Arquivo da Categoria ‘Dia-a-Dia’

O TEMPO E O VENTO

domingo, 29 de agosto de 2010

Crônica publicada hoje no jornal ABC DOMINGO 

Walter Galvani

 

Entramos na reta final do ano, esta semana estréia setembro, teremos dois feriadões, dia 7, independência do Brasil e o 20 de setembro, que ainda precisa de muita discussão, pois, para muitos ainda não chegou “a aurora precursora do farol da liberdade” e, no entanto, multiplicam-se os “acampamentos farroupilhas” pelo estado afora, começando pela capital que, aliás, só foi rebelde nos primeiros dias naquele 1835. O hino nasceu mais adiante, quando foi feito prisioneiro Mendanha, o músico-chefe da banda imperial, que acabou fugindo e levando seus instrumentos.

O hino, que hoje cantamos de cor, estufando o peito, teve a letra composta por Chiquinho da Vovó e apresentado num salão de baile em Rio Pardo. Nada a estranhar portanto, se hoje ele alcança tanto sucesso popular, principalmente depois que perdeu uma estrofe em 1966. Já vinha de algumas mudanças ao longo do tempo. E chegou até nós com a repetição de “precursora” e “precursor” na proximidade de dois versos. Não parece ser uma obra-prima, mas os demais brasileiros ficam assombrados quando os gaúchos cantam e sabem de cor a letra (atual, repito). Tem gente que sabe o hino do Flamengo, outros brasileiros, o do Coríntians. Nós sabemos o “Hino Farroupilha” e alguns, de carona, o “Até a pé nós iremos” ou o “Glória do desporto nacional”, único lugar onde a palavra desporto em lugar de esporte, parece sobreviver.

O que eu dizia, no entanto, é que com o hino ou sem ele, estamos entrando no último quadrimestre e depois das paradas festivas, teremos a  Feira do Livro de Porto Alegre, a mãe de todas as feiras do Rio Grande, e o marco da reta final do ano. Termina a feira, vem as compras de Natal, o encerramento do ano letivo e as férias.

Se você ainda não se deu conta disso, pense logo e rapidamente, pois a gente pode acabar atropelado por esta correria do fim de 2010. Depois é pensar em 2011, e por aí vai. Cada dia parece que o tempo passa mais rapidamente e isso se deve a vários fatores e não só idade, para todos nós. Os que crescemos e os que morremos. Velocidade é a palavra, a maioria nem se aprofunda mais em nada e infelizmente, enquanto você me lia já se foram mais três minutos. Corra para não perder o próximo trem. Aliás, daqui a pouco teremos o Trensurb chegando a Novo Hamburgo e as possíveis correções no meio do caminho que aliviem a conturbada BR 116 que estará pior na semana que vem. Em meio a isso tudo, teremos as promessas dos futuros eleitos.

CENTO E VINTE ANOS DO “DIÁRIO POPULAR” DE PELOTAS

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Walter Galvani

 

Os números redondos são mágicos e por isso utilizados na hora das comemorações. Um centenário é uma conquista enorme porque significa cem anos de dedicação, de persistência, de dedicação à uma comunidade, como é o caso do Diário Popular com Pelotas. Esta é uma das principais cidades do Rio Grande do Sul e só não alinhamos aqui que ela é a principal, porque fatores políticos transformaram Porto Alegre na capital do estado, quando ainda província.

Mas, um número redondo como esse, não exclui o festejo dia por dia, do milagre de arrancar um jornal do zero e construí-lo durante a tarde, a noite e a madrugada para entregá-lo na casa do cliente, do assinante ou do comprador ao alvorecer.

Com o crescimento dos meios eletrônicos poder-se-ia imaginar talvez que o jornal impresso estaria superado. Mas, não só não está, como desta concorrência dos novos meios, surgiram exigências difíceis de suprir e desafios que precisam ser correspondidos, ultrapassados, superados.

