CENTO E VINTE ANOS DO “DIÁRIO POPULAR” DE PELOTAS

Walter Galvani

 

Os números redondos são mágicos e por isso utilizados na hora das comemorações. Um centenário é uma conquista enorme porque significa cem anos de dedicação, de persistência, de dedicação à uma comunidade, como é o caso do Diário Popular com Pelotas. Esta é uma das principais cidades do Rio Grande do Sul e só não alinhamos aqui que ela é a principal, porque fatores políticos transformaram Porto Alegre na capital do estado, quando ainda província.

Mas, um número redondo como esse, não exclui o festejo dia por dia, do milagre de arrancar um jornal do zero e construí-lo durante a tarde, a noite e a madrugada para entregá-lo na casa do cliente, do assinante ou do comprador ao alvorecer.

Com o crescimento dos meios eletrônicos poder-se-ia imaginar talvez que o jornal impresso estaria superado. Mas, não só não está, como desta concorrência dos novos meios, surgiram exigências difíceis de suprir e desafios que precisam ser correspondidos, ultrapassados, superados.

Só a leitura coloca a pessoa em comunhão completa com o veículo que tem em mãos. Troca de informações consigo mesmo, a reflexão, o exame um pouco mais profundo, em meio a este mundo de correrias e insuficiências, de relações não correspondidas e de assuntos irresolvidos.

Não há como aceitar o desafio das comunicações sociais, sem admitir que o jornalismo impresso ainda ocupa a posição ímpar de pelo menos conduzir o leitor a um momento de contato consigo mesmo, de fuga à esta aventura que o simples viver e conviver nos impõe hoje em dia.

É ótimo que os resistentes de hoje atravessem este deserto e consigam chegar do lado de lá, onde os felizes comemoram o acerto de suas decisões. Li esta semana que as pessoas que nada fazem, são infelizes. Então, meus parabéns aos jornalistas, aos empresários da comunicação, que precisam se reinventar diariamente para entregar aos leitores algo que possa dar sabor ao seu difícil dia.

Crimes, acidentes, mortes, crises, falta de dinheiro, baleia encalhada, derrotas, por vezes vitórias esportivas, eleições, esta é a matéria prima. Às vezes não dá para fazer pão.

Mas é preciso produzir “o pão nosso de cada dia”. Como o Diário Popular o faz, há 120 anos. Parabéns! Valeu a pena “e a alma não é pequena…”

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