CURTA O QUE TE FAZ FELIZ

1 de janeiro de 2012

Crônica publicada neste primeiro de janeiro de 2012, no jornal Diário Popular, de Pelotas

 

Walter Galvani

 

 

“Estresse”, sentencía um técnico no assunto, chamado a opinar na reta do fim do ano, “não é ruim, ele é o mecanismo de defesa às adversidades da vida.” Ele não colocou um ponto de exclamação ao final da sua frase, mas eu o faço. O autor dela, Rodrigo Grassi de Oliveira, é nada menos do que o coordenador do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Trauma e Estresse da PUCC/RS, portanto claramente qualificado para falar sobre este e outros temas que nos preocupam e… nos “estressam” quando acaba um ano e começa outro.

Já esgotamos nossos “barbitúricos” habituais, tomamos nossa cervejinha, fizemos “tim-tim” com as champanhas (aliás, “espumantes” por decisão de Justiça…) dormimos, acordamos, caminhamos, corremos, e o calendário aí está, indestrutível à nossa frente: o Ano Novo começou.

Então, fui para a Internet, a ver o que me mandavam dizer meus amigos e leitores ou eleitores, como queiram, e lá estava escrito, em sábias palavras que um deles me enviou: “curta o que te faz feliz”.

Embora dito assim, de sopetão, me obrigue a procurar em meu consciente e pescar talvez no inconsciente, o que é que “me faz feliz”, posso ter uma idéia. Por exemplo, pegar o livro “renegado” de José Saramago, o “Clarabóia” e lê-lo antes que terminasse o ano, como fiz, e considerando o efeito “post mortem” do grande escritor, gostar mais ainda e me “estressar” porque ele está morto e enterrado e não pode mais nos premiar com obras maravilhosas como essa e outras…

Isso sim me “estressa” e me “estressa” mais ainda procurar e não encontrar um verbo adequado para substituir este termo inglês, digo americano… Ah, e como ele já está devidamente dicionarizado, incorporado ao nosso léxico, posso retirar as aspas… Sim, não é sem estresse que o faço, mas pensando bem como tantos termos nascidos da nossa amada língua portuguesa que ganharam o mundo e por aí navegam, como nautas e modernamente “internautas”, passando como lentas caravelas atravessando oceanos, mares, tempestades, ciclones, furacões e tufões, reformas ortográficas e revoluções, a inclusão está feita e perdoada, sabendo que o melhor remédio seria “tirar férias”. E pergunto, sem estresse: quem é que pode? Eu já me resignei com um pequeno “recesso”…

PARABÉNS A NÓS TODOS

28 de dezembro de 2011

 

Walter Galvani

 

Estamos todos de parabéns, estamos chegando ao final de 2011 e escapamos incólumes aos perigos de transitar sobre esta íngreme crosta terrestre. Vivos, despertos, espertos, atentos, fugimos às doenças e aos remédios, sobrevivemos aos pequenos ódios e às grandes invejas, aos tropeços comportamentais e quase ilesos, aos verbais, aos enganos e aos derramamentos de sangue e de temperamento.

Faltam poucas horas para o final do ano e, como se estivéssemos acreditando nos presságios e profecias, estaremos aptos a ingressar em 2012, quando o mundo dará seu último suspiro. Como estaremos com a nossa conduta ilibada pelos fatos e pela falta de concretude de qualquer acusação, penetraremos no período, com a maior serenidade.

Depois é acreditar e correr até o dia 21/12/2012 que, segundo interpretações, aconteceria o fim do mundo. Já outros pesquisadores se deram ao trabalho de fazer uma verificação em cima do calendário maia e desccobriram que a data estava errada e… já passou.

Ou seja, o Mundo já acabou e não nos demos conta disso. Estou mais inclinado a aceitar esta asserção porque, de fato com o que anda sucedendo por aí, parece-me, sem dúvida, que ele terminou.

Tudo o que está vindo agora é o inacreditável transformado em fatos palpáveis. Nossa existência prossegue e, embora muitos não o creiam, basta a gente se beliscar para ver que estamos vivos, sim. Por outro lado, ao não ligar a caixa de sons e imagens preparada pelo próprio homem, se percebe que o velho e antigo mundo, continua em sua órbita, oscila calores com tremores de frio e abriga mentirosos e trabalhadores, desequilibrados e honestos cidadãos, homens do campo e da cidade, do mar e da planície, ao lado dos pobres bichos de sempre.

