Arquivo da Categoria ‘Dia-a-Dia’

OS PREMIADOS…

domingo, 5 de outubro de 2008

 

Walter Galvani

 

 

Hoje é o dia. Desde os mais humildes rincões brasileiros às grandes capitais, milhares de esperanças estarão sendo agitadas no liquidificador eleitoral para sairem, pingados, os nomes dos eleitos às prefeituras e câmaras de vereadores. Não há alternativas, as vagas são limitadas e a população, como se pratica desde os tempos da Grécia clássica, estará na ágora, assim mesmo com o acento agudo no a, que o meu computador se recusa a aceitar, pois não o reconhece como corretamente grafado, que era a denominação da praça principal das cidades gregas, onde se escolhiam os representantes.

Em matéria de eleições, continuaremos acertando e errando como desde aqueles tempos heróicos vem acontecendo. Jamais poderemos nos vangloriar de escolher sempre adequadamente, até porque os eleitores são muitos e os eleitos, poucos. Muitos são os chamados e poucos os escolhidos, já dizia a velha Bíblia, o livro dos livros para os cristãos.

Quanto ao meu computador, ele, como todos os demais que não forem alvo de um programa especial nos próximos meses, vai errar feio na hora de estabelecer a grafia das palavras, porque o português está mudando, como se sabe, na segunda-feira passada o governo brasileiro afinal assinou o Acordo Ortográfico que determina uma porção de coisas. Estou muito satisfeito porque a primeira letra do meu nome, o W, está sendo reabilitado… Durante todo este tempo fui uma espécie de alienígena escritural…

Por outro lado, qual é o escritor que não gostaria de ser o escolhido para o Prêmio Nobel de Literatura? Isso sim que é eleição. Em primeiro lugar o reconhecimento público e, em segundo plano, mas não desprezível como se verá, o prêmio em dinheiro que vai ser anunciado quinta-feira pela Academia Sueca, que é de 1 milhão de euros… Ou seja, em tempos de oscilação e ameaças ao dólar, bem mais cômodo, com prováveis oito milhões e setecentos mil reais aproximadamente entrando direto no bolso do infeliz, que passará a ser odiado e invejado, criticado e admirado pelo menos pelos próximos dez anos… Cláudio Magri (Itália), Phillip Roth (Estado Unidos), Amos Oz (Israel), Antonio Tabuchhi (Itália), Cees Nooteboom (Holanda) ou Haruki Murakami (Japão) são alguns dos candidatos nesta maratona, uma fórmula 1 em que não entramos com nenhum Felipe Massa, um campeonato sem Ronaldinho Gaúcho nenhum.

PROMESSAS ELEITORAIS…

sábado, 27 de setembro de 2008

Barack Obama e John McCain estão na reta final da campanha eleitoral americana e por isso estão fazendo promessas que, de um jeito ou de outro, atendidas ou não, podem nos atingir daqui a pouco mais. Lidando com a maior crise econômica de todos os tempos, eles e Bush já se reuniram e procuram transmitir ao mundo uma imagem de acordo entre rivais, para que as finanças abaladas em Wall Street não conduzam o país à uma Recessão igual a de 1929, aliás reconhecida mais tarde como “A Grande Depressão”.

O folclore que envolve aqueles anos terríveis não permite ver com exatidão, entre as névoas da ficção e dos interesses políticos, o que houve de verdade. Parece que, no caso, o diabo é muito mais feio do que o pintam…

As empresas se desmantelavam como castelos de cartas, executivos saíam de casa depois do último café da manhã com os familiares e estouravam os miolos na esquina e os jovens, desempregados, se viciavam em tóxicos tentando burlar o amanhã sem perspectivas que se desenhava.

Não é para brincar e procurando mostrar que estão atentos ao perigo é que os candidatos ao governo americano se reuniram para demonstrar que, pelo menos nisso, estão unidos.

Causas próximas e remotas influem para esta difícil situação e todo mundo sabe, porque hoje as notícias correm, rolam, se amontoam, por todos os meios de comunicação, que os Estados Unidos da América do Norte estão necessitando de medidas drásticas. Como o dinheiro é um só, os valores produzidos é que se materializam em notas ou moedas que os representam, o sistema todo repousa sobre o que se chama de “vasos comunicantes”. Para usar uma metáfora, é como a água que ocupa o mesmo espaço e se espalha num tanque ou piscina, sem perguntar qual é o azulejo que ficará coberto, porque todos ficarão igualmente submersos.

