Sabemos: “Com brasileiro, não há quem possa!” E este é o recado que aprendemos, desde que levamos na cabeça no Maracanã em 1950, quando a seleção perdeu para o Uruguai, por 2 x 1, naquilo que todos, à época, achavam como “inacreditável.” Pois, aconteceu, e eu, como tantos então, um menino de 16 anos, tomei minha primeira grande lição de vida e o ensinamento de que o fracasso também ajuda a encontrar os defeitos. Ajuda mesmo?
Pois assim foi. E se sucederam os anos até que chegamos a este 2010, quando para a surpresa dos nossos 193 milhões de técnicos de futebol, que acham que sabem mais do que doze Dungas, pagaram o preço do seu orgulho e prepotência. Não somos os únicos que sabem jogar o jogo, ao que se diz inventado pelos ingleses, mas, pelo menos regrado e disciplinado por eles.
Continuando no terreno da crônica esportiva, onde tive a sorte e a oportunidade de militar até 1966, Copa na Inglaterra, chegamos a mais uma decepção por sempre achar que somos os melhores. Podem existir outros, tão bons como nós, como a “fúria” espanhola ou a “laranja mecânica” que hoje se defrontam a partir das três e meia da tarde na África do Sul.
Para chegarem até aqui, e é preciso que se aprenda a lição, agora bem distante da pura “crônica esportiva”, é que podem existir gols ilícitos, bolas tiradas com a mão, enganos propositais, erros de arbitragem, interesses escusos, brigas de beleza ou acasos, posições “off-side”, burrice e até inteligência… mas são muitos os caminhos e descaminhos, os obstáculos e os desvios da sorte que podem levar ao final os propósitos que temos não só no esporte, mas na vida.
E esta é a força e a importância de uma competição esportiva, é o que confere ao esporte sua dignidade e seu “status” de lição. Sem a compreensão em toda a extensão destes episódios que se sucedem ao longo destes anos todos, oitenta, só interrompidos pela II Guerra Mundial que envolveu toda a Europa de 39 a 45, e espaçou as Copas entre 38 e 50, esta já no Brasil, não se pode entender toda a profundidade do que, literalmente, é posto em jogo. E que não se trata apenas de um brinquedo infantil com uma bola posta em movimento.
Crônica publicada hoje no ABC DOMIMGO