Alguns desses animais comemos, para garantir nossa própria sobrevivência e se aqui no Ocidente excluímos os cães por uma questão de amizade, lá no Oriente eles não escapam ao alvo do cozinheiro e representam até iguarias de alta qualidade.

Eu me declaro absolutamente adverso à carne canina e também à humana… Mas, por aí tem gente…

E assim, vamos para o Ano Novo. Ou como se diz em Portugal, “Ano Bom”, como aqui, quando se usava dizer “a Noite de Ano Bom”. Daqui a pouco, daqui a mais algumas horas, estaremos assinando 2012 em nossas mensagens. Ah, cuidado com os nossos “irmãos” no trânsito. “Eles” são capazes de tudo para chegar um décimo de segundo primeiro, ali na esquina…

BOM NATAL 2011

23 de dezembro de 2011

“MUDEI EU…”

Walter Galvani 

Pastores, padres, poetas, correi, a velha e correta pergunta de Machado de Assis, até hoje o maior (e indiscutível) nome das Letras brasileiras, está no ar, mais uma vez: “Mudaria o Natal, ou mudei eu?…”

Por mais pragmáticos, materialistas e quem sabe ateus que tenhamos nos tornado, ao longo da vida, com seus tropeços, dúvidas, decepções, frustrações e alegrias inesperadas, ódios e amores, amizades e rancores, reconhecimentos e esquecimentos, há sempre uma mística permanente, oriunda das velhas crenças que nos foram transmitidas na infância e que se constituem num dos fundamentos da nossa personalidade.

Com aquela base de fé e esperança, os maiores céticos esquecem à esta época do ano suas posições radicais e se deixam levar na onda de abraços e felicitações, desejos de paz e tranquilidade, e acabam se integrando nesta vaga de boa vontade e que de tão forte, conta a História já quase transformada em lenda, serviu até para interromper hostilidades bélicas nas duas primeiras guerras mundiais.

Através destes fatos e estas recordações, recobramos forças e pensamos até em acreditar nas promessas alheias, longe das questões egoísticas ou propósitos pessoais ou coletivos, distante das ambições e orgulhos, preconceitos e ódios.

Todos os subprodutos da ignorância e da vaidade rolam por terra, aos pés da assim simbólica árvore de Natal, e confraternizamos crendo que o novo sol nos trará a ambicionada convivência pacífica e a paz, sem diferenças políticas, sem disputas territoriais, combates étnicos ou desejos descabidos.

Em geral, o dia 25 amanhece nesta quentura de desejos e sonhos para serem realizados e nossos espíritos adormecidos no conforto da solidariedade derramada ostensivamente, até como contrapartida das orações leigas ou religiosas, e nos preparam para a última semana do ano.

E é assim mesmo agora em 2011 e como o foi em 2010, justamente considerando esta contagem que nasceu a partir do calendário cristão e, por certo continuará enquanto houver vida sobre a Terra ou em algum dos seus companheiros de trajetória cósmica, se é que existem e são habitados por  criaturas como nós.  Quanto ao Natal, que não mudou… acho que mudei eu… 


FIM DE ANO, MOMENTO DAS LISTAS

18 de dezembro de 2011

Crônica publicada hoje no Diário Popular de Pelotas

 

Walter Galvani

 

Quantos livros você leu em 2011? Se não chegou a cinquenta e dois ainda há tempo esta semana e na próxima para garantir seus números favoráveis, com a leitura dos últimos dois do ano e assim fechar a conta com “um por semana”. Se quiser uma sugestão, abrace o “Don Frutos”, a criativa biografia do político uruguaio Fructuoso Rivera, escrita por este ás da literatura e do jornalismo, Aldyr Garcia Schlee.

Sei que o nome do autor, com esta mistura de castelhano e alemão, fica difícil de decorar, mas você não vai se dar mal, justamente pela curiosa e instigante mistura que ele faz de expressões em espanhol e português, coisa bem característica da fronteira gaúcha.

