CIA. BRASILEIRA DE ÓPERA, QUE PRESENTE!

4 de julho de 2010

Walter Galvani

 

Porto Alegre foi contemplada com sete apresentações da Cia. Brasileira de Ópera, o sonho do Maestro John Neschling que se concretiza, para felicidade nossa. Nascida a companhia em São Paulo e ensaiando num galpão porque ainda não conseguiu adquirir sua sede própria – eis que os governos estão mais interessados em “otras cositas” – trouxe o primeiro espetáculo selecionado que estreou em Belo Horizonte e agora veio para a capital gaúcha, onde ficou por cinco dias, culminando num domingo de ouro com uma véspera infantil especial, onde a ópera de Gioachinno Rossini foi sintetizada numa exemplar lição de 45 minutos, que na certa conquistará muitos futuros admiradores da atividade musical/teatral.

Foi assim que o Teatro do SESI, localizado na sede da FIERGS, bem distante do circuito central da capital ou de seus bairros mais “nobres”, lotou para receber um público mirim (mais pais e avós) para ver a genial criação da companhia, que misturou figuras com recursos de desenhos cinematográficos, projeção de slides, explicações a viva voz no centro do palco e desempenhos dos astros principais, recursos virtuais e ainda legendas no topo do palco para que todos compreendessem o italiano do século XIX que nos chegava através da ópera “O Barbeiro de Sevilha”.

Foi uma experiência inesquecível, que nos obrigou a buscar mais dados sobre o empreendimento. Então ficou-se sabendo que a companhia daqui segue para Florianópolis, em julho. E que veio de Belo Horizonte onde houve a récita inaugural. E que há muitos planos para o futuro imediato, percorrendo o resto do Brasil.

E tudo isso com o investimento feito através da Lei Rouanet, pela Petrobrás e Banco do Brasil, autorizada que foi a captação de 14 milhões. Mas, desse montante, só foi possível capturar 10 milhões, e ainda assim com metade pelas duas empresas estatais e a outra metade pelo próprio Ministério da Cultura.

Mas, que presente para a população que pode, afinal de contas, deliciar-se com algo que nada tem a ver com os escândalos e tragédias diariamente apresentados pelos nossos jornais, rádios e tevês, que é bom que despertem, pois estão colecionando o negativo, com grande ênfase e destaque e com resultados didáticos os mais eloqüentes possíveis…

A concepção é de Joshua Held que faz com que o próprio compositor Rossini contracene divertidamente com os músicos, e coube ao diretor cênico Píer Francesco Maestrini formular a relação entre o mundo real do palco e a criatividade da animação, através de desenhos e projeções um resultado integrado. E assim foram as demais apresentações, durante as últimas quatro noites da semana, inclusive neste primeiro domingo de julho.

Pepes do Vale, Leonardo Neiva, Luciano Botelho e Anna Pennisi integram o elenco que capricha que exploram ao máximo as virtudes da partitura e a suas possibilidades cênicas.

O Ministério da Cultura já disse, através do seu atual titular Juca Ferreira, que pretende ajudar a companhia até que esta se possa sustentar sozinha. Enquanto isso, felizmente, vai derramar alguns milhões como fez agora na corrida inicial.

Ainda bem que não é só o futebol que merece nossa atenção…

BOLA COM “CHIP”

4 de julho de 2010

Publicada no jornal ABC DOMINGO

dia 4 de julho de 2010

Walter Galvani

Podem tomar nota, esta é a última Copa do Mundo com a velha e tradicional bola, aquela que pega efeitos e engana os bons e os maus jogadores e entra riscando ou pica dentro do gol e o juiz não vê. Acabou a inocência no futebol mundial, nessa Copa em que aconteceu de tudo, inclusive “mão de Deus”, como Maradona havia apelidado a sua famosa conquista, quando a Argentina foi campeã.

Mas, a FIFA depois de mandar retirar o sofá da sala – explica-se: quando alguém estava sendo passado para trás pelo vizinho, mandou retirar o sofá da sala, onde ele praticava sexo com sua mulher e então, desapareceu o problema… – então foi mais ou menos isso que a entidade máxima do futebol tentou fazer: “Ficam proibidos os “replays” nos grandes telões dos estádios”. Ora, tirar o sofá da sala não resolve nada, como se sabe e assim, a única saída será encontrar alguma forma técnica de aviso imediato de algum acidente de partida que possa ocorrer e assim, manter um simples controle e os telões, para que a informação chegue completa a todos os presentes no estádio e não restem dúvidas sobre a lisura das arbitragens. Quer dizer, com o tal “chip”, pelo menos nos casos mais graves se livra a responsabilidade do juiz. E da FIFA naturalmente… que não precisará mais pedir desculpas como ocorreu este ano.

