Na I Feira do Livro de Santo Antonio da Patrulha,
a mítica “terra dos sonhos”
no Rio Grande do Sul
Walter Galvani
Falei de improviso em Santo Antonio da Patrulha, onde estive dia 24 de novembro, com o escritor homenageado da I Feira do Livro da cidade, promovida pela excelente administração de Daiçon Maciel da Silva, (que não pode mais ser reeleito porque já o foi uma vez), e que tem uma secretaria cuidando da Cultura, com Fernando Rocha Lauck. Para quem não sabe, e como este site é, graças a bondade divina, e divinas amigas e amigos, lido em todo o país e até pelo meu amigo, Walter Galvani em França (sim, tenho um homônimo absoluto e, melhor ainda, meu amigo), procuro ir dando meu recado diário, me espraiando (como diria Olívio Dutra) por vários jornais do estado e, de vez em quando novo livro que vai pintando por aí.
Então, atendi um convite que muito me honrou e fui dar um “pitaco” naquele município, o dos sonhos, e “mãe” de metade do estado. Que o projeto “Raízes” o confirma.
Lá chegado comecei a encontrar velhos amigos e conhecidos, a falar na rádio Imembuí, a reencontrar gente como a Valquíria Abreu, poeta de primeira linha, com quem debati questões culturais e o seu desempenho como presidente da entidade que promove o Museu Caldas Jr., instalado na casa onde o fundador do “Correio do Povo” passou sete anos de sua feliz infância.
O Museu, que abriga muito da história do grande jornal e da família do fundador, recebeu doações preciosas da sra. Nilza Caldas, filha e de netos do Dr. Breno Caldas. Respira-se ali o velho espírito que alimentou o sonho fantástico que foi assim recebido como uma aura de inspiração, de volta a Santo Antonio, terra dos sonhos em todos os sentidos.
Quem não relembra os velhos sonhos que a gente devorava com imenso prazer na passagem pelo restaurante “Boas Vindas” que marcava uma pequena pausa na viagem para o Litoral?
Velhos tempos.
E lá estava eu falando de improviso e toquei no assunto da leitura, naquilo que eu mais me apego e espero, sirva de exemplo.
Leio um livro por semana e isto muito me orgulha. Consigo separar da atividade diária, reservando quarenta, cinqüenta minutos por dia, ou mais, para que, ao cabo de uma semana tenha concluído a leitura de mais um volume que vai enriquecer a minha lista.
Assim tem sido desde os anos sessenta do século passado e acontece que, comparando com o índice das pessoas que conheço, me mantenho numa das primeiras posições, com muito orgulho. Eu disse, “aqui no Brasil”, porque meu amigo homônimo lá na Alsácia, onde reside, deve me bater, tenho certeza, não é mesmo, amigo Walter?
E então, pautei meu pronunciamento, pela necessidade e conveniência da leitura, do exercício da escrita, dos grêmios literários (Santo Antônio tem…) como eu tive e vivi a maravilhosa experiência noLa Sallede Canoas, quando o formidável Irmão Henrique Justo, hoje na felicidade produtiva dos seus 89 anos motivou os meninos do ginásio São Luiz, em1946, ase reunirem numa entidade deste tipo.
Que enorme e decisivo impulso! Obrigado, Irmão Henrique!
Era o que me cabia dizer. Eu apenas queria comunicar aos alunos que eles poderão fazer tudo o que eu fiz, e que cumprir a carreira que me trouxe até à situação de homenageado da sua cidade, depende apenas deles mesmos.
E pelo que vi e ouvi, com bons professores, interessados como eles tem a sorte de contar, uma secretaria de educação atuante (não é, dna. Josélia Fraga?) e uma secretaria de Cultura, mesmo que voltada também ao turismo e ao desporto, meio caminho andado.
E aproveito para saudar a LivrariaLa Mancha, que se estreou recentemente láem Santo Antonioe assegura o espírito da presença de Miguel de Cervantes e do seu imortal personagem Dom Quixote ( deLa Mancha, naturalmente) que “lia até os papéis rasgados que encontrava na rua”.
Duas “Patronas” teve a Feira do Livro de Santo Antonio?
Ivone Selistre e Regina Barcellos, ambas poetas, sendo que a letra do belo hino do município é de Regina.
E para não esquecer, o competente e divertido “xerife” Felipe Schoenardie
No sábado, a feira contou com a visita do grande escritor Alcy Cheuiche e no final do evento, Ruy Carlos Ostermann entrevistou Caco Barcellos, dois ícones do jornalismo rio-grandense, em mais um momento da série “Entrevistas com o professor”.
Para encerrar falando um bom gauchês, “que baita evento!”