Estou me deliciando e nesta reta final de ano, encerrarei muito bem as minhas estatísticas de leitura, com este maravilhoso produto da editora ARdeTEmpo, assim mesmo com esta mistura de maiúsculas e minúsculas e o talento e o trabalho do editor Alfredo Aquino, pelo meio.

Ah, e precisando de sugestões para presente de Natal, já que estamos na reta final do Papai Noel esta semana, anote este título, que o presenteado vai lhe agradecer dobrado, por lhe haver propiciado o contato com um dos melhores do ano, o Prêmio Açorianos de Narrativa Longa.

O Aldyr já me prometeu que quando ganhar o Nobel, não irá nos esnobar e continuará nos visitando, isso porque ele se esconde lá na Fronteira, perto de Jaguarão (onde nasceu na produtiva classe de 1934…)

E aproveite esta proximidade do Natal e fim-de-ano para fazer a sua listagem do que fez de bom e de menos bom durante este  2011. Não esqueça que o balanço é uma boa oportunidade para preparar seu espírito para o 2012, além do mais porque será inevitável ter que enfrentar algumas  toneladas de papel e tempo com a profecia maia, mal interpretada, de que o mundo terminará no ano que  vem… Ledo engano, o mundo como o conhecemos já terminou e nem nos demos conta! Isso tudo que estamos recebendo aí é “inhapa”, termo regional não regionalizado – favor não confundir com “inhaca” que é cheiro de corpo de pessoa ou animal…

E se a lista dos prós e contras for desfavorável, peça ajuda ao Papai Noel ou arranje uma Mamãe Noel… É o melhor caminho. 

SEJA DURO CONSIGO MESMO

17 de dezembro de 2011

Crônica no ABC DOMINGO de 18-12-11

 

Walter Galvani

 

Muito bem, hoje é 18, a semana que amanhã começa marca a corrida para o Natal e a outra, será a última do ano, derradeira chance para fechar as contas com superávit, índices de leitura positivos, os benefícios aos outros com saldo favorável e a lista das pequenas maldades, disponível para ser deletada ou queimada…

Comece lá, pensando no auxílio prestado aos que pediram seu auxílio, aos que viveram dificuldades e que você ajudou desinteressadamente, os bons livros que leu, como o “Don Frutos”, do Aldyr Garcia Schlee, melhor narrativa longa do ano no Rio Grande do Sul, e desconte os pequenos pecados cometidos. Não se preocupe, até gente que enganou a Igreja Católica pode obter perdão este ano… O Papa carimba o pedido, porque ele sabe, ele conhece…

Entrou para o “Facebook”? Festeje então o reencontro com amigos queridos, o renascimento de seus interesses pessoais por isto ou aquilo e até por esta ou aquela… Faz parte. Comemore.

Se por acaso um relacionamento retomado ou descoberto, não deu certo, não fique chateado, sempre há tempo em 2012 para a recuperação. Até porque, você sabe, a tal história do calendário maia marcando o fim do mundo para o ano que vem, é uma fria, pois o cálculo estava errado e a data já passou. Não será no dia 12/12/2012, apesar de todas as coincidências cabalísticas entusiasmantes deste monte de 12… Não vai ter essa!

O mínimo que pode acontecer e isso pode agradá-lo ou desagradá-lo é a vitória do Inter em mais um campeonato regional, nacional e internacional. Dizem que é porque ele nasceu  num ano múltiplo de doze, que foi 1909. Não é calendário maia. É sábia filosofia regional. Até porque… como sabemos, a bola é redonda. Estádio novo? Até isso vai acontecer.

O certo é, pois, ir fazendo a contabilidade e descobrir porque a sorte parece perseguir os que trabalham certo, como parecem indicar certos resultados que, no ano que vem serão conferidos pelas urnas.

Feitas as contas, seja duro consigo mesmo. Não custa nada, o prêmio é maior e melhor com algum sofrimento e pelo menos a promessa de emendar-se no ano que vem e não ser tão prepotente, mal educado e grosseiro, quando todo mundo o que quer de você é delicadeza.