Como isso vai ser resolvido, veremos; para tanto o avanço prodigioso da tecnologia nos dará uma resposta, mesmo que tenha um custo para a popularidade deste joguinho de onze contra onze, uma bola e duas goleiras com redes, que se arma em qualquer recanto do mundo e se joga de chuteiras ou de pés descalços… Nos campinhos de várzea não haverá solução e uma bola com “chip” seria mais um transtorno que nada. Mas, somos do tempo em que as chamadas pelotas de couro eram amarradas com uma coisa chamada “tento” e enchidas à base de bomba de bicicleta! Bons tempos! Não voltam mais, como não voltará a discussão nas mãos e nos olhos exclusivos do juiz e nem o Brasil à Copa da África do Sul, porque essa já era e estamos de volta em casa, ao trabalho. Pode ser que agora não se interrompam mais expedientes para assistir oitavas, quartas, semifinais ou finalíssima, porque a camisa da CBF, amarela ou azul não estará em campo. Pelo menos esse ano…

A ERA DA INOCÊNCIA ACABOU…

4 de julho de 2010

Crônica publicada no Diário Popular de Pelotas

em 4 – 7 – 2010 

Walter Galvani

 

 

A saída do Brasil da Copa do Mundo não tem nada a ver com isso, mas o fato é que a grande lição que fica é de que a era da inocência acabou… Nunca mais vai se disputar uma competição tão importante, envolvendo tantos países, valores, patrocinadores, movimentação das nações e suas populações no esporte que hoje é o mais popular da terra, com a simples bola de couro que se usou desta vez. Vem aí a bola com “chip”, não tem mais remédio e só não se sabe bem como é que a FIFA vai resolver o problema do telão nos estádios e o “replay”, mas o certo é que a tentativa esdrúxula de “retirar o sofá da sala”, como foi este ano, nunca mais se repetirá. Explica-se: proibir a repetição do lance, para que o público não se dê conta que o árbitro falhou, essa não! Ao mesmo tempo, uma interrupção do jogo para que todos revejam um lance, é impraticável e tornaria o futebol monótono e insuportável.

Um “chipzinho” amigo docemente acomodado no interior da bola, capaz de dar o alarme quando ela quicar além da linha do gol ou alguma invenção nova que garanta também assinalar infração, isso será plenamente realizável, embora o erro do juiz e seus auxiliares deva ser computado como uma possibilidade insubstituível.

Imperfeito como todas as coisas humanas, assim como os craques tem limites e podem errar, também a “mão de Deus” pode continuar baixando nos estádios, o erro continuará pilotando muitas ações. Sem isso, seria um jogo mecânico de possibilidades e resultados matemáticos e isso nem no xadrez se obtém, pois embora os computadores joguem muito bem, acabam perdendo para os “grandes mestres”. Assim, a certeza da superioridade tanto do talento, quanto dos defeitos humanos, sobrepaira sobre uma competição como esta.

A bola começou de meia preenchida com capim, depois virou uma pelota de couro amarrada com uma tira, chamada “tento”, veio a importante inovação da “bola sem tento” e chegou-se a “jabulani” (que para Luis Fabiano é “sobrenatural”), mas iremos adiante. Não se espere crescimento da moral e da ética em campo, pois continuarão cometendo faltas e deslealdades, agressões e fraudes. A tecnologia poderá dar um basta no pior e contribuir para a transparência das competições. É o que se espera do velho e humilde “esporte bretão”, hoje o esporte dos deuses que ganham num mês o que você leva dois ou três anos para juntar…

SARAMAGO E A LÍNGUA PORTUGUESA

19 de junho de 2010

 

 

Walter Galvani

 

Ele era áspero pela própria natureza e a maneira como tratava a língua e a vida, também. Não fazia concessões e isso lhe  custou muitas perdas pessoais. Sofreu censura e também a exerceu como diretor do “Diário de Notícias” de Lisboa, segundo muitos jornalistas portugueses. Casou-se com uma espanhola (Pilar del Rio)  e foi morar numa ilha espanhola, Lanzarote, no arquipélago das Canárias e não quis voltar a morar em Portugal. Era um apaixonado pelo Brasil, era quase um brasileiro, mas criticava-nos também.

