A ERA DA INOCÊNCIA ACABOU…

Crônica publicada no Diário Popular de Pelotas

em 4 – 7 – 2010 

Walter Galvani

 

 

A saída do Brasil da Copa do Mundo não tem nada a ver com isso, mas o fato é que a grande lição que fica é de que a era da inocência acabou… Nunca mais vai se disputar uma competição tão importante, envolvendo tantos países, valores, patrocinadores, movimentação das nações e suas populações no esporte que hoje é o mais popular da terra, com a simples bola de couro que se usou desta vez. Vem aí a bola com “chip”, não tem mais remédio e só não se sabe bem como é que a FIFA vai resolver o problema do telão nos estádios e o “replay”, mas o certo é que a tentativa esdrúxula de “retirar o sofá da sala”, como foi este ano, nunca mais se repetirá. Explica-se: proibir a repetição do lance, para que o público não se dê conta que o árbitro falhou, essa não! Ao mesmo tempo, uma interrupção do jogo para que todos revejam um lance, é impraticável e tornaria o futebol monótono e insuportável.

Um “chipzinho” amigo docemente acomodado no interior da bola, capaz de dar o alarme quando ela quicar além da linha do gol ou alguma invenção nova que garanta também assinalar infração, isso será plenamente realizável, embora o erro do juiz e seus auxiliares deva ser computado como uma possibilidade insubstituível.

Imperfeito como todas as coisas humanas, assim como os craques tem limites e podem errar, também a “mão de Deus” pode continuar baixando nos estádios, o erro continuará pilotando muitas ações. Sem isso, seria um jogo mecânico de possibilidades e resultados matemáticos e isso nem no xadrez se obtém, pois embora os computadores joguem muito bem, acabam perdendo para os “grandes mestres”. Assim, a certeza da superioridade tanto do talento, quanto dos defeitos humanos, sobrepaira sobre uma competição como esta.

A bola começou de meia preenchida com capim, depois virou uma pelota de couro amarrada com uma tira, chamada “tento”, veio a importante inovação da “bola sem tento” e chegou-se a “jabulani” (que para Luis Fabiano é “sobrenatural”), mas iremos adiante. Não se espere crescimento da moral e da ética em campo, pois continuarão cometendo faltas e deslealdades, agressões e fraudes. A tecnologia poderá dar um basta no pior e contribuir para a transparência das competições. É o que se espera do velho e humilde “esporte bretão”, hoje o esporte dos deuses que ganham num mês o que você leva dois ou três anos para juntar…

Deixe um comentário