UMA VILA “MUITO” MIMOSA

11 de dezembro de 2011

 

Walter Galvani

 

A administração canoense chegou tarde mas ainda deu para salvar a Vila Mimosa, em nome da história, da tradição e da cultura. Cabe o mérito ao atual prefeito de Canoas, Jairo Jorge, que obteve a vitória e com isso, o saldo político de um acerto: a empresa construtora de imóveis Goldzstein Cyrella depois de um investimento de 1.500.000,00, entregou esta semana à prefeitura e consequentemente, à população, devidamente restaurada, a Vila Mimosa. Trata-se da residência da família Ludwig, onde, por muitos anos habitou o Dr. Vitor Ludwig, grande médico de família, e que conservou e manteve em condições onde tinha moradia e consultório, a casa construída em 1904, numa arquitetura clássica que ainda reflete os conceitos e as linhas do século XIX.

Vai ser uma Casa de Cultura, com uma galeria de arte, uma sala multimeios, atelier de artes plásticas e locais para cursos de teatro, dança, música.

Primeira vez que visitei a Vila Mimosa foi em 1941, quando fui “consertar” um braço quebrado com o simpático Dr. Vitor que, numa combinação secreta comigo, que tinha sete anos, “receitou” a leitura de revistas de histórias em quadrinhos, que meu pai abominava. Este era o Dr. Vitor, mais tarde me tornei amigo dos filhos dele, Rubem e Paulo Kessler Ludwig. O primeiro chegou a Ministro da Educação e Cultura e o segundo, igualmente um grande médico, e o “Tato”, no futebol amador, onde jogava de “gorra vermelha”.

Importante a Vila Mimosa e que sirva de exemplo para os demais municípios da Região Metropolitana e falando nela, uma coisa positiva, não toco no assunto “PIB Zero” do último trimestre no Brasil, ao mesmo tempo em que a inflação deverá fechar o ano com 6,64% e a venda de automóveis novos continua na base de 320.000 por mês. Ou seja, mais de 10 mil por dia… Algo vai errado por aí e certos estão a Fernanda Melchiona e o Pedro Ruas, propondo na Câmara Municipal de Porto Alegre que se mude o nome da avenida de entrada na capital, de “Castelo Branco” para “Legalidade”.

De vez em quando convém revisar conceitos. Contaminado pela crise internacional o nosso PIB bateu no zero e o rio dos Sinos continua pedindo água. É bom refrescar um pouco a cabeça, com coisas boas como a “Vila Mimosa”.

 

Crônica publicada no jornal ABC DOMINGO de 11/12/11

DINHEIRO, DINHEIRO , MAIS E MAIS

5 de dezembro de 2011

Crônica publicada no Diário Popular, de Pelotas

Walter Galvani

 

Os professores encerraram sua greve com apenas duas semanas de vida. O que queriam eles? Melhor remuneração. Ah, sim, justiça seja feita, maior discussão da reforma do ensino médio.

Os brigadianos em greve branca? Dinheiro. Melhor remuneração.

Os bancários que pararam na metade do ano e os carteiros?

Dinheiro, mais e mais, todo mundo.

Certo ou errado, todos querem aumentar seus ganhos, pena que muitos torram o que puderam economizar, nesta “reta do Natal e fim  de ano”. O Papai Noel e o francês “Reveillon” carregam com as nossas economias.

Só não vejo os escritores se negarem a escrever, mas seria uma boa se a gente pudesse parar, se negar a criar uma só linha nova, a não ser que os direitos autorais fossem ampliados, além dos miseráveis dez por cento sobre o preço de capa.

Pensem bem: um livro, custando em média 38 reais, deixa no bolso do autor, 3,80 apenas, não dá nem para o ônibus. E tem mais, livro em segunda mão, livro comprado em “sebo”, não repete a operação do direito autoral. Para a conta do autor, seja ele José Saramago ou Walter Galvani, não vai um tostão sequer.

A contabilidade do autor muitas vezes se beneficia de algum acordo com o bar da esquina ou o restaurante da moda, que tem prazer e “interesse” em receber o escrevinhador em suas mesas, para fazer uma espécie de promoção.

E assim vai a vida.