Não querendo ser pessimista, mas realista, não dá, pelo menos por enquanto, para descansar o espírito achando que a crise não é mundial, por que ela é e será muito mais. E vai passar, inclusive, pelo tipo e tamanho do acordo que os candidatos americanos possam fazer e com a qualidade da transição entre o guerreiro Bush e seus sucessores. Nossas atenções, portanto, estarão voltadas para Washington nos próximos dias.

(Crônica publicada neste domingo no jornal ABC DOMINGO, do Grupo Editorial Sinos) 

A PRESSÃO NÃO CEDEU. MUITA CAUTELA

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Quando as coisas chegam a um limite de pressão, é preciso que se produza um fato, ou como no teatro desça um deus no meio do palco, o famoso “deus ex machina” dos romanos, e então a trama se desenrola e chega ao final. Bem ou mal, é assim no teatro e é assim na vida.

Hoje estamos tomados pela apreensão que diminuiu mas não desapareceu, até porque as razões que se somaram para produzir o nó, ainda existem, são latentes na economia e não foram alteradas pelas medidas de socorro do Federal Bank americano, nem pelas inspiradas movimentações que buscam fortalecer o euro e evitar a contaminação das economias dentro do tabuleiro global.

Não, não é assim que isso se resolverá e não tão facilmente, também.

Vamos ter que rezar um pouco, sair de cena, se der, tratar de outros assuntos, preparar a cabeça e o terreno para uma nova construção e esperar então que os efeitos comecem a se produzir.

Parece que estou falando uma língua de outro planeta, mas estou tentando justamente alinhar proposições e perspectivas que não sejam entendidas como uma simples repetição do que vem sendo praticado até aqui.

Chegamos sim, ao limite da pressão. É uma tentativa demagógica tentar dizer que a nossa economia não será contaminada, porque isso seria negar a própria estrutura do moderno capitalismo global, onde as coisas ocorrem como num dominó virtual em que todas as peças se tocam e se dizem respeito.

Se não conseguirmos conviver dentro desta mesma casa, que agora é uma imensa sucessão de países e economias diversificadas, que vão da extrema pobreza à riqueza mirabolante, que vão dos humildes países africanos aos milionários Dubai ou da organização indiscutida dos finlandeses, suecos, dinamarqueses, à desordem latina dos que conhecemos tão de perto.

Fixamos limites e determinamos o impossível: que as pessoas que querem atravessar um braço de mar numa precária barcaça e alcançar o sonho dourado do euro no outro lado, não podem fazê-lo, mas se usarem outros meios poderão sim, recolher o lixo das grandes capitais e viver das sobras das sociedades afluentes.

Cinismo, farisaísmo, mentira, é disso que se vive e convive neste mundo global. E todo este engodo perdurará até o choque final. Começaremos do zero. Recomeçaremos.

(Esta crônica foi publicada nos jornais A Razão, de Santa Maria e Diário Popular, de Pelotas, com os quais colaboro com muita honra.)

TUFÕES, QUEDAS DE BOLSAS, AQUECIMENTO GLOBAL…

domingo, 21 de setembro de 2008

NADA DE ADIVINHAÇÕES

 

Walter Galvani

 

 

Nem cassandra, nem pitonisa, nem oráculo. Não é um tsunami com a sua força destruidora já prevista, nem tampouco é uma brisa leve que encrespa as águas neste início de primavera. Não é também uma desprezível ação de interesses. É muito mais do que isso e soma três fatores que não podem nunca ser subestimados: a crise imobiliária, cuja raiz mora nos Estados Unidos, a financeira que se propaga como uma onda pelos mercados para o bem e para mal globalizados e a bancária, cuja longa cauda se adorna com os reflexos cambiantes das duas outras, somadas e multiplicadas. Sei que não estou falando em linguagem de “economês”, onde os dados numéricos são mais prestigiados que os palpites e as coloridas adjetivações, mas espero que o coração dos leitores esteja preparado para receber esta mensagem. Acordem! Acordemos todos!

O desperdício é, na verdade, a mãe de todos os vícios. Perdôem-me o discurso, pode parecer-lhes fala de pastor de igreja suburbana, mas estas são as que mais crescem no mundo neste momento, e razões devem existir de sobra para isso. Elas estão falando a língua do povo, coisa que muitas outras, estabelecidas há centenas de anos, não o fazem mais, perderam o jeito e o caminho.

