Walter Galvani
Tenho o maior respeito pelos economistas – a culpa não é deles que “inventaram” de lhes dedicar como o “Dia”, o 13 de agosto que, como este ano, acabou caindo numa sexta-feira – mas acho que a divulgação das suas conclusões mereceria um trabalho mais acurado. Ou então, é que andam contratando gente incapaz para esta parte da operação.
Tanto é assim que, justo neste tal “dia”, um órgão nacional, o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA) divulgou um estudo intitulado “Desigualdade da Renda no Território Brasileiro” que chegou à espantosas conclusões, ou foi muito mal divulgado e assimilado pela “mídia”.
Mais da metade do Produto Interno Bruto brasileiro vai para 10 por cento dos municípios brasileiros. Lá estão os mais ricos. E os mais pobres também.
Como diz a minha empregada doméstica, onde tem rico, tem pobre. Na sua lógica da obviedade o instituto em questão enxerga o mesmo que ela. E que as diferenças entre o pátio ela e o meu, mostra as diferenças de uma riqueza mal distribuída. Na opinião dela, é claro, o que é justo e lógico, assim como eu penso a mesma coisa com relação aos Matarazzo e eu…
“Veja como o mundo é injusto, digo à ela, eles tem cinco carros e eu um só!”
Estudos assim, quando são divulgados, aproveitando a imensa boa vontade dos órgãos de comunicação, que querem se valer de dados palatáveis pela população, mas precisam ser mastigados, digeridos e fornecidos no suco apenas. Tudo isso implica numa tarefa a que não me disponho fazer, apesar dos meus 56 anos de atividade jornalística. Não sou louco, nem nada. Ainda não aprendi como transformar este abacaxi em limonada. Não dá. São produtos diferentes.
Assim é que preferiria que entidades governamentais tivessem mais cuidado ao expelir conclusões. Elas podem sair por caminhos inesperados, diferentes dos canais que a boa vontade imaginaria. E depois, sempre tem os ranzinzas esperando o “produto” para avacalhar com as conclusões sejam elas estatais ou privadas…
Crônica especial para o Diário Popular, Pelotas (15 de agosto 2010