma bola e duas goleiras com redes, que se arma em qualquer recanto do mundo e se joga de chuteiras ou de pés descalços… Nos campinhos de várzea não haverá solução e uma bola com “chip” seria mais um transtorno que nada. Mas, somos do tempo em que as chamadas pelotas de couro eram amarradas com uma coisa chamada “tento” e enchidas à base de bomba de bicicleta! Bons tempos! Não voltam mais, como não voltará a discussão nas mãos e nos olhos exclusivos do juiz e nem o Brasil à Copa da África do Sul, porque essa já era e estamos de volta em casa, ao trabalho. Pode ser que agora não se interrompam mais expedientes para assistir oitavas, quartas, semifinais ou finalíssima, porque a camisa da CBF, amarela ou azul não estará em campo. Pelo menos esse ano…

A ERA DA INOCÊNCIA ACABOU…

domingo, 4 de julho de 2010

Crônica publicada no Diário Popular de Pelotas

em 4 – 7 – 2010 

Walter Galvani

 

 

A saída do Brasil da Copa do Mundo não tem nada a ver com isso, mas o fato é que a grande lição que fica é de que a era da inocência acabou… Nunca mais vai se disputar uma competição tão importante, envolvendo tantos países, valores, patrocinadores, movimentação das nações e suas populações no esporte que hoje é o mais popular da terra, com a simples bola de couro que se usou desta vez. Vem aí a bola com “chip”, não tem mais remédio e só não se sabe bem como é que a FIFA vai resolver o problema do telão nos estádios e o “replay”, mas o certo é que a tentativa esdrúxula de “retirar o sofá da sala”, como foi este ano, nunca mais se repetirá. Explica-se: proibir a repetição do lance, para que o público não se dê conta que o árbitro falhou, essa não! Ao mesmo tempo, uma interrupção do jogo para que todos revejam um lance, é impraticável e tornaria o futebol monótono e insuportável.

Um “chipzinho” amigo docemente acomodado no interior da bola, capaz de dar o alarme quando ela quicar além da linha do gol ou alguma invenção nova que garanta também assinalar infração, isso será plenamente realizável, embora o erro do juiz e seus auxiliares deva ser computado como uma possibilidade insubstituível.

Imperfeito como todas as coisas humanas, assim como os craques tem limites e podem errar, também a “mão de Deus” pode continuar baixando nos estádios, o erro continuará pilotando muitas ações. Sem isso, seria um jogo mecânico de possibilidades e resultados matemáticos e isso nem no xadrez se obtém, pois embora os computadores joguem muito bem, acabam perdendo para os “grandes mestres”. Assim, a certeza da superioridade tanto do talento, quanto dos defeitos humanos, sobrepaira sobre uma competição como esta.

A bola começou de meia preenchida com capim, depois virou uma pelota de couro amarrada com uma tira, chamada “tento”, veio a importante inovação da “bola sem tento” e chegou-se a “jabulani” (que para Luis Fabiano é “sobrenatural”), mas iremos adiante. Não se espere crescimento da moral e da ética em campo, pois continuarão cometendo faltas e deslealdades, agressões e fraudes. A tecnologia poderá dar um basta no pior e contribuir para a transparência das competições. É o que se espera do velho e humilde “esporte bretão”, hoje o esporte dos deuses que ganham num mês o que você leva dois ou três anos para juntar…