Cada vez mais carros na rua, cada vez mais multas, mais punições, mais loucuras, mas na corrida do fim de ano a única coisa que se computa é dinheiro, dinheiro, mais e mais…

Bem faziam os jesuítas em reservar estes últimos dias do ano para um retiro espiritual, coisa que, infelizmente caiu em desuso, junto com a vergonha na cara e a dedicação ao trabalho, como eles mesmos pregavam.

A roda do mundo continua girando. Só que, rápida demais…

Sugiro um balanço do ano, uma contabilidade espiritual alinhando o de bom e o errado que se praticou e uma conclusão, para saber se houve déficit ou superávit.

E começar 2012 com novos projetos e propósitos. Que devem ir além da festa de sempre….

É o mínimo que se pode querer de uma comunidade de pessoas inteligentes, de seres humanos integrais.

 

 

 

FIM DE GREVE E FIM DE ANO

4 de dezembro de 2011

Crônica publicada hoje no ABC DOMINGO 

 

Walter Galvani

 

Entendo que o CPERS tenha feito uma escolha equivocada e feito uma greve que não teve adesão de 80 por cento da classe. A época era inoportuna, como todo mundo disse, e em duas semanas acabou o movimento. Faltou sensibilidade, pela primeira vez nos últimos anos, e os poucos professores que se deixaram arrastar pelo movimento, agora amargam os prejuízos da paralisação.

Estes são os fatos.

Isso não quer dizer que o CPERS estivesse errado. Significa apenas que a greve acabou irrelevante por ser inoportuna. Faltou-lhe mérito, oportunidade e capacidade organizativa.

O preço é caro, sempre que a gente vai à lona.

Agora será preciso correr nestes últimos dias do ano letivo, para que os custos do movimento não recaiam sobre os alunos, que aprenderam cedo na vida, uma lição impiedosa e desastrada.

Porque há uma questão na relação aluno/professor que é muito mais importante que todas as regras oficiais de conduta: a atração entre o professor ou professora e os alunos e alunas.

Esta paixão que nasce da capacidade de transmitir e da sensibilidade do aprender, da certeza de que cada dia está se construindo um castelo de sonhos que vai durar para sempre, este é o segredo que torna o elo entre alunos e professores tão indestrutível que dura toda a vida.

Gosto sempre de citar o Irmão Henrique Justo, o doce lassalista que completou 89 anos em 2011, e que espero que siga em frente, já que forte e são continua, e inteligente, culto e lúcido, sempre será. Ele foi meu professor no La Salle em Canoas, entrei aos 13 anos para o Grêmio Literário que ele criou e nunca mais saí…

Mas não foi só comigo. Ainda esta semana eu conversava com uma moça chamada Adriana, que trabalha para um dos maiores oftalmologistas do estado, o dr. Lorival Cardoso, e quando citei um professor lassalista inesquecível, ela logo levantou o nome: “Irmão Justo”.

É ele mesmo, ídolo de várias gerações desde meu tempo de 1947 até os 2010/2011 da Adriana. Eis um exemplo e um símbolo. Professor é isto, um exemplo e um ídolo.

Se ele tivesse que fazer uma greve a gente iria estudar secretamente na casa dele…

 

 

 

 

AMAMOS A “PRINCESA DO SUL”

27 de novembro de 2011

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Crônica publicada no jornal “Diário Popular” de Pelotas, o diário mais antigo em circulação no Rio Grande do Sul

Walter Galvani

 

 

Fui a Santo Antonio da Patrulha, município-mãe de metade do Rio Grande do Sul, para a sua primeira Feira do Livro e me dei conta de que Pelotas já fez a sua e muito antes, logo depois de Porto Alegre. Olhei esta semana o teatro São Pedro e me lembrei que o “Sete de Abril” é mais antigo.

Admirei o excelente álbum de fotos da capital, feito pelo Leonid Streliaev com as também excelentes fotógrafas Liane Neves e Adriana Franciosi e também me lembrei que Pelotas já fez um trabalho semelhante. E lá em Santo Antonio da Patrulha, isso foi lembrado, eles querem fazer um trabalho igual, usando as fotos de “um olhar sobre a cidade” que estão expostas no Museu Caldas Júnior, e não faltou uma referência à ilustre cidade que liderou a cultura gaúcha durante tantos anos e hoje não fica para trás. Só nos encanta.