Sendo assim, o recomendável é não se precipitar e buscar reduzir o próprio custeio. Você precisa de dois litros de leite por dia em sua casa? Pois compre apenas dois. Necessita 700 gramas de carne? Não compre um quilo.

Levado isso aos extremos da economia global, a receita não é anti-crise mas, sim, de recessão.

O fato é que, de uma hora para outra, viramos todos especialistas em finanças e se isso fosse fácil de entender e assimilar, não estaríamos atravessando, ao longo do tempo, tantas idas e vindas, sobressaltos e calmarias profundas. Não somos profetas, nem adivinhos, mas sempre é melhor para não se queimar, colocar as barbas de molho. Não acreditar em mentiras demagógicas. Reação das Bolsas de Valores, alta do dólar, este é um filme já visto e decorado por todos. Que a globalização fortaleceu a economia mundial, também é uma lição conhecida. E que, entretanto, as ramificações financeiras, como se fossem artérias e veias, vasos e vesículas do mesmo corpo e logo, sujeitas a viroses, infecções, bactérias, também é sabido.

Vamos começar com as donas de casa: como é que se faz para equilibrar a receita e a despesa de um lar? Comprando só o necessário e gastando menos do que se ganha.

 

DE TORNADOS E IRRESPONSABILIDADES

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

O aviso da Natureza, desgastada pela exploração desmedida, pelo desmatamento, pela poluição generalizada dos cursos d’água, pelo lixo espalhado sem tratamento adequado, pela construção de prédios e residências em locais inadequados, já foi dado. Estamos atrasados. No mínimo há oito anos os “tornados”, cujo nome de origem externa, a própria expressão em espanhol o define, começaram a martirizar populações indefesas que, numa situação como a que se produziu esta semana, nada podem fazer, a não ser adormecer preocupadas e acordar sobressaltadas em meio à madrugada, quando a água sobe, os raios se levantam e a inundação chega em minutos, levando vidas preciosas e patrimônio custosamente levantado.

Há pelo menos 8 anos se assinala a visita de tais tempestades que afligem o povo desarmado e desguarnecido para reagir a tais situações.

Ninguém pode ser culpado por erguer sua precária moradia em locais de risco, mas, os que permitem que isso ocorra, devem e podem ser responsabilizados, pois não é admissível que isso continue, sem qualquer providência.

Desde outubro do ano 2000, especialistas como o prof. Eugênio Hackbarth vem assinalando a ocorrência e repetição de tais fenômenos e alertando para a sua cada vez maior violência. Se forem tomadas providências hoje, ainda se levará muitos anos para que se produza algum efeito preventivo, pois as razões inúmeras que levaram ao desmatamento e à poluição, não cairão por terra de uma hora para outra e nem se reconstruirá o que já foi perdido, em poucos meses. Nem os mortos voltarão à vida.

O momento é de atitude defensiva. É preciso que os municípios adotem medidas de proteção à uma população cada vez mais indefesa, criando brigadas de socorro e que estejam permanentemente alertas como os corpos de bombeiros. Ninguém está livre de que um morro deslize, que uma parede seja abatida pelo vento, que o telhado seja destruído pelo granizo ou que um rio inunde de uma para outra uma zona inteira. Contra tudo isso não há mais remédio imediato, apenas socorro, auxílio, resgate sempre difícil. Que pensem nisso as administrações em atividade e as que estarão sendo eleitas logo ali adiante.

Crônica publicada no ABC DOMINGO

 

 

 

O MUNDO ESTÁ VIRADO…

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

De cabeça para baixo.

Tudo o que você planeja, pode dar errado, porque o eixo saiu do lugar e a complicação logo chega.

Qiem sabe, pensar um pouco sobre o futuro, ajuda um pouco?

Eu acho que é preciso muita calma e ter o tempo necessário para observar como as coisas se passam no universo.

Assim não dá, não é mesmo?

O que todos precisamos é de tempo para apreciar as coisas, sem barulho, sem precipitações, sem perturbações, antes que chegue o próximo temporal, que agora já chamam de Tornado… Fruto do desrespeito com a Natureza.

