CULPA DE TODOS. E DE NINGUÉM…

Crônica publicada dia 8/1/2012 no jornal 

DIÁRIO POPULAR, de Pelotas

Walter Galvani

 

Devastações pela seca no Rio Grande do Sul, inundações destruidoras no Rio, Minas, Espírito Santo, basta rastrear os dois extremos pelo mundo afora. Perdas na agricultura, deslizamentos de morros, quedas de barreiras, pontes e trechos de estradas. Este é o panorama com que adentramos 2012 e com o qual deveremos conviver nos próximos dias. E meses. E talvez anos…

O fato é um só: estamos vivendo no mesmo planeta que segue sua trajetória em torno ao Sol e arrastando a Lua com todas as suas instabilidades, enquanto o homem se dedica a destruir sem parar seu Meio Ambiente, tentando apossar-se de encostas, rios, lagos, mares, montanhas. Fazendo o possível para destruir o que pode.

Os governos são incapazes de trabalhar dentro dos próprios territórios sobre os quais tem autonomia política, imaginem se seria possível trabalharem unidos, mundialmente!

E então, é o que se vê. O que é feito lá na Argentina repercute aqui, o que fazemos de errado estoura nas costas do Uruguai, o Paraguai ainda não parou de perder a guerra que encetou no século dezenove contra o trio e o Brasil é o pior sócio que se poderia esperar, além de que, com seu vasto território e uma cobertura nacional de televisão, ter se transformado no “circo dos horrores” e o “fantástico show de todos os dias”, já que inundações e secas se sucedem diante dos olhos e ouvidos de todos, revezando suas atrações.

Já se sabe no que isso vai dar. O ano de 2005 foi apenas uma amostra, mas muita gente nem se lembra mais e a perda de 25% da produção agrícola do Rio Grande do Sul, pode acabar em cem por cento…

A emigração para as cidades ainda não terminou, a falta de moradias e de emprego não é vista como uma consequência desta carência do campo, e o orçamento destinado pelos governos à produção agrícola, não chega nem perto do que eles destinam à Copa do Mundo de futebol.

É um esporte fascinante o jogo inventado pelos ingleses e hoje praticado pelo mundo inteiro, mas o “foot-ball”, o “pé-bola”, não precisa desta tolerância ou desta dedicação exclusiva.

Não é por nada que o cultivo da agricultura e a criação de gado, em forma extensiva como são praticados pelo Rio Grande do Sul, sejam chamados de “atividades primárias”. Por muito menos Pelotas, Piratiní, Bagé, Caçapava, São Gabriel, Rio Grande, Alegrete, viveram uma guerra de dez anos, no século dezenove.

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