Só a leitura coloca a pessoa em comunhão completa com o veículo que tem em mãos. Troca de informações consigo mesmo, a reflexão, o exame um pouco mais profundo, em meio a este mundo de correrias e insuficiências, de relações não correspondidas e de assuntos irresolvidos.

Não há como aceitar o desafio das comunicações sociais, sem admitir que o jornalismo impresso ainda ocupa a posição ímpar de pelo menos conduzir o leitor a um momento de contato consigo mesmo, de fuga à esta aventura que o simples viver e conviver nos impõe hoje em dia.

É ótimo que os resistentes de hoje atravessem este deserto e consigam chegar do lado de lá, onde os felizes comemoram o acerto de suas decisões. Li esta semana que as pessoas que nada fazem, são infelizes. Então, meus parabéns aos jornalistas, aos empresários da comunicação, que precisam se reinventar diariamente para entregar aos leitores algo que possa dar sabor ao seu difícil dia.

Crimes, acidentes, mortes, crises, falta de dinheiro, baleia encalhada, derrotas, por vezes vitórias esportivas, eleições, esta é a matéria prima. Às vezes não dá para fazer pão.

Mas é preciso produzir “o pão nosso de cada dia”. Como o Diário Popular o faz, há 120 anos. Parabéns! Valeu a pena “e a alma não é pequena…”

TUDO É GRANDE NO BRASIL

domingo, 22 de agosto de 2010

Neste país de 192 milhões de habitantes, ops! – um pouco mais agora que escrevi e você acabou de ler – tudo muda de uma hora para outra, tudo é grande demais, tudo pode ser excessivo e os cálculos sempre chegam DEPOIS dos resultados se produzirem. Não há como não ser assim e levaremos três gerações nos acostumando com a prudência, a humildade, a aceitação do mínimo e o respeito pelos outros.

Começando pelas vuvuzelas, lamentavelmente importadas com a Copa do Mundo na África do Sul e que agora atanazam nossa paciência na madrugada das comemorações esportivas. Clubes brasileiros alinham campeonatos internacionais como se a Era do Santos de Pelé não houvesse acabado nos anos sessenta e agora, a propósito de nada ou de tudo, apresentamos nossos fantásticos (e aterradores) números. Em tudo somos, fomos ou seremos “os maiores e os melhores”. Não nos conformamos com nada e só quem quiser ir na contramão da História é que apresentará números conflitantes ou fatos que nos diminuam.

Não é por nada que um escritor esteja sendo contestado ( Leandro Narloch) por escrever que os Irmãos Wright voaram antes de Santos Dumont. Desmontar a balela é tarefa para estudiosos como Alcy Cheuiche, mas para a maioria, sem exame e estudo do assunto, é tentativa de diminuir o Brasil, cujo pavilhão a “brisa… beija e balança, com as promessas divinas da esperança”. Dessa construção ninguém escapa e até uma revolução que foi derrotada, foi a “maior da História”, ou não nos interessa celebrá-la. Esse é o Brasil.

Todos os dias se diz e escreve que produzimos o maior número de empregos do mundo, que não temos guindastes e material de construção, tal a febre de novos edifícios, fábricas e estradas, que teremos também “a maior eleição do mundo”, com o maior número de partidos e candidatos, e programas e ocupação do tempo e do espaço das mentes populares.

Estamos todos – como diria meu amigo Enio Sandler – com uma bomba relógio entre as mãos. Cresce tudo, inclusive a imoralidade política, e até mesmo nos escândalos somos campeões da América. E Bi do mundo logo ali adiante. Nada contra os feitos do Internacional de Porto Alegre que já projeta um desfecho com a Internazionale de Milão. Clube que, provavelmente foi seu padrinho de batismo, sem saber do coirmão distante e primo pobre que nascia em 1909 numa província do Brasil. O futuro gigante.

