Crônica publicada no jornal “Diário Popular” de Pelotas, o diário mais antigo em circulação no Rio Grande do Sul
Walter Galvani
Fui a Santo Antonio da Patrulha, município-mãe de metade do Rio Grande do Sul, para a sua primeira Feira do Livro e me dei conta de que Pelotas já fez a sua e muito antes, logo depois de Porto Alegre. Olhei esta semana o teatro São Pedro e me lembrei que o “Sete de Abril” é mais antigo.
Admirei o excelente álbum de fotos da capital, feito pelo Leonid Streliaev com as também excelentes fotógrafas Liane Neves e Adriana Franciosi e também me lembrei que Pelotas já fez um trabalho semelhante. E lá em Santo Antonio da Patrulha, isso foi lembrado, eles querem fazer um trabalho igual, usando as fotos de “um olhar sobre a cidade” que estão expostas no Museu Caldas Júnior, e não faltou uma referência à ilustre cidade que liderou a cultura gaúcha durante tantos anos e hoje não fica para trás. Só nos encanta.
Assim é que é vista Pelotas, saibam os que não residem aí, ou nas suas proximidades, e todos sabem que alguns dos maiores vultos da literatura gaúcha nasceram ou viveram na “Princesa do Sul”, tal como João Simões Lopes Neto ou Lobo da Costa.
Agora mesmo, vivendo aí num dos municípios que fazem a cintura metropolitana de Pelotas, reside Aldyr Garcia Schlee, um dos mais talentosos escritores de hoje, grande pesquisador, conhecedor da literatura dos vizinhos argentinos e uruguaios, “Don Frutos” que o diga, sem falar em outras contribuições à vida e à cultura do Brasil, desde sua mocidade.
É preciso levar em conta a presença e a importância desta cidade e mirar-se em seu exemplo. Nada será errado, se for feito em suas pegadas. Mesmo tendo que dizer, “Pelotas já fez…”, é simples, é que se está no caminho certo.
Que o ateste, inclusive, este maravilhoso “Diário Popular”, o mais antigo diário em circulação no Rio Grande do Sul e que não pretende parar tão cedo. Portanto, quando o Caldas Jr. lançou o “Correio do Povo” em 1895, deve ter ouvido de alguém este lembrete: “Jornal diário? Pelotas já tem!”
O importante contudo, é que a cidade de Pelotas está preparada para os desafios do futuro. Ela não ficou parada no tempo e no espaço, e além de gerar tantos outros municípios, como célula-mãe, amparou, orientou e preparou uma fatia notável da intelectualidade gaúcha em seus bancos escolares e universitários.