“MUDEI EU…”
Walter Galvani
Pastores, padres, poetas, correi, a velha e correta pergunta de Machado de Assis, até hoje o maior (e indiscutível) nome das Letras brasileiras, está no ar, mais uma vez: “Mudaria o Natal, ou mudei eu?…”
Por mais pragmáticos, materialistas e quem sabe ateus que tenhamos nos tornado, ao longo da vida, com seus tropeços, dúvidas, decepções, frustrações e alegrias inesperadas, ódios e amores, amizades e rancores, reconhecimentos e esquecimentos, há sempre uma mística permanente, oriunda das velhas crenças que nos foram transmitidas na infância e que se constituem num dos fundamentos da nossa personalidade.
Com aquela base de fé e esperança, os maiores céticos esquecem à esta época do ano suas posições radicais e se deixam levar na onda de abraços e felicitações, desejos de paz e tranquilidade, e acabam se integrando nesta vaga de boa vontade e que de tão forte, conta a História já quase transformada em lenda, serviu até para interromper hostilidades bélicas nas duas primeiras guerras mundiais.
Através destes fatos e estas recordações, recobramos forças e pensamos até em acreditar nas promessas alheias, longe das questões egoísticas ou propósitos pessoais ou coletivos, distante das ambições e orgulhos, preconceitos e ódios.
Todos os subprodutos da ignorância e da vaidade rolam por terra, aos pés da assim simbólica árvore de Natal, e confraternizamos crendo que o novo sol nos trará a ambicionada convivência pacífica e a paz, sem diferenças políticas, sem disputas territoriais, combates étnicos ou desejos descabidos.
Em geral, o dia 25 amanhece nesta quentura de desejos e sonhos para serem realizados e nossos espíritos adormecidos no conforto da solidariedade derramada ostensivamente, até como contrapartida das orações leigas ou religiosas, e nos preparam para a última semana do ano.
E é assim mesmo agora em 2011 e como o foi em 2010, justamente considerando esta contagem que nasceu a partir do calendário cristão e, por certo continuará enquanto houver vida sobre a Terra ou em algum dos seus companheiros de trajetória cósmica, se é que existem e são habitados por criaturas como nós. Quanto ao Natal, que não mudou… acho que mudei eu…
Pois então, meu caro Walter Galvani, tenho um motivo a mais para te apresentar o meu abraço fraterno com votos de um Natal muito feliz. E que sejam de paz, saúde e bem-estar todos os teus dias do ano que se aproxima.