Publicado em 22 de agosto de 2010 no jornal ABC DOMINGO

MAL DISTRIBUÍDO, PIOR COMUNICADO

terça-feira, 17 de agosto de 2010

 

 

Walter Galvani

 

Tenho o maior respeito pelos economistas – a culpa não é deles que “inventaram” de lhes dedicar como o “Dia”, o 13 de agosto que, como este ano, acabou caindo numa sexta-feira – mas acho que a divulgação das suas conclusões mereceria um trabalho mais acurado. Ou então, é que andam contratando gente incapaz para esta parte da operação.

Tanto é assim que, justo neste tal “dia”, um órgão nacional, o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA) divulgou um estudo intitulado “Desigualdade da Renda no Território Brasileiro” que chegou à espantosas conclusões, ou foi muito mal divulgado e assimilado pela “mídia”.

Mais da metade do Produto Interno Bruto brasileiro vai para 10 por cento dos municípios brasileiros. Lá estão os mais ricos. E os mais pobres também.

Como diz a minha empregada doméstica, onde tem rico, tem pobre. Na sua lógica da obviedade o instituto em questão enxerga o mesmo que ela. E que as diferenças entre o pátio ela e o meu, mostra as diferenças de uma riqueza mal distribuída. Na opinião dela, é claro, o que é justo e lógico, assim como eu penso a mesma coisa com relação aos Matarazzo e eu…

“Veja como o mundo é injusto, digo à ela, eles tem cinco carros e eu um só!”

Estudos assim, quando são divulgados, aproveitando a imensa boa vontade dos órgãos de comunicação, que querem se valer de dados palatáveis pela população, mas precisam ser mastigados, digeridos e fornecidos no suco apenas. Tudo isso implica numa tarefa a que não me disponho fazer, apesar dos meus 56 anos de atividade jornalística. Não sou louco, nem nada. Ainda não aprendi como transformar este abacaxi em limonada. Não dá. São produtos diferentes.

Assim é que preferiria que entidades governamentais tivessem mais cuidado ao expelir conclusões. Elas podem sair por caminhos inesperados, diferentes dos canais que a boa vontade imaginaria. E depois, sempre tem os ranzinzas esperando o “produto” para avacalhar com as conclusões sejam elas estatais ou privadas…

 

Crônica especial para o Diário Popular, Pelotas (15 de agosto 2010

A MENTE E A MENTIRA…

domingo, 8 de agosto de 2010

Walter Galvani

 

Quero falar da peça teatral de um americano, Sam Shepard, que está sendo apresentado como um fenômeno da dramaturgia, o mais novo e legítimo sucessor de Tenessee Williams, e que escreve, como Shakespeare de forma sempre capaz de resistir impavidamente às atualizações necessárias. (Ou seja: ele escreve “cada vez melhor” como se diz de Shakespeare apesar de haver falecido há 394 anos.) “A lie of the mind” no original, “A mente e a mentira”, como os brasileiros resolveram para a temporada no Brasil, que começou em junho com o ator Malvino Salvador, que é também produtor e com a direção de Paulo Moraes. Mas quero falar dessa peça, porque ela estará como nunca em cartaz no Brasil, no momento em que se aprovam coisas inacreditáveis no Congresso, como, por exemplo, as duas leis que se metem na vida íntima dos casais: aquela que determina seis meses de licença-maternidade e essa de que a paternidade é atribuída, sem dúvida, a quem se recusar a fazer um teste de DNA.

Ora, os mentirosos de plantão estão por aí mesmo. Imaginem um desses tipos se apresentar como pai do filho de uma atriz famosa ou de uma filha de banqueiro rico e se recusar a fazer o teste de DNA? Já pensaram nesta hipótese? Por outro lado, tenho pena das mulheres que dizem adeus ao mercado de trabalho, ficando seis meses fora do seu posto, deixando assim, bem claro, que não são necessárias e aquelas que, sem culpa, ajudarão a fechar as vagas para mulheres, pois, seis meses fora? “Então, será melhor não contratar mulheres.” E os senadores que aprovaram estas leis, dizem quer estavam trabalhando a favor delas…

Vejam a peça, sugiro, que começa pelo sugestivo título de “A mente e a mentira”… Sam Shepard, grande ator, autor de 45 peças, detentor de 11 prêmios, sabe muito bem porque escreveu este drama que enovela mentiras familiares e sociais e traça um panorama do cinismo e da hipocrisia na sociedade mundial. Sim, esta não escapa da globalização, não tem regime político, nem nacionalidade.