Walter Galvani

VAI VAI…

domingo, 31 de agosto de 2008

 

 

Neste país surrealista em que vivemos, diante de certas notícias é preciso “dar um tempo” para verificar se elas, de fato, se concretizam, ou se é melhor dar-lhes um prazo de sedimentação. E isso é aplicável a tudo, aos fatos do dia-a-dia, aos informes (que, aprendeu-se, não tem a mesma consistência das “informações”…) das notícias plantadas e as de “brotação espontânea”, nada é seguro, garantido, e muito menos eterno. Pois agora, fica-se sabendo que o Ministério da Saúde, no próximo Carnaval paulista, vai patrocinar a Escola de Samba “Vai-Vai”…

Numa realidade surrealista como a nossa, isso seria até possível e, quem sabe, com a devida chancela de alguma agência de publicidade criativa e inteligente, um “bom investimento?” Afinal, apesar do carnaval paulista ser conhecido pela sua falta de criatividade, quem sabe as coisas mudaram por lá e, este ano, graças a contratos de redes de televisão vai atingir todo o território nacional e, conseqüentemente, o povão, desde tribos indígenas que assistem tevê com aparelhos a bateria até os moradores de sofisticados condomínios dos melhores pontos turísticos do nosso litoral.

Estou aqui tentando engendrar uma justificativa para este investimento, antes que surjam vozes acusatórias de procedimentos eleitoreiros, já que o dia do juízo está chegando…

Nem o inverno é mais confiável nestas nossas latitudes, como se viu este ano e ainda está se vendo e sentindo. Depois de frios polares, calores tropicais, e a primavera ainda está distante, vinte dias oficiais pela frente. O próprio professor Eugênio Hackbart, o meteorologista que mais entende do seu campo de ação, já fala em “inverno astronômico” e inverno real e entre o paraíso e o inferno se oscila em todos os setores, mesmo no campo dos fatores térmicos.

Ora, sem a certeza científica e a objetividade como norma, ficamos entregues a estas alternâncias psicológicas que, sem arrastar o continente como “uma jangada de pedra” como queria José Saramago com sua Europa natal, faz aquelas mesmas representações psíquicas pela perturbação política do Brasil. Aqui, a coisa “vai-vai” e com 8 milhões do Ministério da Saúde, para o bem e para o mal. Viva o samba atravessado das “escolas” paulistas!

 Crônica publicada no jornal ABC DOMINGO

FÓSFOROS LONGOS

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

 

Ir a um supermercado é uma atividade corriqueira em nossas vidas. Faltaram dois ou três produtos e lá vamos nós, dispostos a resolver com praticidade, o pequeno problema.

Dia desses, movido pela comodidade e necessidade, fui a um super buscar “fósforos longos”. Aqueles que facilitam a operação de “ligar o forno” do fogão (entre parênteses, sou contra fornos elétricos) sem queimar os dedos.

Peguei uma caixinha de fósforos, examinei-a, vi que estava escrito, no lado de fora, “fósforos longos”, mas fiquei em dúvida e abri discretamente o invólucro para ver se os palitos eram de fato, longos. Não eram.

Fechei cuidadosamente a caixa e recoloquei-a no lugar.

Impulsionado pela confiança na marca, peguei outra caixa, li o que estava escrito, “fósforos longos” e pensei comigo: são esses. Também não eram, mas só fiquei sabendo quando cheguei em casa. Culpa da minha timidez.

Ora, se somos enganados até por fabricantes de fósforos, por quem não o seremos?

Vivemos num país de fraudes e trampas, de desonestidades pequenas e grandes.

Quando cresceremos?

Afinal de contas, já estamos chegando aos 189.600.000 habitantes. Mais do que na hora, não é mesmo?

Acho que a Ditadura chinesa, para controlar 1 bilhão e meio, sabe muito bem como é que se faz. Aliás, como demonstrou na Olimpíada, é a campeã do engano e da fraude. Nem a cantora da abertura era a verdadeira cantora…  Só que lá, vale a pirataria oficial…

UF! PASSOU O 24 DE AGOSTO

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

 

Não preciso justificar, por enquanto, a data de 24 de agosto para nenhum brasileiro maior de idade e que respire um pouco do ar democrático que restou a este país, depois de tantos incidentes políticos, ou que, pelo menos, tenha um mínimo de informação. Mas, sempre é conveniente relembrar que o dito popular “Agosto mês do desgosto” não tem a ver apenas com o clima, pois é só na região sul onde o inverno é rigoroso e traz as enfermidades respiratórias características, que ele pode ter esta conotação. Em Portugal, onde o provérbio nasceu, ele tem a ver, sobretudo, com os problemas ocorridos nos séculos XIV e XV, quando envenenamento de reis e maus casamentos de herdeiros da Casa Real, assinalaram um mês que lá é, tipicamente, de verão.

