TUDO É GRANDE NO BRASIL

Neste país de 192 milhões de habitantes, ops! – um pouco mais agora que escrevi e você acabou de ler – tudo muda de uma hora para outra, tudo é grande demais, tudo pode ser excessivo e os cálculos sempre chegam DEPOIS dos resultados se produzirem. Não há como não ser assim e levaremos três gerações nos acostumando com a prudência, a humildade, a aceitação do mínimo e o respeito pelos outros.

Começando pelas vuvuzelas, lamentavelmente importadas com a Copa do Mundo na África do Sul e que agora atanazam nossa paciência na madrugada das comemorações esportivas. Clubes brasileiros alinham campeonatos internacionais como se a Era do Santos de Pelé não houvesse acabado nos anos sessenta e agora, a propósito de nada ou de tudo, apresentamos nossos fantásticos (e aterradores) números. Em tudo somos, fomos ou seremos “os maiores e os melhores”. Não nos conformamos com nada e só quem quiser ir na contramão da História é que apresentará números conflitantes ou fatos que nos diminuam.

Não é por nada que um escritor esteja sendo contestado ( Leandro Narloch) por escrever que os Irmãos Wright voaram antes de Santos Dumont. Desmontar a balela é tarefa para estudiosos como Alcy Cheuiche, mas para a maioria, sem exame e estudo do assunto, é tentativa de diminuir o Brasil, cujo pavilhão a “brisa… beija e balança, com as promessas divinas da esperança”. Dessa construção ninguém escapa e até uma revolução que foi derrotada, foi a “maior da História”, ou não nos interessa celebrá-la. Esse é o Brasil.

Todos os dias se diz e escreve que produzimos o maior número de empregos do mundo, que não temos guindastes e material de construção, tal a febre de novos edifícios, fábricas e estradas, que teremos também “a maior eleição do mundo”, com o maior número de partidos e candidatos, e programas e ocupação do tempo e do espaço das mentes populares.

Estamos todos – como diria meu amigo Enio Sandler – com uma bomba relógio entre as mãos. Cresce tudo, inclusive a imoralidade política, e até mesmo nos escândalos somos campeões da América. E Bi do mundo logo ali adiante. Nada contra os feitos do Internacional de Porto Alegre que já projeta um desfecho com a Internazionale de Milão. Clube que, provavelmente foi seu padrinho de batismo, sem saber do coirmão distante e primo pobre que nascia em 1909 numa província do Brasil. O futuro gigante.

Publicado em 22 de agosto de 2010 no jornal ABC DOMINGO

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