Mentirosos de plantão! Ao Teatro, por favor! Mas, não mintam que foram, quando ficaram apenas fumando no “foyer” ou aproveitaram para ir a algum espetáculo ridículo em qualquer outro lugar.

 

 

Especial para o ABC DOMINGO de 8 de agosto de 2010)

BR, TORNADOS, TRÂNSITO

domingo, 25 de julho de 2010

Walter Galvani

 

 Não há dia em que o noticiário não registre a ocorrência de desastres e engarrafamentos em ruas, avenidas, cruzamentos e sinaleiras de nossas cidades, e, de um modo especial, na BR-116, a estrada que nos liga à capital, particularmente no trecho que atravessa a populosa cidade de Canoas.

Culpa de quem? Das autoridades que não investiram na construção de novas estradas ou providenciaram vias alternativas? Sim, mas também dos motoristas que, de um modo geral pensam que sabem dirigir, mas na verdade não o sabem, pois desrespeitam as regras mínimas de trânsito e os outros, que possuem os mesmos direitos.

Você que me lê agora, já experimentou manter a “distância regulamentar” do veículo que vai a sua frente? Sabia que a lei diz que ela é variável, de acordo com a pista e a idade… do carro? E se já o fez, qual foi o resultado? Uma surra de buzinas, palavrões e até em certos casos, agressões? Dia desses tivemos um desastre envolvendo quinze veículos.

A vingança da Natureza que já nos mandou pelo menos sete tornados como novidade dos últimos anos, mas sem dúvida uma revanche mínima diante dos 54% de vegetação original roubados ao nosso Bioma Pampa pela ocupação historicamente indiscriminada, perde para o trânsito, onde a notícia é diária, inesperada, mas uma guerra em que todos perdem.

No trânsito ainda há, quando as estradas e avenidas o permitem, muitos são os que vão além do permitido. Nome disso? Falta de educação para o trânsito, desrespeito aos demais, aos pedestres, aos ciclistas.

Enfim, o que temos é um coquetel de violência, prepotência, falta de educação, raiva, frustrações compensadas pelo uso da máquina e desrespeito geral, tendo em vista a impunidade imaginada, desejada, sonhada ou real. E também, por parte dos pedestres, falta de respeito aos sinais e faixas de segurança.

Quinhentas casas destruídas por um tornado, como esse de Canela, Gramado e Imigrantes, assustam, mas, quantas vezes já desistiu você de ir a Porto Alegre, por exemplo, ou de lá retornar, devido aos engarrafamentos? E a quem debitar as dezenas de mortes no trânsito a cada semana?

E ainda tem o General Inverno. Ele está entre nós.

Crônica publicada no ABC DOMINGO de 25 de julho de 2010

A COPA DO MUNDO? É NOSSA

domingo, 11 de julho de 2010

 

Sabemos: “Com brasileiro, não há quem possa!” E este é o recado que aprendemos, desde que levamos na cabeça no Maracanã em 1950, quando a seleção perdeu para o Uruguai, por 2 x 1, naquilo que todos, à época, achavam como “inacreditável.” Pois, aconteceu, e eu, como tantos então, um menino de 16 anos, tomei minha primeira grande lição de vida e o ensinamento de que o fracasso também ajuda a encontrar os defeitos. Ajuda mesmo?