Assim é que é vista Pelotas, saibam os que não residem aí, ou nas suas proximidades, e todos sabem que alguns dos maiores vultos da literatura gaúcha nasceram ou viveram na “Princesa do Sul”, tal como João Simões Lopes Neto ou Lobo da Costa.

Agora mesmo, vivendo aí num dos municípios que fazem a cintura metropolitana de Pelotas, reside Aldyr Garcia Schlee, um dos mais talentosos escritores de hoje, grande pesquisador, conhecedor da literatura dos vizinhos argentinos e uruguaios, “Don Frutos” que o diga, sem falar em outras contribuições à vida e à cultura do Brasil, desde sua mocidade.

É preciso levar em conta a presença e a importância desta cidade e mirar-se em seu exemplo. Nada será errado, se for feito em suas pegadas. Mesmo tendo que dizer, “Pelotas já fez…”, é simples, é que se está no caminho certo.

Que o ateste, inclusive, este maravilhoso “Diário Popular”, o mais antigo diário em circulação no Rio Grande do Sul e que não pretende parar tão cedo. Portanto, quando o Caldas Jr. lançou o “Correio do Povo” em 1895, deve ter ouvido de alguém este lembrete: “Jornal diário? Pelotas já tem!”

O importante contudo, é que a cidade de Pelotas está preparada para os desafios do futuro. Ela não ficou parada no tempo e no espaço, e além de gerar tantos outros municípios, como célula-mãe, amparou, orientou e preparou uma fatia notável da intelectualidade gaúcha em seus bancos escolares e universitários.

 

 

 

 

 

DE OLHO NO CÉU E NA ÁGUA…

27 de novembro de 2011

O nível dos rios Sinos e Gravataí está preocupantemente baixo.  E a promessa dos céus não é das melhores. Se houver racionamento, não se assustem se ouvirem falar nisso, é preciso muita calma e serenidade. Crônica publicada no jornal ABC Domingo 

Walter Galvani

 

De vez em quando, a gente passeia no domingo levando a preocupação debaixo do braço. E assim, ao caminhar ao longo dos rios, como o Sinos, o Gravataí e seus afluentes, apesar do agradável tempo de primavera, miramos o nível deles, mais baixo do que nunca nestes últimos anos e levantamos os olhos para o céu, onde não há nuvens à vista.

O pensamento se volta para a torneira de casa, acostumados que estamos a deixá-la aberta sem preocupações, usando a água corrente dentro do que se tornou uma agradável norma de conduta higiênica.

Saio por aí, viajo por toda esta imensa região, hoje classificada como metropolitana da capital, o que objetiva facilitar a aplicação de alguns dispositivos legais, chego a Santo Antonio da Patrulha, município que gerou mais da metade do estado, e lá me encontro com a primeira Feira do Livro, cheia de atrações, começando pela presença maciça das crianças (é nelas que confiamos, não é mesmo?), mas tantos adultos realizadores e dignos da nossa atenção, como o prefeito Daiçon Maciel da Silva, o secretário de Cultura, Fernando Rocha Lauck, a cidade que tem o único museu em homenagem ao homem que marcou o início da verdadeira imprensa profissional no Sul, com a fundação do “Correio do Povo” em 1895, Francisco Antonio Vieira Caldas Júnior, presidida por uma poeta, Valquíria Abreu, e conheço tanta gente nova que falta espaço para o registro.

Já é alguma coisa a festejar nesta primavera, afinal basta lembrar Castro Alves, “quem semeia livros, livros à mão cheia… é chuva que faz o mar…”

Levantamos os olhos para o divino céu azul deste final de novembro e, nem sombra da chuva que forma os rios, que correm todos para o mar, como se sabe, deixando a terra fecundada pelo caminho e nossas torneiras ligadas.

Teremos no meio desta sêca toda que tomar providências, não duvidem de um racionamento, assim como, com a alta do euro, a baixa dos nossos valores e ações caminhando de cabeça baixa na fileira das preocupações nos botam na linha da crise, atrás da Irlanda, Grécia, Espanha, Portugal. O céu é azul, mas não é tempo para ilusões…

No mínimo livros e chuvas, é o que necessitamos.