Walter Galvani
Porto Alegre foi contemplada com sete apresentações da Cia. Brasileira de Ópera, o sonho do Maestro John Neschling que se concretiza, para felicidade nossa. Nascida a companhia em São Paulo e ensaiando num galpão porque ainda não conseguiu adquirir sua sede própria – eis que os governos estão mais interessados em “otras cositas” – trouxe o primeiro espetáculo selecionado que estreou em Belo Horizonte e agora veio para a capital gaúcha, onde ficou por cinco dias, culminando num domingo de ouro com uma véspera infantil especial, onde a ópera de Gioachinno Rossini foi sintetizada numa exemplar lição de 45 minutos, que na certa conquistará muitos futuros admiradores da atividade musical/teatral.
Foi assim que o Teatro do SESI, localizado na sede da FIERGS, bem distante do circuito central da capital ou de seus bairros mais “nobres”, lotou para receber um público mirim (mais pais e avós) para ver a genial criação da companhia, que misturou figuras com recursos de desenhos cinematográficos, projeção de slides, explicações a viva voz no centro do palco e desempenhos dos astros principais, recursos virtuais e ainda legendas no topo do palco para que todos compreendessem o italiano do século XIX que nos chegava através da ópera “O Barbeiro de Sevilha”.
Foi uma experiência inesquecível, que nos obrigou a buscar mais dados sobre o empreendimento. Então ficou-se sabendo que a companhia daqui segue para Florianópolis, em julho. E que veio de Belo Horizonte onde houve a récita inaugural. E que há muitos planos para o futuro imediato, percorrendo o resto do Brasil.
E tudo isso com o investimento feito através da Lei Rouanet, pela Petrobrás e Banco do Brasil, autorizada que foi a captação de 14 milhões. Mas, desse montante, só foi possível capturar 10 milhões, e ainda assim com metade pelas duas empresas estatais e a outra metade pelo próprio Ministério da Cultura.
Mas, que presente para a população que pode, afinal de contas, deliciar-se com algo que nada tem a ver com os escândalos e tragédias diariamente apresentados pelos nossos jornais, rádios e tevês, que é bom que despertem, pois estão colecionando o negativo, com grande ênfase e destaque e com resultados didáticos os mais eloqüentes possíveis…
A concepção é de Joshua Held que faz com que o próprio compositor Rossini contracene divertidamente com os músicos, e coube ao diretor cênico Píer Francesco Maestrini formular a relação entre o mundo real do palco e a criatividade da animação, através de desenhos e projeções um resultado integrado. E assim foram as demais apresentações, durante as últimas quatro noites da semana, inclusive neste primeiro domingo de julho.
Pepes do Vale, Leonardo Neiva, Luciano Botelho e Anna Pennisi integram o elenco que capricha que exploram ao máximo as virtudes da partitura e a suas possibilidades cênicas.
O Ministério da Cultura já disse, através do seu atual titular Juca Ferreira, que pretende ajudar a companhia até que esta se possa sustentar sozinha. Enquanto isso, felizmente, vai derramar alguns milhões como fez agora na corrida inicial.
Ainda bem que não é só o futebol que merece nossa atenção…