Walter Galvani
Pois é, gente, instalou-se diante de nós, neste pobre começo de século, pressagiando por isso mesmo que o pior está por vir, um verdadeiro “circo de horrores”, com tortura “asiática”, pobreza “africana”, crime “à moda americana” e insensibilidade, digamos… “européia”, ou indigna até das velhas civilizações, aquelas que “já viram tudo” e não esperam nada mais.
Usando uma expressão corrente, poderia dizer-se que os que ainda tinham alguma fé no futuro, tratem de fazer as suas malas. Ou, usando uma expressão gauchesca muito em moda nestes momentos de Expointer, “apeiem-se”… Não dá mais.
Fraudes, roubos, apropriações indébitas, desvios de contas, mistura de dinheiro legal com ilegal, publicação de dados sigilosos, tudo isso faz parte do nosso prato do dia e essa comida toda, mal temperada e deteriorada, acabará fazendo mal ao paciente. Ou impaciente, conforme o ângulo de visão.
Isso é o que nos tocou viver e é preciso ter muita calma e aceitar que estamos assistindo, com a cortina do palco aberta, a luta que se imaginava apenas de bastidores, pelo Poder. Sim, Poder com P maiúsculo, e – pobre língua portuguesa – estou abusando dela para conseguir interpretar o que se passa, aqui e ali, nos palácios e em seus porões e na sociedade como um todo.
Ladrão de casaca, que antes era coisa de cinema, agora é um tipo encontrável em qualquer lugar e podemos ser assaltados tanto na rua como no chamado “recesso dos nossos lares”, ou no banco onde depositamos nosso rico dinheirinho, ganho com o suor do nosso rosto, ou até por meios virtuais.
A nova bossa é furtar, meter a mão no bolso alheio, surrupiar, qualquer termo antigo – mais uma vez nos valendo da boa, forte e expressiva língua que nos legaram.
Atentos, parecemos todos. Desde a Polícia Federal até o Ministério Público e quando menos se espera até por quem deveria mesmo se preocupar e cuidar dos seus “filhos” ou “súditos”. Antigamente, era o Rei que cuidava de tudo. Agora, somos nós mesmos que temos de estar tomando providências, eis que a vida se tornou tão complexa que poderemos até ser soterrados e ficar a depender de um socorro que poderá ou não, chegar no prazo de quatro ou cinco meses.
Crônica publicada hoje no
jornal ABC DOMINGO