Esteve aqui uma dezena de vezes e pelo menos cinco no Rio Grande do Sul. Era detentor do título “Honoris Causa” da UFRGS, recebido em 1999. Em certo momento aboliu a tradicional pontuação usada em nossa gramática, mas Saramago, para muitos portugueses “o sal amargo”… podia tudo, pois era o único Prêmio Nobel em nossa língua e, portanto, o que mais fez por ela ao longo de sua vida. Longa, que chegou aos 88 anos, mas poderia ter ido além, não fora uma leucemia que chegara nos últimos anos. Viverá mais, pois viverá para sempre. Pela franqueza de suas opiniões políticas, criticou inclusive o seu partido político de opção, o Partido Comunista português. Agora “ele é eterno”, como disse Nélida Pìñon. “Escrever é fazer a morte recuar ou ficar parada, congelada – escreveu ele – é dilatar o espaço da vida!”.

Então o principal é o que vem agora com a sua partida: Saramago se tornou um símbolo da afirmação e da vitória da língua portuguesa, tanto que sua marca maior ficará no fato de ter sido o primeiro escritor que dela fez uso a alcançar o mais significativo prêmio literário, o Nobel de Literatura, (1998), e que ficará para sempre mostrando que é possível sim, alguém escrevendo neste humilde descendente do latim popular, chegar à consagração mundial. E além de abrir caminhos e dar-lhe relevância, rompeu com certas estruturas, rasgou suas costuras e evidenciou que ela está aberta aos modernismos. Uma porta larga pela qual poderemos ingressar, acompanhando o féretro de Saramago, rumo à eternidade.

E humildes servos da língua, poderemos comemorá-la, mesmo que um dos seus “padrinhos” maiores tenha partido, a cada ano, no “Dia da Língua Portuguesa”, dia 5 de maio, instituído pelos países que integram a Comunidade Lusófona, ou seja Brasil, Portugal, Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, São Tomé-e-Príncipe, Timor Leste., e onde quer mais que se cultive a 5ª. língua mais falada do mundo.

UMA TRAGÉDIA SUL-AFRICANA

12 de junho de 2010

A FATALIDADE E O DRAMA, uma crônica para o Diário Popular, de Pelotas, mais antigo diário em circulação no Rio Grande do Sul

 

Walter Galvani

 

Nelson Mandella, o herói da África do Sul, é, de certo modo, o fiador, o ponto de equilíbrio e o verdadeiro herói do seu país. A realização da Copa no território sul-africano é um preito de homenagem a ele, o grande nome, o inigualável ser que se sacrificou e foi sacrificado, perseguido pelo odioso regime que implantou o “apartheid” e prisioneiro durante 27 anos.

Libertado, comandou a libertação do próprio país, assumiu a presidência, consagrou-se perante o mundo.

Agora, com a Copa do Mundo realizando-se lá, aparece aos olhos de todos os povos como o incomparável e verdadeiro representante de sua terra.

E então, no dia em que apareceria perante todos, focado por todos os canais de televisão, visto por todos os jornalistas e fotografado por todos os fotógrafos profissionais e amadores, no alto de sua glória, morre em acidente, justamente voltando para casa da cerimônia inaugural, sua bisneta.

Só numa  tragédia grega se poderia imaginar tal desfecho trágico, um casamento tão dramático entre o destino da personagem principal e os seus círculos.

A fatalidade deu o braço ao drama e assim, marcou-se, de forma indelével, e só os vazios, os hipócritas e os ignorantes não perceberam que a Copa do Mundo estava cheia de sangue e fel neste seu momento inaugural.

Ele é tão forte que se há de superar, mais uma vez, mas se fraquejasse agora poderíamos entendê-lo.

Nelson, o heróico resumo do próprio país, vai enfrentar com as duas mãos o seu próprio destino e resolver a sua vida. Qualquer desatino que ele cometesse, nós o entenderíamos.

