A IMPRUDÊNCIA NAS ESTRADAS

Não é apenas a bebida a culpada pelos acidentes, mas sim o abuso da velocidade por parte de oitenta por cento dos motoristas  

Walter Galvani

 

Quando você vê o noticiário e constata que um automóvel virou um monte de peças de aço e plásticos retorcidos e que ali, naquele acidente perderam a vida, duas, três quatro pessoas, reflita. Sobre si mesmo: “E eu, trafego na velocidade adequada?” Porque a única explicação para tantos desastres e tantas mortes é o excesso de velocidade. Se para isso contribui eventualmente o uso de bebidas alcoólicas pelo motorista, não quer dizer nada, diante do percentual absurdo dos que ultrapassam os limites.

Não se trata da capacidade dos veículos, dos materiais com que são confeccionados, da obediência as leis da Física que determinam sua resistência, seus deslocamentos. No velocímetro as montadoras incluem limites absurdos, tipo 200 ou240 quilômetrospor hora, que só podem ser alcançados numa “autobahn” da Alemanha, onde não há cruzamentos, e as pistas são separadas por muros e telas. Ninguém pode passar de uma para outra das faixas. Esse é o critério que define o que é uma “free-way”. As nossas aqui são impropriamente denominadas assim, via-livre coisa nenhuma! Estrada de perigo, isso sim.

Então, numa simples batida, um carro vira uma sucata e o motorista e os passageiros escapam com vida, em muitos casos, por pura sorte. Muito feridos, ou para morrer logo depois ou ficarem incapacitados para o resto dos seus dias.

Os jovens, imprudentes por natureza, até porque o próprio diabo, “sabe mais por velho do que por diabo”, matam e matam-se. São dez, doze, a cada fim de semana, só no estado do Rio Grande do Sul.

Noite passada, foram quatro primos, felizes, que viajavam para a Argentina, interromperam suas vidas. Viraram fantasmas que assombrarão as rodovias, cruzes à beira da estrada. Pena que não servirá para nada seus exemplos.

No próximo fim de semana, teremos mais uma penca de mortes, por fruto do verão, da “caipirinha”, das estradas e da confiança ilimitada nos veículos.

A imprudência das estradas pode ser incorporada também a que se vê nas ruas das cidades, antigamente só das grandes, hoje também das pequenas e médias.

É que o problema está na cabeça dos motoristas que se julgam onipotentes, só querem “vencer” os competidores e ultrapassar quem se atreva a se lhes antecipar.

E as crianças morrem afogadas. Ontem foi o menino de Torres, noite passada três meninos morreram  numa lavoura de arroz, sugados por uma bomba, de dentro de um açude.

É muito calor, muita falta de cuidado por parte de pais, amigos, irmãos, avós.

Estava escrito? Mas, eu preferiria que eles continuassem vivos e que não tivessem abandonado sua existência de forma assim, abrupta, trágica, lamentável.

Crônica do dia 10 de janeiro de 2012

 

 

 

 

Um comentário para “A IMPRUDÊNCIA NAS ESTRADAS”

  1. Almiro Zago disse:

    A crônica nos traz real e preciso diagnóstico das causas da mortandade crescente no trânsito em nossas ruas e estradas. O problema está mesmo nas cabeças ocas de muitos condutores irresponsáveis. Cumprimentos, Galvani.

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