Pois assim foi. E se sucederam os anos até que chegamos a este 2010, quando para a surpresa dos nossos 193 milhões de técnicos de futebol, que acham que sabem mais do que doze Dungas, pagaram o preço do seu orgulho e prepotência. Não somos os únicos que sabem jogar o jogo, ao que se diz inventado pelos ingleses, mas, pelo menos regrado e disciplinado por eles.

Continuando no terreno da crônica esportiva, onde tive a sorte e a oportunidade de militar até 1966, Copa na Inglaterra, chegamos a mais uma decepção por sempre achar que somos os melhores. Podem existir outros, tão bons como nós, como a “fúria” espanhola ou a “laranja mecânica” que hoje se defrontam a partir das três e meia da tarde na África do Sul.

Para chegarem até aqui, e é preciso que se aprenda a lição, agora bem distante da pura “crônica esportiva”, é que podem existir gols ilícitos, bolas tiradas com a mão, enganos propositais, erros de arbitragem, interesses escusos, brigas de beleza ou acasos, posições “off-side”, burrice e até inteligência… mas são muitos os caminhos e descaminhos, os obstáculos e os desvios da sorte que podem levar ao final os propósitos que temos não só no esporte, mas na vida.

E esta é a força e a importância de uma competição esportiva, é o que confere ao esporte sua dignidade e seu “status” de lição. Sem a compreensão em toda a extensão destes episódios que se sucedem ao longo destes anos todos, oitenta, só interrompidos pela II Guerra Mundial que envolveu toda a Europa de 39 a 45, e espaçou as Copas entre 38 e 50, esta já no Brasil, não se pode entender toda a profundidade do que, literalmente, é posto em jogo. E que não se trata apenas de um brinquedo infantil com uma bola posta em movimento. 

Crônica publicada hoje no ABC DOMIMGO

MOMENTO HISTÓRICO NO “CORREIO DO POVO”

quarta-feira, 7 de julho de 2010

O dia 7 de julho de 2010 assinala-se como um novo momento histórico para o “Correio do Povo” de Porto Alegre, com o início da instalação de suas novas máquinas, que propiciarão um sistema “full collor”, se assim o entender a direção do jornal.

Poderão ser impressas até 64 páginas, todas elas a cores, e com isso ampliar a atração para os leitores e satisfazer os interesses deles e dos anunciantes, que poderão dispor de novos recursos, tão amplos.

Assim tem sido, historicamente, nesse grande veículo fundado a 1º de outubro de 1895, portanto a poucos meses dos 115 anos de circulação.

O próprio fundador, Caldas Júnior, hoje nome da rua onde estão as instalações centrais da empresa, dizia que era preciso, sempre, ter “as melhores máquinas e os melhores homens”. É o que o jornal tem procurado fazer ao longo deste seu mais de um século de atividade, ou “Um Século de Poder”, como sintetizei no título do meu livro publicado em 1994, e lançado na Feira do Livro de Porto Alegre.

No dia 1º de julho de 1897, quando ainda não completara seu segundo ano, o jornal que nascera para ser grande, instalava a sua poderosa nova máquina Marinoni, importada da França, o que lhe permitiu aumentar o formato para 44,5 cms x 64 cms.e entrar em seguida no terceiro ano de circulação com média diária de 3.000 exemplares, o que era um feito para a época. Predominavam então no gosto do público, os jornais formato “standard”, o dobro do tamanho dos atuais tablóides, que o Correio também adotou a partir de 26 de maio de 1987.

No primeiro ano do século XX, já alcançara uma tiragem de 5.000 exemplares e de lá para cá, apesar dos solavancos e altos e baixos históricos, cresceu até atingir os níveis de hoje.

As novas máquinas serão instaladas na planta industrial de Porto Alegre (duas unidades) e uma em cada uma das cidades do interior onde o Correio do Povo mantém pólos de impressão e distribuição: Carazinho e São Sepé.