Mas, este robusto carvalho, esta fortaleza não se deixará abater e fará com que a bandeira do seu país tremule vitoriosamente, como organizadora da Copa do Mundo do esporte mais popular de todos os tempos.

Se o time perder ou for desclassificado mais adiante, paciência. O recado já foi dado.

É deste material que se fazem os semideuses.

Se neste momento, fosse fechado o pano, a peça já estaria concluída.

Não há mais nada para retocar ou acrescentar.

O ENGARRAFAMENTO FINAL

12 de junho de 2010

crônica para o ABC DOMINGO de 13 de junho de 2010

Walter Galvani

 

O que aconteceu em Porto Alegre entre as quatro da tarde e as nove da noite de uma segunda-feira, é apenas um prenúncio do que pode se repetir a qualquer momento e que reaviva a frase de efeito, “até o engarrafamento final”. (E que pode, como se vê, deixar de ser apenas “uma frase de efeito…”)

Houve um acidente entre dois ônibus e dois carros às quatro da tarde,  na pista sentido capital/interior da Av.Castelo Branco e todo o centro histórico de Porto Alegre parou até às 21 horas. Explicação: enganos no trato com o problema?

Não apenas.

A frota da capital tem um acréscimo de 200 novos veículos por dia. As ruas permanecem as mesmas, é claro, e os sistemas de transporte coletivo tão escassos como sempre. Aqui não se fez a opção pelos trens e metrôs como nos países desenvolvidos. Apenas o Trensurb ameniza a situação nesta região metropolitana, e há de ser sempre uma solução preciosa, mas não resolve totalmente, como se vê pela BR-116. Os que são obrigados a utilizá-la, para lá e para cá, sofrem na carne todos os dias. Mas, não apenas a frota de Porto Alegre é que cresce: Novo Hamburgo é a segunda em percentual, só ano passado foram mais 12.994 veículos e Canoas contribuiu com 9.465 a mais. Imaginem o interior todo que por ali transita, os que entram, os que saem, os que precisam se movimentar na região, a multiplicação dos negócios, e as soluções rodoviárias, sempre as mesmas, com a agravante de que as pistas se deterioram, além de servir a cada vez mais veículos.

Essa é a realidade. Chegará o momento em que não haverá nem lugar para estacionar, quanto mais para transitar…

Enquanto isso, as autoridades se desgastam em conversas de ofensas ou galanteios, visando se unir ou desunir, para montar uma chapa que ganhe o poder. O que precisamos é de soluções objetivas. No caso de Porto Alegre, alguém já pensou em ir até Wuppertal na Alemanha? Então marquem a passagem e conheçam o trem suspenso. Depois visitem o arroio Dilúvio e a Av. Ipiranga e comentem o assunto. Aliás, em tempos de Internet basta visitar a página que abriga o trem suspenso daquela cidade alemã e colher uma lição que vem desde… 1908…

O GRANDE ENGARRAFAMENTO FINAL…

9 de junho de 2010

A nossa frota de veículos cresceu 6,74% de 2008 para 2009. (E em 2010?) Só em Porto Alegre foram 73.000 novos carros que se somaram à frota existente, mesmo considerando os 15.000 que foram retirados de circulação (danificados definitivamente, queimados, destruídos de qualquer forma), pois vieram 54.000 de fora e 39.000 foram transferidos para outros estados. Mesmo assim, na conta final, a frota cresceu em média, 200 por dia.

Podemos continuar fazendo as contas e admitindo que se mantivessem os números de 2009, teríamos até aqui, mais 31.800, aumentando a frota de Porto Alegre, só Porto Alegre anotem, em mais alguns sobre os 274.000 que estavam registrados na capital, chegando portanto, aos 378.800.

Acresça-se à esta conta mirabolante o crescimento das unidades usadas em toda a região metropolitana, com Novo Hamburgo e Canoas comandando o espetáculo, cidades onde o aumento em 2009 foi de 12.994 e 9.465 respectivamente e se terá uma idéia do resultado que se espera e a explicação dos repetidos engarrafamentos.

Difícil seria entender o que ocorreu no dia 8 de junho de 2010, quando um acidente entre dois ônibus e dois automóveis na pista de saída, sentido capital/interior, às 4 da tarde, gerou uma tal confusão que todo o centro de Porto Alegre se tornou intransitável até às nove da noite.

