Walter Galvani
Não há dia em que o noticiário não registre a ocorrência de desastres e engarrafamentos em ruas, avenidas, cruzamentos e sinaleiras de nossas cidades, e, de um modo especial, na BR-116, a estrada que nos liga à capital, particularmente no trecho que atravessa a populosa cidade de Canoas.
Culpa de quem? Das autoridades que não investiram na construção de novas estradas ou providenciaram vias alternativas? Sim, mas também dos motoristas que, de um modo geral pensam que sabem dirigir, mas na verdade não o sabem, pois desrespeitam as regras mínimas de trânsito e os outros, que possuem os mesmos direitos.
Você que me lê agora, já experimentou manter a “distância regulamentar” do veículo que vai a sua frente? Sabia que a lei diz que ela é variável, de acordo com a pista e a idade… do carro? E se já o fez, qual foi o resultado? Uma surra de buzinas, palavrões e até em certos casos, agressões? Dia desses tivemos um desastre envolvendo quinze veículos.
A vingança da Natureza que já nos mandou pelo menos sete tornados como novidade dos últimos anos, mas sem dúvida uma revanche mínima diante dos 54% de vegetação original roubados ao nosso Bioma Pampa pela ocupação historicamente indiscriminada, perde para o trânsito, onde a notícia é diária, inesperada, mas uma guerra em que todos perdem.
No trânsito ainda há, quando as estradas e avenidas o permitem, muitos são os que vão além do permitido. Nome disso? Falta de educação para o trânsito, desrespeito aos demais, aos pedestres, aos ciclistas.
Enfim, o que temos é um coquetel de violência, prepotência, falta de educação, raiva, frustrações compensadas pelo uso da máquina e desrespeito geral, tendo em vista a impunidade imaginada, desejada, sonhada ou real. E também, por parte dos pedestres, falta de respeito aos sinais e faixas de segurança.
Quinhentas casas destruídas por um tornado, como esse de Canela, Gramado e Imigrantes, assustam, mas, quantas vezes já desistiu você de ir a Porto Alegre, por exemplo, ou de lá retornar, devido aos engarrafamentos? E a quem debitar as dezenas de mortes no trânsito a cada semana?
E ainda tem o General Inverno. Ele está entre nós.
Crônica publicada no ABC DOMINGO de 25 de julho de 2010