A escolha desses dois locais se deu por questões logísticas da política de distribuição e atendimento do interior gaúcho e também do estado de Santa Catarina, onde o jornal circula com a confortável posição de “local”, pela abrangência do seu noticiário, precisão, oportunidade e freqüência.  Hoje, o jornal está com a média diária de 170.000 exemplares.

HOLANDA SALVA PELO APITO…

terça-feira, 6 de julho de 2010

 

 

Walter Galvani

 

 

Meu passado de cronista esportivo, lá nos meados de 1955 quando comecei a trabalhar no “Correio do Povo”, até 1962, quando troquei o setor esportivo pelo social e promoções, me diz que houve uma grande sujeira na Copa do Mundo, com um juiz parcial, protegendo deliberadamente a Holanda e dando-lhe condições de chegar à vitória sobre o Uruguai, validando um gol feito em completo impedimento, o segundo, obra de Sneijder.

Pena, mas isso acontece, sempre aconteceu e vi muito disso ao longo de minha carreira de cronista, depois de apenas torcedor ou jornalista atuante em outras áreas.

O Uruguai foi valente, honrou sua tradição, lutou até o fim e se a partida tivesse mais cinco minutos, a história teria sido outra.

Não deu, mas saiu, como se dizia antigamente, “de cabeça erguida”.

A Copa segue, no futuro ninguém lembrará e só ficará o fato da Holanda haver chegado à sua terceira final.

Mas, como a FIFA já teve que engolir a necessidade de uma mudança, com aquela história da bola quicando dentro do gol, validação de gol feito com a mão, tudo favorecendo os que foram adiante, será preciso reexaminar o que acontece nos metros finais, ali dentro da área.

Bola com guisos? “Chip” na pelota? Interrupção para rever no telão? Sei lá, algo terá de ser feito, e o problema é tirar um pouco do encanto do jogo, mas a transparência exige aplicações maciças das modernas tecnologias.

Os humanos erram. Os humanos erram também por má fé, há de tudo.

DIA DE TORCER PARA O URUGUAI

terça-feira, 6 de julho de 2010

 

 

Walter Galvani

 

Não por acaso hoje é dia de “torcer para o Uruguai”, justamente aquele país amigo aqui a nosso lado, onde o pampa começa, no Rio Grande do Sul e se estende além fronteiras, se espraiando pelo território da “República Oriental del Uruguay”. Gighia, mesmo sendo aquele que foi o autor do “Maracanazo”, ou seja criou-se a palavra nascida no dia 16 de julho de 1950, quando conquistou o campeonato mundial no estádio do Maracanã no Rio de Janeiro, construído para sede da Copa que o Brasil queria ter vencido. “Queria”, mas perdeu, gol decisivo de Alcides Gighia, que até hoje “morre de pena” dos brasileiros, mas num justo orgulho carrega o título que ajudou a conquistar com o gol que fez em Barbosa, o até então “imbatível” goleiro de um time invencível, que ganhava de goleada dos demais candidatos.

Entre esses a Espanha.

Pois é. Foi 1 X 2, diante do Cristo Redentor que agora, depois de reformado, “higienizado” e repintado, abre os braços outra vez para 2014, abençoando o talvez irrecuperável Rio de Janeiro que “continua lindo” e quase inabitável.

É que ainda tem mais: em 1841, a 5 de julho (ontem portanto…) ou quase nesta data, o comandante das tropas rio-grandenses sublevadas contra o governo central, na hoje histórica “Revolução Farroupilha”, general Bento Gonçalves da Silva assinou com o líder uruguaio Frutuoso Rivera, um tratado de ação conjunta.

No final de semana, o S.C.Internacional de Porto Alegre esteve jogando na cidade hoje chamada Rivera, disputando uma “Copita” com o poderoso Peñarol, o clube mais popular do Uruguai e hoje, até o presidente Lula afirma que vai “torcer para o Uruguai”, assim como defendem esta posição nossos principais jornais. O “Correio do Povo” chega a dizer em sua primeira página, “Hoje é dia de torcer para o Uruguai”.