É verdade que foi bloqueada a pista para atendimento aos feridos e retirada dos veículos (um dos ônibus precisou ser rebocado), mas difícil seria entender como refluiu tudo para o interior do centro histórico da capital.

Mas, não terá sido a primeira, nem será a última vez.

Não adianta reclamar sobre despreparo dos agentes de trânsito, porque não se trata só disso.

Este crescimento incontrolável da frota teria que ser acompanhado pela adoção de medidas mais radicais, proibição de circulação nas vias centrais para veículos de maior porte (camionetas, por exemplo, não circulam no centro de Paris), construção de serviços de transporte coletivo confiáveis, mas estamos falando de trens, de metrôs, de soluções ousadas.

Fazer uma frase de efeito seria escrever aqui que um dia ficaremos todos parados no grande congestionamento final, mas não estamos longe desta ficção, escrita na primeira metade do século passado.

No Japão, para que se tenha uma idéia, é vedada a compra de carro para quem não comprovar que tem uma garagem, propriedade sua ou alugada, para guarda-lo quando não está em uso, o que, de pronto estabelece uma certa restrição. Mas não é só isso. Lá existem sistemas de transporte coletivo por trem para tudo que é lado.

Por que iria eu de carro até Canoas, por exemplo, se posso fazê-lo pelo Trensurb? Mas, é que o Trensurb é insuficiente, pois suas linhas só me levam ou trazem ao centro da capital.

Precisamos mais, muito mais.

Certa vez, lá pelos anos sessenta, fui à Alemanha e vi um trem suspenso sobre um rio que cruza a cidade de Wuppertal.

Escrevi sobre isso no jornal “Folha da Tarde”. Claro, o jornal não circula mais, foi uma das vítimas da crise que abalou a Cia. Caldas Jr. Em 1984. Parou de circular a 15 de junho daquele ano.

Entre os problemas que afetavam a antiga empresa, havia o agravamento das dificuldades de transporte dos jornais, por causa do crescimento da frota e a falta de medidas visando o transporte coletivo.

Já o trem de Wuppertal, o “Wuppertaller Schwebebahn”, circulando a 12 metros de altura sobre as águas do rio Wuppertal que atravessa a cidade, e a 8 acima do nível das ruas, a velocidade média de 60 quilômetros por hora, nunca teve um acidente de trânsito, claro, não tem interferências com outras vias, nunca parou e nunca sofreu com engarrafamentos…

Conta-se como anedota, que o único desastre ocorreu nos anos 50, quando um elefantinho de um grande circo internacional, que viajava no último vagão especialmente preparado para ele, assustou-se e se atirou lá de cima…

O único.

Nenhum morto, nenhum ferido nestes anos todos e milhões de passageiros transportados.

Porque Porto Alegre não poderia construir algo semelhante em cima do riacho Ipiranga?

Imagine-se: percorrer toda a avenida Ipiranga até Viamão?

Pois é.

Enquanto continuarmos adotando soluções parciais ou esperando o milagre, o milagre não acontecerá é claro e teremos engarrafamentos cada vez maiores e aparentemente inexplicáveis como o desta semana.

Até, repetindo a frase de efeito, o engarrafamento final…

Levem água e bolachas a bordo…

 

Walter Galvani, em 9 de junho de 2010

UM CAMPEONATO MUNDIAL

6 de junho de 2010

Crônica publicada hoje, 6 de junho de 2010, no ABC DOMINGO

por Walter Galvani 

 

Estamos mal, muito mal e não é no futebol. Acabo de receber a lista das “10 cidades mais violentas do planeta” e não há uma só brasileira. Vejam só, nem Rio, nem São Paulo, nada de nada, muito menos Porto Alegre.

1 – Ciudad Juarez (México); 2 – Caracas (Venezuela); 3 – Nova Orleans (Estados Unidos); 4 – Tijuana (México); 5 – Cidade do Cabo (África do Sul); 6 – Port Moresby (Papua Nova Guiné); 7 – San Salvador (El Salvador); 8 – Medellín (Colômbia); 9 – Baltimore (Estados Unidos) e 10 – Bagdá (Iraque).