Dito isso, quero lembrar também que não é só no Brasil e em Portugal que o dia 24 de agosto coleciona, ao longo da história, tantas tragédias. Em nosso caso culminou com o suicídio de Getúlio Vargas em 1954, encerrando longa era da nossa Segunda República.

No ano 79 da nossa era, ou seja, há 1929 anos, o vulcão Vesúvio destruía as cidades de Herculano e Pompéia na Itália. No ano 410, os visigodos, comandados por Alarico I saqueavam e ocupavam Roma, praticando precipitando uma decadência que acabaria com o fim do império romano. Em 1356, Lisboa, já então a bela capital de Portugal, foi atingida por um terremoto e em 1572, milhares de inocentes morrem sob as tropas do rei Carlos IX que ordenou o massacre dos huguenotes em toda a França. Os assassinados eram partidários da reforma calvinista que pregava o retorno da igreja católica ao cristianismo primitivo. Em 1814, tropas britânicas tomam Washington e incendeiam a Casa Branca. Em 1820, dom Miguel inicia uma revolução na cidade do Porto, contra seu irmão Dom Pedro (I do Brasil e IV de Portugal). Outro terremoto: em 1889 nasce em Buenos Aires o futuro escritor Jorge Luiz Borges que faria uma revolução na literatura mundial. Em 1954, suicida-se o presidente brasileiro Getulio Dornelles Vargas. Em 1988 um incêndio destrói os armazéns históricos do Chiado e da Grandela em Lisboa e em 1992, acusado de corrupção passiva e desprezo à Constituição, é cassado o presidente brasileiro Fernando Collor de Melo.

Crônica publicada no jornal ABC DOMINGO

 

OUROS E LIVROS

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

 

 

O importante é competir, dizia o famoso Barão de Coubertin, responsável pela retomada dos Jogos Olímpicos na era moderna. Parece que o Brasil pegou a receita de braços abertos, pois não tem feito mais do que isso, a não ser nos esportes coletivos e com a sagrada bola, o que pelo menos ajuda a levantar a moral do país e minimizar gastos com equipes que, em Atenas ou Pequim, aliás Beijing, são cada vez mais dispendiosas e menos vencedoras. Um escorregou e caiu, outro acha que foi roubado, outro se distraiu e assim vai indo. Desde 1948, acompanho mais ou menos de perto as Olimpíadas, e cada vez o ouro fica mais distante, ou mais caro.

Qual a minha receita? Leia bons livros. Vamos aproveitar que estão em andamento as feiras regionais, a de Novo Hamburgo ainda estará aberta hoje e é uma das maiores do estado. Em muitas cidades da nossa região é o que está acontecendo agora e o Rio Grande do Sul, conforme dados que recebo da Câmara do Livro, continua sendo onde mais se lê neste país. Aliás, um país onde se lê muito pouco e comparando com o crescimento vegetativo da população, cada vez menos. Há muita mentira sobre a Terra, como diria um indígena de sentimentos puros e que ainda acredita em Tupã.

Pois eu digo que está na hora de acabar com estas farsas. Fica difícil que as autoridades no poder queiram falar com clareza para o povo brasileiro, pois este mesmo povão continua se enganando com velhas histórias de que o bom mesmo “é ser malandro” e “dar um jeitinho” nas coisas. Os leitores sabem o que é o tal jeitinho, não é mesmo? É. O “jeitinho” que alguns não conseguem dar e acabam se ferrando. E quando tudo parece que não engrena mais para quem quer continuar o poder aparece uma nova descoberta de petróleo, para confirmar que “Deus é brasileiro”. Uma pesquisa norte-americana, séria, feita em todo o mundo, comprovou que o índice de Q.I. dos ateus é superior ao dos crentes, qualquer que seja a religião que professem. Embora respeitando as opções pessoais, e mais ainda o fato de que ter Quociente de Inteligência alto não é uma escolha, mas um acaso genético ou fruto de um longo desenvolvimento que leva, justamente à mutações genéticas, é preciso ler isso com muita atenção. E esquecer o ouro olímpico e os “jeitinhos”.

 

Crônica publicada no jornal ABC Domingo, do Grupo Editorial Sinos