E vejam só, trata-se de uma lista elaborada por uma ONG mexicana, “Consejo Ciudadano para la Seguridad Publica”) e que classifica pelo número de homicídios relativos a 100.000 habitantes. Primeiro lugar absoluto com a Ciudad Juarez, que fica na fronteira com os Estados Unidos, com 130 mortes para cada cem mil.

Nem sei como é que ficamos de fora dessa Copa, pois é sabido que no Brasil desenvolvem-se técnicas cada vez mais ousadas de assalto a banco, roubo de veículos, assassinatos e sequestros. Também é verdade que estamos “interiorizando” os procedimentos malignos, o que vem à tona agora é Gramado dos Loureiros ou Tapes e não mais o nome iluminado das capitais.

Abatem-se pessoas por estarem olhando ou por passarem por ali, rouba-se, mata-se e pronto! – podemos ir embora por que nada nem ninguém se há de levantar pelos indefesos atingidos.

Sabem como é o nome disso? Decadência, decomposição da sociedade, destruição dos valores, fim da educação e do equilíbrio psíquico.

O México, somente o México, que contribui nesta lista com o primeiro e o quarto lugar, tem 21 homicídios por dia. Claro que isso, não chega nem perto dos números brasileiros, temos condições de levar esta Copa, basta somarmos o nosso país inteiro.

Acrescente-se nesta conjunção demoníaca, a diminuição da qualidade da mão-de-obra brasileira, onde somos literalmente confrontados com a ignorância e incapacidade técnica cada vez que vamos à uma loja ou escritório, ou banco… Não é por nada que há desemprego nesse  país…

Em breve resgataremos nossas posições nesta injusta lista… Depois das eleições.

MAS… ATÉ OS ÍNDIOS?

4 de junho de 2010

Houve um assalto a banco, numa localidade improvável aqui no Rio Grande do Sul, uma pequena povoação, em Portugal diriam, “aldeia”.

No seu objetivo de prestar serviços a todos os habitantes do interior, o Banrisul instalou uma agência num anexo ao prédio da prefeitura.

Pois foi justamente este anexo que foi assaltado e o pior, o crime deixou dois mortos, um ex-prefeito e o tratorista que estava por ali e teve o azar de movimentar o trator na hora em que se produzia o tal assalto.

Pior: descobriu-se que entre os bandidos havia índios.

O lugar se chama “Gramado dos Loureiros”.

Pois bem: foram presos dois índios que estariam envolvidos com a ação contra o banco, entre eles o filho do cacique da reserva de Nonoai, Marcos. O pai dele é irmão do vice-prefeito.

Que confusão!

Vamos ver até onde vão as investigações, mas parece que uma coisa de família… envolvendo os indígenas que cansaram de trocar terras por figuinhas e bolinhas coloridas.

Não era preciso exagerar…

Como se vê, tem de tudo. Além disso, pegaram uma índia, de 27 anos, com armas, munições, coletes a prova de balas, drogas e celulares.

É, parece que a civilização chegou depressa demais lá neste fundão das grotas…

 

por Walter Galvani

FERIADO, DIA DE TRABALHO…

3 de junho de 2010

Lembrando a mim mesmo: comecei no jornalismo em 1954, entrei para o Correio do Povo de Porto Alegre no ano seguinte, depois trabalhei também na Folha da Tarde e na Rádio Guaiba, andei seis meses na Rádio Gaúcha, voltei para o Depto. de Promoções da Caldas Junior e nessa empresa fui tudo. De repórter esportivo à chefe de redação.

Hoje “estou” conselheiro do Conselho Estadual de Cultura, mas sigo atuando como jornalista no ABC DOMINGO e no DIÁRIO POPULAR, de Pelotas, este o mais antigo diário em circulação no estado.

De vez em quando dou um pique por outros órgãos, de fora daqui e vez em quando publico alguma coisa no Correio do Povo, ou falo na Rádio Guaíba. Uma vez por semana, pelo menos.

Mas, feriado, feriado, como esse, há muitos anos eu não vivia. E assim é que estou curtindo este Corpus Christi, retomando alguns textos fundamentais em minha produção.

Como por exemplo, um pequeno ensaio sobre um grande livro que sempre releio ou um mergulho na língua portuguesa.

Aliás, recebi um convite que muito me honra: vou falar na Casa de Portugal, no dia 10 de junho, Dia de Portugal.

Dia de Camões e também chamado por alguns “Dia da Raça”.

Walter Galvani